Título:

Acordei cedo; logo depois veio o barulho do desfile da parada de 7 de setembro retumbando na parede dos prédios aqui em volta. Nada contra. Não me incomodei. Enrolei na cama, pensei em várias coisas. Naquele sonho… estava confortável ali. Enxerguei a verdade. Me senti leve. Em paz. Até que jatos e helicópteros começaram a sobrevoar a casa… cheguei na janela e não consegui enxergá-los, mas pensei em oferecer a varanda aqui de casa como área de pouso. Porque, né? Para estarem sobrevoando tão baixo a casa, eles deviam estar procurando algo do tipo. O barulho das hélices do helicóptero estava me enlouquecendo, não conseguia nem ouvir meus pensamentos. É, aqueles que vieram assim que abri meus olhos. Aquela certeza do que eu queria e vou matar.
Levantei, respirei fundo e senti uma pontada no peito. Ar preso. Deve ser do peso daquilo que carrego sem precisar carregar. Mania chata essa minha. E o sonho? Consistia apenas em você me ignorando. Ridículo… não conseguia nem me olhar na cara. Deve ser porque você está carregando algo aí que não está conseguindo colocar pra fora. Covardia. Quando você tentou virar o jogo, acordei. É, a verdade realmente pode ser sufocante. Algo simples se torna um monstro. Mas antes perder o ar e se assustar do que viver respirando algo que é mentira. Perder o fôlego faz bem, aquele aperto no estômago também. O alívio que vem depois que tudo passa deixa as coisas delirantemente leves. Experimente a leveza de vomitar toda a verdade, e deixe que de mim eu cuido. Já sou bem grandinha e vacinada.
Só uma leve explicação. Mais nada. E não vou cobrar além da única pergunta que fiz, e que há quase uma semana está sem resposta; a única coisa que é meu direito saber. A falta de resposta me faz imaginar a verdade como um monstro que irá me devorar inteira, mas mesmo assim não tenho medo. Só vou ser devorada se assim quiser. E talvez nem seja nada mesmo… mas enquanto tudo estiver no ar, não vou conseguir que minha mente pare de tentar entender. Querendo ou não, tem algo aqui dentro que me faz gostar de você.

A arma está novamente em minhas mãos. E meu alvo está ali. Sorrindo. Dizendo para eu não desistir, que talvez nem seja nada. Ah, então é você que vinha me incomodando! Se fosse nada, eu já estaria sabendo de tudo. Pare de sorrir! Não me olhe com essa carinha… cansei. Faço minha mira, e atiro. Dessa vez acerto. Em cheio. Um tiro certeiro. Ela caiu. Morreu! Jogo fora aquele revólver. Missão cumprida.
Não!? Aquela esperança idiota insiste em sobreviver, mesmo com sua respiração bem fraca. Sua vida está por um fio. Alguém tem uma tesoura?

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TPM…

de cu é rola.

E um nó se fez em meu peito. Assim mesmo, do nada. Não vi, nem li, nem ouvi nada de emocionante. É um nó daqueles que quando se fazem, pra desfazer só chorando litros. Muitos deles, até desidratar. Mas infelizmente meu orgulho não me deixa ser totalmente mulherzinha. Engulo o choro, digo pra mim mesma que é besteira. Chorar é para os fracos, você tem mais com o que se preocupar.
Sabe, chorar só porque meus hormônios resolvem entrar em ebulição uma vez por mês é pura besteira. Há tantos problemas piores pelo mundo, não é mesmo? Fome, guerras e mais toda essa merda. Não é porque eu me sinto o último ser da face da Terra que eu tenho o direito de sair praguejando por aí. Não é porque aquela minha colega-linda-por-quem-todos-os-homens-babam e esquecem de minha existência que tenho de odiar todas as mulheres lindas do mundo. Desejar que todas morram por alguns segundos, só pra eu saber como é reinar absoluta. Não mesmo.

Pior do que pré, é aquela que se torna pós. Porque tudo vem pior do que já estava. Toda a vontade de chorar só porque eu vi uma flor linda, o céu azul, a lua redonda brilhando e reinando lá no alto… tão linda. Majestosa. Enorme. Tão enorme que chega a me sufocar. E ela caga para o que eu penso. Então eu amo aquela bola que ilumina o céu e caga para o que penso ou sinto. Porque ela está lá, reinando absoluta, e fazendo com que a noite fique linda sem pedir nada em troca.
Tudo vem em dobro. Pior ainda é estar discutindo um trabalho em plena cantina da faculdade, olhar pra cara dele e ter vontade de agarrá-lo ali mesmo. Agarrar e beijar até sugar tudo de bom que tem ali dentro. Toda aquela cultura e finesse. Só pra ver no que dava. E cagar para o que os outros pensassem. Aliás, seria legal mesmo se todos morressem e só nós dois ficássemos ali. Discutindo literatura até eu morrer. Ou ter vontade de matá-lo por ser tão cult e irritantemente charmoso em meio à sua ansiedade.
É chegar ao ponto de ligar pra casa e dizer: “Mãe, posso ir pra casa nesse fim de semana também? Tô carente!” Claro, pra minha mãe eu posso mostrar minha fraqueza. Ela vai rir de mim, mas é minha mãe, então ela pode. É amar em dobro. Olhar pra minha irmã que chegou da França há dois dias, sentir orgulho daquela pentelha e ter vontade de gritar pro mundo o quanto pago pau pra ela. O quanto amo essa capeta. Ter vontade de deitar minha cabeça em seu ombro e ficarmos de mãos dadas contemplando o céu ali, do Topo do Mundo. É amar tanto, mas tanto, que tenho a sensação de que meu peito vai explodir. Não pode caber tanto sentimento aqui dentro. Isso não é normal. Amar assim não deve ser muito saudável. Vai ver é daí que vem aquele nó. Porque amar sufoca, dói. É mesmo um sentimento filho da puta. E a mulher que o pariu com certeza foi uma puta mulher, no melhor dos sentidos.
É cometer um leve erro e me sentir a pior pessoa do universo. Enquanto a outra pessoa já está rindo e nem se lembra mais do que eu falei. Me irritar com uma linha que caiu no meio do quarto. Ter vontade de matar qualquer ser vivo que cruze meu caminho. Torturar formigas. Arquitetar planos de aniquilação em massa. Sentir meu rosto queimar de raiva simplesmente porque alguém olhou pra minha cara. Morra, filho da puta! Nunca viu?
Me tornar tão ácida que chego a sentir minha língua queimar. Junto com meu estômago. E tudo fica quente, até o que não deve. Então tenho vontade de agarrar quem eu não devo. Ou devo e não posso. Ou posso e não quero. Ou quero e ele não quer. Que seja. São todos um bando de incompetentes. Bandiputo. Que seus respectivos paus apodreçam e caiam.

The grass was greener
The light was brighter
The taste was sweeter
The nights of wonder
With friends surrounded
The dawn mist glowing
The water flowing
The endless river

Forever and ever

PS: É, dei uma sumida básica. Final de semestre na faculdade, aquela loucura que todos já conhecem.

Ácida

Eu já deveria ter imaginado que hoje acordaria assim. Ácida. Tomei meu amado vinho tinto seco ontem à noite e depois meu estômago fez uma revolução. Era queimação pra tudo quanto é lado. Alôu? Era um Malbec, querido. Não entendi a reclamação. Você costuma gostar de argentinos. Mas tudo bem, hoje não vou tomar aquele resto da garrafa, só em consideração à você. E quero que guarde bem isso pra quando eu resolver tomar um porre.
Então, daí que mais cedo eu disse por aí que escreveria um texto sobre minha cã. Porque ontem eu assisti Marley & Eu e chorei litros no final. Porque fui dormir com um nó na garganta e de cara inchada, e acordei com uma sensação de vazio. Passei o dia com um aperto no peito… pensei várias vezes em sentar aqui e botar tudo pra fora, mas me autosubornei (?) e não consegui.
Então, daí que agora não dá mais. Porque estou daquele jeito. Culpa do cochilo longo de hoje à tarde. Daquele sonho quente que me fez acordar morrendo de calor. Mesmo com o friozinho que fez aqui o dia todo, acordei suada e joguei meu edredom pro lado.
Desde que acordei tô com vontade de falar besteiras pra alguém(s). Não é pornografia, bandiputo. É besteira. E besteira não implica necessariamente em pornografia. Assim como sonhos quentes. Eu poderia muito bem estar correndo debaixo de um sol escaldante, ué.
Está tudo nas entrelinhas. Supostamente. E deixo claro desde já que putaria não é comigo. Só besteira. Besteirinhas. Veja bem.
Porque quando estou ácida, fico deprimentemente irônica. E sarcástica. Irônica eu sempre acabo sendo, a parte deprimente costuma vir junto com a acidez. E com ela às vezes bate mal-humor. Tenho vontade que todo mundo morra e que eu reine absoluta. Mentira. Mas mando morrer. E pegar fogo. Planos de aniquilação em massa e tortura são arquitetados em minha mente. Mas sem sangue. Porque eu não sou sanguinária, apenas ácida.
Isso mesmo, muito bem. Finja que eu não existo. Me ignore. Me faça sentir o último ser da face da Terra. Agora broxe. Com x ou ch, tanto faz. A ideia é a mesma. Ou não? Broxar ou brochar, eis a questão. Agora dá licença que vou ali tomar no cu. Figuradamente. Não literalmente, porque no meu ninguém mexe. Ninguém, veja bem.
Você riu? Eu não. Vai ver a ideia não era a mesma.

 

PS: É nessas horas que eu percebo o quanto as pessoas que me cercam me amam. Porque, oi? Como minha irmã costuma dizer, só amando muito pra aguentar.