Distância

É. A distância faz coisas comigo. Com você. Nós.

Estava indo deitar, quando um pensamento tomou conta de mim: estou te procurando onde você não está. MSN? De onde você está, não dá. Mais cedo te procurei no meu celular, em uma mensagem que chegou… e nem era sua. Aliás, te procurei nele também. Várias vezes. É óbvio que não te achei. E nem vou te achar… o pior é que eu insisto em tentar te achar ali.
Não adianta eu me entupir de chocolate. Goiabada. Doce. Já disse que, há algum tempo, tenho desejos loucos e súbitos de comer doce, até me entupir? Outro dia devo ter comido uns 200g de goiabada de uma vez só. Mas não adianta. Não vou te achar ali. Já me peguei tentando te achar debaixo das minhas cobertas, enquanto eu sentia frio. Ou calor. Abri a geladeira procurando algo para comer, mas depois de estar parada olhando para as prateleiras por uns minutos, resolvi fechar a porta. Economizar energia, né? Biscoito? Pão? O que eu quero comer não existe. Até porque isso não é fome. Não mesmo. Pelo menos não é fome de comida. Já tentei te achar na tela do computador. Mesmo sem estar conectada à nada. Nas entrelinhas do que ando lendo. Em e-mail’s antigos… quem sabe chegou algum novo? Em quem está aqui; nas calçadas antigas de Mariana. No ar. Em sorrisos alheios. Mas aí, logo agora, antes de eu ir me deitar, fiquei feliz. Porque eu te achei. Bem aqui, nesse lugar de sempre. Dentro do que fui, sou, e ainda vou ser.

Você bem sabe

Discordo. A relação existe. Sempre existiu. Sim, ainda falta uma grande parte do real, físico e mais aquilo tudo, mas os sentimentos todos estão aqui. Aí. Me distraindo além da conta, me fazendo rir sozinha. Me fazendo sentir sozinha. Você bem sabe. Meus sentimentos são livres para chegarem até aí, até onde você quiser. Vem aqui me ver? Só pra eu poder te abraçar amar querer desejar chorar odiar amar. Sentir isso tudo de longe me faz sentir pesada. Até errada. Sabe, o drama contido aqui foi culpa de Camões. Dele e dos versos recitados por minha professora. Os Lusíadas são uma batalha… no mar. Mas aquele mar não era de sentimentos. E não há deuses me auxiliando. Parei com a poética. Ontem eu estava morrida. Sabe? De matada. Meu braço ainda dói. Bastante. Culpa daquela vacina. Levantei da cama pra vir pra aula, mas meu corpo estava pesando uma tonelada… e meia. Me arrastei até o banheiro, voltei, deitei e dormi de novo. Não sonhei com você. Aliás, não me lembro com o que sonhei. Deve ter sido algo fantástico. Meu segundo sono sempre me traz sonhos fantásticos. Nem sempre no bom sentido. Mas esse resto todo é bem real. Você bem sabe.
E agora tudo ficou sem graça. Isso aqui. E os anteriores… é, de longe eu tendo a me sentir idiota, mesmo que não seja. Só sei que não importa o quanto o curso das coisas e sentimentos mude, rivers always reach the sea… já cantava o tio Plant.

Sim, eu sumi. Falta de internet, paciência e tempo. Aparecerei em seus respectivos blogs na medida do possível.

Ele* não

Descrições físicas acabarão transformando isso num romance. Ou no esboço de um. Que seja.
O sol brilha e esquenta seu corpo nesse dia frio. Mas seus dias preferidos são aqueles chuvosos e nublados. Pensar nele muitas vezes implica melancolia. Um dia tedioso, chuvoso e nublado é um convite a acender um cigarro. Eu sou mais sentir a brisa do mar e tomar um vinho tinto seco… bebe comigo? Uma taça que seja. Brindemos à sua proeza do não sentir.
Bebidas doces me enjoam só pelo cheiro.

Ele não é doce.
Ele não gosta.
Não ama e não sente. Dizem.

Ele é? Ele é. Ainda faltam algumas etapas até eu chegar na essência.
Ele é Pink Floyd. Malibu? Cigarros.
Ele é ácido… às vezes amargo.
Ele é hueirg e me faz sentir coisas.

Mas de que importa?
Ele não liga e não quer saber.

 

And if I show you my dark side,
come meet me at the dark side of the moon.

Texto escrito em 21 de Maio. Após uma conversa sobre escrever um livro sobre ele, perguntei se um texto bastaria por hora, e a resposta foi sim. Alguns dias depois, estava no ICHS estudando e, após ler Machado de Assis, saiu isso. Mais amor que o anterior. Ou não.

 

*Originalmente, ‘Ele’ é o nome do ser. Ele até o publicou em seu brogue (oh! emoção), mas prefiro não colocar seu nome em jogo. Ainda.

hruhjd

Viemos subindo pra cá e minha amiga-amore ia pegar o ônibus naquele ponto. Opa! Ele não para aqui… sem problemas, Carol. Eu desço de novo, tem muita gente na rua ainda.
Continuei o caminho pra casa sozinha. Minhas anteninhas apitaram: Carolina, já é quase meia-noite, você vai mesmo subir pra casa sozinha? Aquele pedaço ali é meio escuro e você não vai encontrar ninguém andando na rua. E quem disse que quero encontrar alguém? Quem eu quero está longe, muito longe. Não vai aparecer aqui no meio da rua. Além do mais, tô a dois quarteirões de casa, vou pegar um taxi? Nem morta, a grana está curtíssima. E o que pode acontecer? Nada, não vai acontecer nada. Não hoje. Subo a rua rapidamente, sempre olhando pra trás. É claro, eu tenho medo da morte. Ou qualquer coisa do tipo. Não vejo ninguém, nem o policial que sempre faz a ronda noturna por aqui… ando mais rápido. Sinto o vento frio no meu rosto. Meu coração dispara. É emocionante saber que estou sozinha na rua, completamente vulnerável… minha adrenalina subiu (ou desceu?) legal, adorei aquela sensação de euforia. Cheguei em casa sentindo calor. Muito calor. Efeito da adrenalina.
Uai filha, seu rosto tá vermelho! Como você voltou pra casa?
Ah, foi o blush que peguei emprestado. E voltei sozinha, andando.
Esperava algum tipo de sermão, mas nem ouvi nada. Menos mal.
Agora são quase 3h da manhã. Estou com um pouco de frio há algum tempo, mas sabe-se lá por que diabos ainda não fui buscar uma blusa pra mim. E meus pés estão gelados.
E o cheiro de maconha que ainda não saiu do meu nariz. Às vezes paro pra pensar se se eu fumasse as coisas seriam mais fáceis. Beber lá eu não pude, digo, não quis. Bebi muito vinho lá no sítio, tive dor de cabeça o dia todo. O cara que eu peguei em Arraial d’Ajuda. Nem era lindo, mas puta merda, quanto charme em uma pessoa só. E aquele outro lá? Mais enrolado, impossível. Nem apareceu. Mas ele é tão diliça. Ah! se eu fosse um pouquinho mais cara de pau… só um pouquinho mesmo.
E essa maconha impregnada no meu nariz? Vai ver era porque eu deveria ter fumado, não cheirado a fumaça alheia… sua lerda!

 

There is no dark side of the moon, really.
Matter of fact, it’s all dark.


* Boiou? Então leia o post anterior para os devidos esclarecimentos (y)
Ou não.

A espera pelo que não vem

Depois de muito tempo vindo pra BH e não conseguindo sair, hoje finalmente consegui. Baladinha com amiga-amore. Adouro. Me arrumei básica, de cara totalmente limpa… meu lápis de olho e sombra que uso sempre desapareceram, então só passei um batom mais bonito.
Chego lá, encontro com a amiga-amore e vamos dar alguma voltas. O ambiente é de pessoas mais, digamos, alternativas, bem como gosto. Sempre desconfio desse povo engomadinho demais, roupas chiques e cabelos com gelzinho. Camisetas mamãe-tô-forte. Tudo muito mimimi. Prefiro os mais espontâneos… a maconha em excesso é dispensável, mas essa parte a gente abstrai. Digo, eu abstraio – na medida do possível. Enfim, colocamos as fofocas em dia e ele surge no meio do papo. Basicamente. Inevitavelmente. Pra variar… olho em volta, vejo caras interessantes, uns bem bonitos, outros alternativos demais, alguns no estilo mamãe-tô-forte, outros totalmente pega-eu e afins. Quero aquele ali. Amiga, vamos dar uma volta ali ó? Ele é tão lindo, acho que dá até pra casar, olha só. Que mentira. Quem eu quero não está aqui. Está longe. Bem longe.
Desejo o tempo todo que você surja ali no meio da multidão. Penso tanto e desejo mais ainda te ver ali no meio que só volto pra realidade com minha amiga me xingando: “sua lerda, tem meia-hora que tô te mostrando aquele cara de preto que tá passando aqui ó, lindo!” Oi, de preto… onde? Nem vi. Aliás, você fica lindo de preto. Principalmente quando sorri, o contraste com seus dentes lindos. Já disse que você fica lindo quando sorri? Pois é, fica. Deveria fazer isso com mais frequência. Tirar essas duas ruguinhas da sua testa, mostrando constante descontentamento com a vida. Qual o problema? Me dá aqui que eu resolvo. Gosto tanto de você que resolvo os meus problemas e os seus. Te amo tanto que quero entrar ai e não sair por um bom tempo, só pra ver se as coisas ficam mais claras. Ai dentro parece ser confortável. Aqui dentro de mim é pura emoção, por mais que pareça o contrário. Ai dentro de você deve ser escuro, mas tenho a nítida sensação de que vou me sentir absurdamente confortável e segura. Como naquela última noite em que você me abraçou. Tão lindo. Foi um momento lindo e emocionante, daqueles de filme… nós dois abraçados na porta da sua casa, você todo carinhoso. E aquele beijo. Há quanto tempo foi isso? Dois anos e alguns meses… não importa.
Você já me disse mais de uma vez para não esperar pelo que não vem, mas não adianta. Eu não consigo. Isso que eu sinto por você foge do meu controle. Vira e mexe me pego olhando pro nada, pra longe, vendo se te acho perdido por ai… tá procurando o que, Carol? Ah oi… nada. Um nada que é tudo, sabe como? Não? Então se mate.
Amiga, acho que hoje isso aqui não vai dar em nada. Até vi aquele cara que peguei lá em Arraial d’Ajuda ali, mas ele sumiu… e nem deve se lembrar de mim. E aquele outro que ficou de aparecer, mas nem vi. Quem sabe um dia. Tudo possibilidades de uma coisa que não vem.
Mas você há de vir. Eu hei de ter você, nem que seja por uma noite… só pra eu colocar tudo o que tenho aqui, ai dentro. Mesmo que você me odeie, me jogue barranco abaixo e diga que nunca mais quer me ver, eu hei de tirar isso tudo daqui. Eu preciso e você tem o direito de saber.
Eu, você e os seus gatos.
I’ll see you on the dark side of the moon.