Por que vocês leem?

2 de junho de 2012
Ah, não sabem ao certo. Certo? Pois então eu ajudo.
Vocês leem porque precisam saber. Saber que aí dentro batem sentimentos parecidos com os que circulam aqui dentro. Precisam saber que a desorganização não é só de vocês. Talvez leiam simplesmente para se sentirem confortáveis, para acharem que são melhores, que não sentem nada disso. Eu, sentir isso? Imagine só! Tudo bem. Ler sobre a dor do outro é sempre confortante. Tudo bem. Não estou sozinho nessa, respiramos aliviados. Eu sei de mim que sempre li para não me sentir sozinha. Mesmo que eu lesse sozinha, sempre tinha alguém me contando que estava ali, que esteve ali um dia, sentindo.
E talvez esse seja o real motivo de eu querer continuar a escrever: saber que, mesmo comigo mesma, só, eu não estou sozinha.
12 de junho de 2016
Ainda é assim? Sim.
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Cenoura

Há algum tempo venho achando que não sei mais escrever. Já perdi as contas de quantas vezes abri a página para uma nova postagem e fiquei lá, observando o cursor piscando na tela, enquanto uma palavra ou outra piscava aqui na minha mente e vez em quando saltava para a tela. Aí agora à noite lembrei de cenoura e me deu uma vontade enorme de comer uma. Urgente. Como se essa cenoura fosse a solução para tudo que me incomoda agora. A defesa pública de minha monografia, a ansiedade querendo me consumir, o que vou fazer dali para frente, se largo tudo e vou ser voluntária em outro planeta.
Oi.
Assim que comecei a digitar esse texto, queria escrever sobre a catarse que vivi. O texto era lindo aqui dentro. Mas aí me levantei. E agora estou aqui, já babei no teclado e estou com um pedaço de cenoura entre os dentes.
Adeus.
Hoje, eu nunca mais vou escrever.

Daquilo que é…

Há tempos venho sonhando com o dia em que não praticarei mais a arte do auto-suborno. O dia em que voltarei a sentir coisas e sentar correndo para escrever sobre elas, sem cortes. Ando me cortando além da conta. Sentir, organizar, escrever, transbordar. Sinto falta daquilo tudo. Sinto falta das palavras que simplesmente saíam, jorravam e acabavam escritas, sem muito filtro ou censura. Sinto falta de um eu-que-não-era, mas sinto mais falta ainda do eu-que-ainda-estou me-tornando e que na verdade sempre fui.

Não gosto quando poetiso
Nunca gostei.

Esperançar

Há tempos que não sento para escrever, não porque eu não tenha sobre o que discorrer, mas apenas porque não quero. Aliás, quero, mas quero escrever diferente. Quero pegar a caneta ou o lápis e gravar minhas palavras nas folhas de um diário que ainda não comecei. Quero escrever só para mim mesma, quero ficar aqui comigo, no conforto desse sentimento que aquece meu peito. Certa vontade de me trancar aqui dentro foi grande, mas o sentimento é tão puro e simples que me invade e sai por todos os meus poros. Meu sangue grita dizendo para eu sair e começar a viver tudo o que há aqui dentro lá fora. Sair de mim. Sair para a vida.
Hoje mesmo, enquanto lia as notícias de que estava tudo bem, de que a viagem havia sido tranquila, senti como se meu coração quisesse sair do meu peito e ir bater na tela, bater aí, quase flutuei. Se existisse teletransporte, com certeza eu teria me desintegrado e teria ido parar aí todinha ao seu lado.
Mas não adianta só escrever. Pela primeira vez na vida, eu tenho aqui dentro do meu peito, dentro de cada pedacinho do meu corpo, um sentimento que pede para que eu saia, viva, porque estou viva. Pela primeira vez na vida estou realmente vivendo um sentimento, e ele é calmo, não há desespero, só há paz. Mas é preciso esperar. Ter esperança, do verbo esperançar. Como era mesmo a frase? Não importa. O que importa é que esperançar não é sentar e esperar que algo de bom aconteça, e sim levantar e lutar para que o que há de bom chegue. A luta não pode parar. Parar de lutar não é opção.
Sim, às vezes eu ainda sento e espero. Porque às vezes é necessário, pra retomar o fôlego.
Mas sigo em frente. Esperançando.

Desamizade colorida

Ou, simplesmente, da crônica que não aconteceu.

Oi.

Acordei, mais uma vez, como sempre em dias de semana, com minha irmã saindo de casa. Preguiça, pensei. Quase nove da manhã, fui dormir já era quase quatro. Vou voltar a dormir. E então uma coisa começou a me incomodar. Muito. Me lembrei das cenas do filme de ontem. Amizade Colorida. Fofo. Um texto. Ah, o incômodo era esse: um texto querendo sair. Comecei a escrever mentalmente. Preguiça. Comecei a destruí-lo mentalmente, assim como faço com vários textos. Mas calma, esse precisa sair. Vamos lá.
Então, a amizade colorida dos dois mostra que uma relação dá certo quando os dois estão ali, inteiros. Com seus erros estampados em seus rostos, pra todo mundo ver. Não, espera. Ah, é, acho que todo mundo merece uma amizade colorida, em todos os campos da vida. Depois do almoço eu vou… não, será que meu pequetito tá online? Não. O que tem de bom no twitter? Nada, Carolina. Ah, a personagem da Mila Kunis, toda ela, fucked up, mostrando que a vida não deixa ninguém sair ileso ou normal das pancadas que  a vida nos dá; e que isso é normal. Gente, vamos viver mais leves. Cale a boca, estou tentando desenvolver meu raciocínio, o texto que estava aí mais cedo. Eu sei que você se lembra, era lindo, sobre como todos devemos ter pessoas autênticas em nossas vidas. Amizade boa, sem repressões, sexo sem grilos. Cri cri cri.
Oi. Gente, eu juro que tentei. Há dias venho querendo escrever crônicas e hoje eu tinha uma linda na minha cabeça, inclusive escrevi um parágrafo longo ali no meio, mas ele não era nada do que eu queria. Foi só eu levantar da cama, comer, vir aqui, começar a escrever, que meu cérebro começou:
Maroto. Me ama intensamente.

Eu já devia ter imaginado que seria assim, pois a cena do filme que ficava martelando na minha cabeça desde que acordei era exatamente essa da imagem. Pf. Pelo menos eu tentei.