Back on The Road

Eis o nome da turnê mundial do Aerosmith. Surpreendendo a todos os fãs, a banda resolveu dar as caras no Brasil novamente. Ano passado eu estava e, como disse, queria mais um show. E de pista premium. Foi assim que fui. Feliz, saí daqui na noite do dia 29/10, de excursão, como fiz no ano passado. Opção cansativa, mas era a que cabia no meu bolso. E acaba sendo divertido, pois todos ali estão na empolgação e expectativa e dá pra dividir a ansiedade. Na verdade eu nem estava ligando muito para o fato de que mais uma vez ia para um show do tio bocudo e sua trupe. Sei lá, comprei o ingresso em maio (ou foi junho?), e de lá pra cá aconteceu tanta coisa… a ansiedade só bateu de verdade pouco antes de eu embarcar no busão e partir pra Sampa. Tanto que veio a notícia do tombo do Steven no banheiro do hotel no Paraguai, o adiamento do show de lá, e eu só ri daquela cara roxa e sem um dente. Nem liguei. Tadinho. Mas vamos ao que interessa.

Dia 30 de outubro
Entrei na Arena Anhembi por volta de 15:30h, meio protestando, depois de ficar mais de uma hora na fila. As meninas que estavam comigo queriam pegar um lugar bom, mas eu disse pra elas que como estávamos na pista premium não precisávamos nos preocupar com isso, que ia ser tranquilo. Enfim. Fui com elas porque não queria ficar sozinha. E olha, valeu a pena. Fiquei GRUDADA naquela passarela, que não devia ter mais de 1,60m de altura. Senti meu coração na boca quando os roadies subiram lá pra poder verificar os equipamentos e coisa e tal, e percebi o quão perto estaria do tio Tyler, tio Perry e o resto da banda logo mais. Senti um certo desespero ao pensar que teria de esperar até as 20h para poder assistir ao show. Desespero que se misturava com a euforia de estar TÃO perto do palco. Esqueci até que tive meu celular roubado no banheiro do shopping, enquanto me arrumava pra ir pro Anhembi. Tinha um roadie simpático rodando por lá, com uma camiseta escrito CAROLINA, achei digno. Pena que não registrei aquele moço simpático. A chuva não tardou a cair, e depois ele só apareceu com um agasalho por cima da blusa que levava o meu nome. Ah sim, teve a chuva, como mais um agravante daquela longa espera. Felizmente eu tinha uma capa de chuva, assim como a maior parte das pessoas, o que salvou tudo. Quando foi chegando perto de anoitecer, o vento frio deixou as coisas meio tensas. Olhei pra um menino todo molhado, que tremia sem parar e estava com os lábios roxos, e senti dó. Só não ofereci minha capa pra ele porque não queria ficar naquela situação. Vejam que coisa. Chuva despencando aqui e ali, garoa, sequei. Até que choveu de novo. E, finalmente, anoiteceu. Já eram quase 20h e eu havia me sentado por, no máximo, uns 15 minutos durante aquelas mais de quatro horas de espera. Foi aí que pensei: é agora. Chega 2012, mas não chega a hora de a banda subir no palco. 20h. Nada. Apenas músicas aleatórias tocando. Alguns rocks, após horas de música nada a ver. A cada música que terminava, vinha a expectativa. Ainda mais depois que aquela cortina gigante desceu pra tampar o palco. Eu gritava, esguelava, todos protestavam, e nada. Até que, depois de longos quase vinte minutos, começa A Cavalgada das Valquírias, de Wagner. Uma das minhas músicas clássicas favoritas de todos os tempos, diga-se de passagem. Foi aí que pensei: É AGORA! E era… A cortina gigante caiu. Alguns vídeos aleatórios da banda começaram a ser exibidos nos telões. Desespero. CADÊ a banda? Não vai subir nesse palco nunca mais. SEUS PUTO. Sério, eu já não tinha mais forças pra gritar. Sentia vontade de rir chorar ssjdksfldg. AÍ, aos poucos, os integrantes da banda foram se juntando no telão:

MORRI. ELES ESTÃO ALIIIIIIIIIIIII, CAPETA! Mas não. Era só uma imagem gravada. Vejo Joey Kramer sentado em sua bateria, quietinho. A Cavalgada continuava tocando. BANDIPUTO. Eu vou morrer, tinha certeza disso. Meu coração batia tão rápido que mal podia senti-lo aqui dentro do peito. Até que: tcharaaaaaaaaammmmm! Lá estavam Steven Tyler e Joe Perry, subindo por uma escada lateral do palco, que dava pra passarela. Ali estavam eles, gloriosos, a poucos metros de mim. PUTAQUEPARIU, foi aí que tive certeza que meu coração não estava mais batendo dentro do meu peito. Ele tinha pulado e estava batendo ali, na cara daqueles dois. Draw The Line tocava. Eu sempre me embolo nessa letra, então o que saía da minha boca eram gritos e algo como sajdkshjdkhsdjkkkfh. Beautiful. Depois que a banda entrou no palco, entrei numa vibe que me dominou o resto do show. Era um misto de euforia, alegria e estupefação (!?) por estar TÃO perto de caras que marcam minha vida desde 1997. Passei o show inteiro com um nó na garganta, tinha ataques de riso e, por várias vezes, enquando via algum deles vindo pra passarela, sentia meus olhos mareados e a vista ficar embaçada. Só conseguia pensar que nunca mais nessa vida vou em show de banda que amo sem ser na pista premium. Vale cada centavo. Mesmo que em certos momentos eu ficasse meio apertada e sem como me mexer. Mesmo quando levantei os braços pra cantar empolgadamente e não consegui mais descê-los por umas duas ou três músicas seguidas. Mesmo quando fiquei na ponta dos pés e, quando resolvi descer, percebi que não conseguia colocar o pé inteiro no chão. Perdoei até aquele filho-da-puta-que-perdeu-a-mãe-na-zona que me deu uma cotovelada irritadinho porque não conseguia levantar o braço e eu filmava a Dream On. Cagou com meu vídeo e minha vontade de filmar. Aliás, fiz mais videozinhos do que tirei fotos. Mal pude acreditar quando ouvi os primeiros acordes de I Don’t Want to Miss a Thing – dá pra ouvir meus “noooooooooossa, não acredito”, e minha voz meio desafinada cantando no vídeo que fiz desse momento. E o resto da Arena Anhembi cantando a música com o tio Tyler. E a chuva caía. Também teve o solo do Joey Kramer… DIGNO. Jamais vou esquecer aquela carinha de felicidade dele quando todos começaram a gritar: “Joey, Joey…” coisa linda aquela emoção estampada no rosto dele. E bem digo que essa foi outra hora que meu coração pulou e ficou batendo ali, nas batidas de sua bateria. Eis aqui uma foto linda que tirei desse momento:

Sim, é minha. Coisas que a pista premium te proporciona. Se eu tivesse uma câmera melhor, teria tirado fotos perfeitas e feito vídeos mais perfeitos ainda. ENFIM. Tenho uma simpatia ENORME pelo tio Kramer, sério. Sempre tive. Assim como pelo Tom Hamilton. Consegui fazer uns dois vídeos bem legais dele, pois ele ficou parado bem em frente de onde eu estava. Dá pra ouvir meus gritos pra ele. Heh. Simpático. Tentei tirar fotos e fazer vídeos de um ângulo bom do Joe Perry, mas ele insistiu em ficar de costas pra mim. E não abriu um sorriso sequer durante o show. Típico dele. O contraste da cara de mau-que-nem-o-pica-pau com a simpatia do tio Tyler. E a chuva seguia caindo. Os clássicos foram vários: Amazing, Cryin’, Last Child, Mama Kin, Jane’s Got a Gun, Same Old Song And Dance, Sweet Emotion… e por aí. Algumas repetidas do ano passado. Lembrei várias vezes do namorado. E o tempo inteiro quis que minha irmã estivesse ali comigo, afinal de contas Aerosmith fez e faz parte de nossas vidas juntas. Depois de quase duas horas de show, eles se despediram. A clássica. Estava exausta, exaurida e extasiada. Voltei pra casa com a certeza de que ainda vou em outros shows. Mas que fogo no rabo, hein! ouvi esses dias após anunciar que se eles vierem de novo, irei com certeza ao show. Não posso morrer sem dar um abraço em cada um deles, agradecendo por tudo o que me fazem sentir.

Sobre o (meu) Rock in Rio

EU FUI!
Não, nem quero tirar onda. É que meu coração bateu mais forte vendo os relatos de quem estava lá. Só quero escrever sobre como foi minha experiência com essa coisa toda. Só que a minha foi em 2001.
21 de janeiro de 2001, com 16 anos, lá estava eu no último dia do festival e no meio de cerca de 250 mil pessoas, aguardando ansiosamente pelo show do meu querido (e agora, falecido) Silverchair. Nesse dia também teve Red Hot Chili Peppers… e outros. Ah, não me lembro muito bem. Ah sim, teve o tal do Deftones. Show chaaaaato. Me lembro que deitei na grama pra descansar, enquanto o vocalista fazia macaquices pra chamar a atenção público, que não estava lá muito receptivo. Depois rolou um pedido de desculpas por parte dele. Acho que também rolou Capital Inicial. A mesmice de sempre. E aí galeraaaaaaa, do caralhooooooooo.

AH! Já disse que fui com minha mãe? Não, né. Pois é. Eu tinha meus 16 anos, minha irmã só tinha 14, então foi aquela coisa. E normalmente não me importo de sair acompanhada de minha mãe, mas em alguns lugares não dá muito certo. Vejam bem. Em shows de bandas que me tiram do corpo, gosto de estar sozinha, porque posso pirar lá sem que fiquem me olhando com cara de: “minha filha, mas precisa disso tudo?” Ok. Até porque minha mãe nunca foi de reprimir esses momentos de loucura em um show, ela também curte bastante. Só que assim: estávamos no RIR, no meio de mais de 200 mil pessoas. É gente PRA CARALHO. Só estando lá no meio pra ter noção da coisa. Você olha pra um lado, gente. Pro outro, gente. Na frente e atrás, gente. E assim, ir pra um festival desse tamanho, sendo a única na galera que estava com você querendo assistir ao show do Silverchair, não dá muito certo. Lembro que perdi a conta de quantas vezes pedi ao meu primo e irmã para irmos caminhando lá pra frente, porque eu queria conseguir enxergar o palco e quem estava lá em cima. Era fã dos caras desde 1996, queria aproveitar aquela oportunidade de qualquer maneira e nem queria assistir ao show todo pelo telão. Mas era só eu, né? Não adiantou de muita coisa. E eu estava com medo de me perder de todo mundo, ou seja… lembro que ainda estava bem lá atrás quando as luzes do Palco Mundo se apagaram. GENTE, vamo sair daqui logo que o show vai começar! Saí em disparada, de mãos dadas com minha irmã, que puxava minha mãe e enfim. Comecei a ouvir os primeiros acordes do baixo de Chris Joannou na Israel’s Son e PIREI. O palco estava lá na puta que pariu e eu estava perdendo o show. Passei a música inteira pulando e andando, desesperada. Ainda bem que nessas horas não aparece nenhuma câmera oculta pra filmar a gente, porque olha. Não me lembro de quanto tempo fiquei andando/pulando no meio daquela multidão. Parei algumas vezes pra curtir uma música ou outra. Me lembro da Emotion Sickness. Paint Pastel Princess. As piadinhas sem graça do Daniel Johns e ele pedindo pra gente apaludir o Ronaldo Fenômeno, pois eles eram amigos. Ok. Anthem For the Year 2000. E a roupa prateada brilhante do Daniel. Até que cheguei em um ponto que conseguia enxergar um pouco melhor a banda no palco. Foi quando tocaram a Freak… música que encerrou a participação deles no festival. Eu pulando freneticamente, cantando até perder a voz… é, foi a única hora que me entreguei totalmente ao show, sem medo de ser feliz. Sim, na última música. Ou, simplesmente, sem estar preocupada se ia conseguir enxergar o palco. Fora que o show só teve uma hora de duração. Fiquei putíssima. (Felizmente, a banda deu as caras no Brasil em 2003 novamente, e pude curtir um show digníssimo em BH).
Daí veio o show do Chili Peppers. O mais esperado pela galera. Ok, vou curtir. Pensei. Só pensei. Minha irmã surtou e fugiu lá pra frente pra assistir tudo longe da minha mãe e sumiu. É, sumiu. E quem aguentou o desespero da véia? Moi. Sinceramente, eu queria morrer. Sumir também. Até que conseguimos enxergar minha irmã, e saí em disparada em direção à única árvore que havia dentro da Cidade do Rock. Seca, coitada. Era o ponto de encontro do meu primo. E de todo mundo que estava lá dentro. E sim, por incrível que pareça, dava certo de todo mundo se encontrar ali, sem empurrões nem nada. Econtrei meu primo lá, inclusive. Sentei ali, e, de cara emburrada, só ouvia o público e a banda no palco. Os fogos de artifício. Fim.

Os pontos negativos foram vários, mas não me arrependo de nada. Me arrepio só de lembrar que estava aqui, no meio dessa confusão toda. O festival em si é delirante. Jamais vou me esquecer daquela música que todo munda cantava, e que eu nunca tinha ouvido na vida, quando entrei na Cidade do Rock: e um jeitinho de falar que me piroooooou, que me pirou o cabeção. E nem da versão cômica que criaram pra Californication, da qual só me lembro da: eu sinto mas eu não me queixoooooooooo. Mas é claro que eu queria (e muito!) ter participado de outros dias do festival. O dia do Guns N’ Roses. E o do Foo Fighters. Nem foi tanto por questão de preço de ingresso (me invejem: paguei R$25 de meia-entrada pra um dia… o que 10 anos não fazem), mas sim de mãe e mimimi’s afins. Quando vi os anúncios pra edição que está acontecendo nesse ano, nem me empolguei muito. Até porque pra me fazer passar por essa exaustão que a maratona de shows causa, só mesmo um Foo Fighters, claro. Ou AC/DC. Mas esses aí, prefiro conferir em um show individual.

"Cocked, locked and ready to rock!"


I’m back in the saddle again
I’m baaaaaaaaaaaaaaack

29 de maio de 2010
Finalmente realizei meu sonho de ir em um show do Sr. Bocudo e sua trupe. Esperava por isso há 13 anos. Imaginem minha felicidade de fã. Pois é, isso aqui vai ser longo. MUITO longo.
Acabei optando por ir de excursão já que ia sair de BH completamente sozinha. Até aí, tudo lindo. Só que, no dia 27 à noite, me ligam pra avisar que haviam cancelado a excursão. PUTAQUEPARIUVOCÊTÁMEZUANDOISSONÃOTÁACONTECENDO foi o que se passou pela minha cabeça enquanto ouvia as devidas explicações. Eu nem podia mandá-lo tomar no olho do cu por estar cancelando tudo em cima da hora, pois estava dentro do carro com uma professora minha e mais outras alunas, vindo pra BH. Fiz cara de paisagem e respirei fundo, tentando não surtar de vez. Como é que eu ia conseguir outra excursão em cima da hora assim, capeta? Até que veio a boa notícia: ele havia conseguido outra excursão pra mim, com um amigo dele. Beleza. Algumas ligações depois, e mais algum stress, lá estava eu dentro do ônibus, na madrugada do dia 28 para o 29, indo para São Paulo. Acabei encontrando um colega de escola e me enturmei com mais algumas pessoas. Colocaram um DVD do Aerosmith (não, do Calypso) pra rolar, que deu pau logo nas primeiras músicas e travou todo. Tudo lindo e amor.
Chegamos em Sampa por volta de 10h da manhã; reconheci aquele cheiro bonito do meu caro amigo Tietê. Ah! que saudade de São Paulo. Seguimos até o Palestra Itália/Parque Antárctica whateveryoucallit, mas o motorista do busão me fez o favor de se perder, e só descemos do busão por volta de meio-dia. O dia estava bastante quente e tinha sol, o que foi inesperado. Eu já fui esperando chuva e frio. Almoçamos no shopping e logo depois seguimos pra fila da pista comum, que já estava andando.
Entramos no estádio por volta de 17h. Pirei. Eu ia poder ver o palco numa boa, mesmo tendo a pista premium na minha frente. Eu estava extremamente ansiosa, não parava de falar, ria de tudo. Puta que pariu, gente! Vocês têm noção que daqui a algumas horas o AEROSMITH vai subir nesse palco? E todo mundo pirava. É bom ter gente pra pirar junto. Mas mesmo assim minha ficha ainda não tinha caído de verdade. Pois é. Isso costuma acontecer quando sabemos que algo de extraordinário está pra acontecer. Tudo bem, sem enrolação, vamos logo ao que interessa. Só peço um espacinho pra falar da banda de abertura: Cachorro Grande, que logo virou Big Dog. PUTAQUEOPARIU, vão ser ruins assim lá na puta que pariu. Fiquei puta imaginando que, em 2007, eu estaria vendo ninguém mais ninguém menos que o meu querido Slash ao vivo e em cores. Enfim. O show do Big Dog durou uns 40 minutos, mas pra mim levou 40 horas. Tchau meus filhos, voltem lá pro sul.
Musiquinha pra lá e pra cá, troca de instrumentos, chegava o dia de hoje, mas não dava 21:30h, que era a hora marcada para o tio Tyler entrar no palco com seus gritinhos. Enquanto isso eu ia ficando na ponta do pé pra ter uma visão boa do palco, enquanto vários cabeções insistiam em ficar bem na minha frente. Faz parte de um show com mais de 30 mil pessoas. Enfim. Instrumentos prontos, desce a bandeirona com um AEROSMITH cravado lá no meio, cobrindo o palco inteiro. Todos pulando e gritando enloquecidamente. A única foto que tirei do momento saiu toda embaçada, eu tremia mais que bambu no vento e não conseguia raciocinar direito. Enquanto isso, musiquinha do Bob Dylan rolando: everybody must get stoned. Divertida, a cara do tio Tyler. A música acabou. Tá, cadê o Aerosmith, porra? Eis aqui um vídeo da abertura do show, já dá pra sentir o desespero da galera. Todo mundo gritava freneticamente. E comecei a identificar as batidinhas da Eat The Rich. AISENHORDESCEAPORRADABADEIRALOGO. Eles já subiram no palco? Todas as luzes se acendem e vem aquela inconfundível voz: São Paulo, are you ready? PUTAQUEPARIUÉOSTEVENEUVOUMORRER One, two, three, FOUR! E a porra da bandeira não caiu! Levou mais alguns intermináveis segundos… e quando caiu, eu só via braços e cabeças, mas mesmo assim eu ainda sentia que ia morrer. Porque PUTAQUEPARIUEUESTOUNUMSHOWDOAEROSMITH. E daí pra frente foi só alegria… lutei contra os cabeções freneticamente, ficava na ponta dos pés, quando isso não funcionava ia pelo telão mesmo. Gritava, pulava e cantava ao mesmo tempo; quando parava, tinha uma vontade imensa de chorar, mas a euforia era maior. Daí chegou o momento mágico do show pra mim: Dream On. Agora eu morro, era a única coisa que eu conseguia pensar, enquanto tentava enxergar o palco. Meus pés ardiam, estava um pouco sem forças, comecei a me desesperar. E aí, meu caro colega de excursão, vendo meu desespero, me salva: quer subir no meu ombro? Amei aquele menino pro resto da minha vida até aquele momento. Juro. Subi no ombro dele, enxerguei o palco inteirinho e lindo, o tio Tyler lá na passarela todo lindão… e eu cantando e gritando freneticamente; vi que algumas pessoas ao meu redor me observavam meio assustadas, mas fiquei lá: louca e descabelada, me engasgando com a letra da música e a vontade de chorar. De vez em quando meu colega agarrava minhas pernas com medo de eu cair, até porque ele estava bem empolgado lá embaixo, dava até alguns pulinhos. Desci enquanto faltavam alguns segundos pra música acabar e agradeci eternamente ao meu querido colega. Sério, ele não faz ideia de como fui feliz ali em cima por aqueles poucos minutos. Não, não consegui tirar fotos daquele momento. Pensei em pegar minha câmera no bolso umas 3 vezes, mas só tinha forças pra cantar e gritar. O resto do show correu bem. E tio Perry fez um solo bem louco de guitarra, brincando com o jogo deles do Guitar Hero. Filmei um pedaço do momento, mas saiu tudo embaçado, novamente. Tocaram músicas totalmente inesperadas para mim: Back In The Saddle, Kings & Queens, Toys In The Attic, Lord Of The Thighs – antigonas, lá dos anos 70, que, vamos combinar, é o melhor do Aerosmith. Amo as baladas, mas dispenso todas pelo rock and roll excelente, mas desconhecido no Brasil, que fazem. Enfim, só sei que quero mais. Na próxima vez, de Pista Premium!

Axl Rose e companhia

Isso aqui vai ser longo. É. Muito longo. E antes que você reclame, o blog é meu e eu falo e escrevo o quanto eu quiser. Um beijo. Agora pegue um café ou qualquer bebida que te agrade e sente a bunda aí pra ler. E seja feliz. Ou não.

Daí que eu fui no show do atual Guns N’ Roses aqui, nesta última 4ª feira. Pois é. Desde que soube que eles viriam pra BH, decidi que não perderia a oportunidade de ver o Axl Rose ao vivo. Ele foi um ícone durante toda a minha adolescência (e da minha irmã também) e coisa e tal. Eu não estava ansiosa, nada do tipo. Afinal de contas, virei fã da banda uns 3 anos depois que ela já tinha morrido de vez, então não criei expectativas. Sabia de todas as limitações do Axl, que a voz dele já não é a mesma, e que ele não é mais aquilo tudo há muitos anos. Vide Rock in Rio 3. Show, aliás, que fiquei muito triste em ter perdido. Enfim, eu sempre soube que nunca veria o Guns do qual sou fã em um palco. Que eu teria de me conformar a assistir shows antigos e ouvir o Live Era 89-93; e apenas imaginar o que seria ver e ouvir a Estranged tocada ao vivo pelo meu querido Slash, e morrer feliz depois de ter orgasmos múltiplos com todos aqueles riffs que arrepiam até os cabelos que não tenho.
Ah sim, o show. Pra chegar ao Mineirinho, enfrentamos nada menos que duas angustiantes horas de um belo trânsito. Fiquei irritadíssima, mas enfim. Chegamos. Quando ouvi a gritaria do público que já estava dentro do estádio, senti borboletas rondarem meu estômago. Principalmente porque disseram que o Sebastian Bach já estava no palco. E a porra do caralho daquela merda de fila da arquibancada simplesmente não fluía. Pelo menos eu tinha minha irmã pra poder dividir a ansiedade e alguns palavrões. Enfim, entramos e fui pra fila do banheiro, enquanto minha irmã foi conferir se era realmente o Sebastian Bach que estava no palco, porque lá de fora não dava pra distinguir coisa alguma além dos gritos do público. Não, não era ele. A banda era a brasileira, que tinha acabado de sair do palco. Nem lembro o nome. Não importa. Minha irmã chegou no banheiro eufórica, dizendo que a estrutura do palco era uma loucura e que eu tinha de ver aquilo logo. Alguns minutos depois, entrei em um Mineirinho quase lotado, na parte de trás do palco… pirei com o tamanho daquilo! Seis metros de altura, um telão gigante, mais dois menores ao lado e mais aquilo tudo. Irmã e eu logo nos ajeitamos lá em cima da arquibancada, procuramos por um lugar onde a acústica não seria terrível. Ruim seria de qualquer maneira. Esperamos pelo Sebastian Bach pra poder conferir… e sabe, o cara mandou muito bem, canta pra caralho e deu um show de simpatia. Arriscou algumas frases em português, mas o que eu mais adorei foi aquele sotaque dizendo: “Belo Horizonteh, vamox cantaRRR, vamox pulaRRR”. O público delirou com umas três músicas do Skid Row, mas eu não sabia cantar nenhuma. Enfim. Tentei não me empolgar muito, pois ainda tinha de guardar energia e minha voz pro show do Guns. Não sei por quanto tempo o Sebastian ficou no palco, mas sei que me cansei e me sentei algumas músicas antes de ele se despedir. Daí pra frente o tempo até que passou rápido. Eu e minha irmã lutamos por um bom tempo até acharmos dois copos de água (a R$3 cada) pra comprar… nos sentamos de novo e quando menos esperamos, todas as luzes do Mineirinho se apagaram. Nos desesperamos, gritamos, subi no degrau (que era o primeiro da arquibancada, por isso bem alto) meio desequilibrada. E gritei. Até que eu enxerguei um vulto no palco. Dois. Três. Peraí, aquele ali é o Axl, certeza! Aquele jeitinho de andar é incofundível… as luzes se acendem e lá estão eles. OLHA O AXL ALIIIIIIIIIIIIIIIIII. Eu gritava e pulava alucinadamente. Assim como minha irmã. E o resto das 15 mil pessoas dentro do Mineirinho. Começaram com a Chinese Democracy, mas como não sabia cantar nada, fiquei só pulando freneticamente. A música acabou, e quando pensei que fosse respirar, eles me emendam a It’s So Easy! Eu mal tinha acabado de quase colocar minha garganta pra fora gritando IT’S SO EASY, SO FUCKING EASY quando Axl Rose diz: Do you know where you aaaaaaaaare? Foi aí que pensei: fudeu, é agora que eu despenco aqui de cima pulando e cantando. A música começa, o Mineirinho inteiro pula, eu e minha irmã ficamos tentando nos equilibrar uma na outra enquanto cantávamos e pulávamos freneticamente. Afinal, irmãs são pra essas coisas, né? Se fosse pra se esborrachar em quem estava embaixo de nós duas, que fosse juntas. Aliás, tinha um projeto de adolescente na altura da minha cintura que começou a rodar sua blusa acima da cabeça freneticamente, o que me rendeu algumas espanadas na cara… até que dei um safanão na mão da criança e ele se tocou. E depois parei pra pensar que, com aquela empolgação toda, quem ia despencar lá embaixo na pista era ele, não eu. Welcome to the jungle acabou e eu estava extasiada; vou respirar um pouco, pensei. Mas aí eles me mandam a Mr. Brownstone e mais uma vez quase coloco minha garganta pra fora cantando freneticamente que I used to do a little
but a little wouldn’t do so the little got more and mo-ore/ I just keep tryin’ to get a little better said a little better than befo-ore. E claro, automaticamente dancei com a mãozinha pra cima junto com o Axl: We’ve been dancin’ with Mr. Brownstone/ He’s been knockin’/ He won’t leave me alooooone. Ô beleza que é ser fã, gente. Você sabe até os movimentos que o cara vai fazer… é o tipo de coisa que aquece a alma. Num é? Depois vieram outras duas músicas do Chinese Democracy, as quais eu não sabia cantar também, mas fiquei feliz porque eu poderia descansar minha voz. Daí vieram alguns momentos felizes, tipo quando o Dizzy Reed (eu sempre gostei dele, sei lá porquê) sentou no piano e fez um solo bem bacana. Adorei ver que a carinha dele continua a mesma depois de 20 anos. Sei lá se tem rugas, esse tipo de detalhe não dava pra ver nem no telão… mas aquele sorrisinho é o mesmo. E sim, o ápice do show foi quando o Axl sentou a bunda no piano pra tocar a November Rain. PUTAQUEOPARIU! Ouvir aquelas primeiras notas saindo do piano foi orgásmico. Me emocionei, pensei que fosse chorar por várias vezes, mas ao invés disso só fiquei sentindo aquele nó na garganta. Sweet Child O’ Mine também levou todo mundo ao delírio. Mas pra mim foi ainda melhor quando virei pra minha irmã e falei: bem que eles podiam tocar a You Could Be Mine, né? E segundos após o baterista Ed Motta-versão-magra manda as primeiras batidas da música. Pirei. Mais uma vez. O bis com a Knockin’ On Heaven’s Door foi um momento amor entre Axl e o público. Ele conversou, contou que não tinha dormido de Terça pra Quarta porque o voo dele tinha chegado aqui às 4h da manhã. E que o bar do hotel estava aberto, ele tinha uma piscina no quarto, e mulheres e bebida. Huh. Sei. Manda mais uma aí pra gente, tio. Só que eles ainda continuaram na Knockin’ On Heaven’s Door… no meio de tudo, a música deve ter durado uns 15 minutos. Mas foi divertido. Quando eles terminaram com a Paradise City eu já quase não tinha forças pra pular. Cantei o que minha garganta me permitiu. E assim fui feliz.
Não, eu não gostei do desepenho vocal do Axl em You Could Be Mine. Nem na Nightrain. A acústica-CU do Mineirinho fez com que os instrumentos engolissem a voz dele, que como todos estão cansados de saber, já não tem a mesma energia de antes. E o resto da banda? Bom, eles são bons. O tal do Bumblefoot arrasou tocando a famosa música d’A Pantera Cor de Rosa, adorei aquela versão rock and roll. O tal do DJ Ashba também toca muito, é o mais simpático da banda, porém aquele visual à lá NX Zero me fez cismar com a cara do moço. E resto, é resto. Não é o Guns N’ Roses original, como todos estão cansados de saber [2]. E não, não saí satisfeita do show. E eu sabia que isso iria acontecer. Mas saí feliz. E podremente cansada. O show é realmente muito bem montado, todos aqueles efeitos pirotécnicos, explosões, jogo de luzes… e aquilo tudo. Aqui dá pra ter uma noção do que era o palco. E sobre o que saiu nos jornais locais, ignorei a maior parte dos comentários. Muita gente metendo o pau no Axl, se baseando só no passado. Como se ele tivesse de ser como há 20 anos pro resto da vida. Aham. Evoluam. Até ele evoluiu, vejam só vocês. Ainda existe um algo de rock and roll dentro dele, mas obviamente, tudo dentro de suas limitações. E, na minha humilde opinião, ele ainda tem muito fôlego. Correu bastante pra lá e pra cá. Seguem duas fotos (que achei aqui) do show:

 

E sim, foi foda quando, logo antes de a banda sair do palco, alguém jogou uma bandeira de Minas Gerais pro Axl… ele olhou pra ela, riu e a estendeu enquanto o público gritava freneticamente. Não achei fotos do momento, ainda.

E finalmente, um beijo especial pra você que leu até aqui. Te dedico (:

Holdin’ on

Já que o vazio insiste em voltar nestes mesmos momentos, então que fique doendo dignamente.

Não precisa assistir, nem ouvir. Mas é sempre digno escutar.

And though the course may change sometimes
Rivers always reach the sea

 

Já me cansei de escrever sobre isso, cair nessa mesmice de nada. Mas é como dizem por aí, faz parte. Pegando emprestadas algumas palavras de um alguém daqui: isso tudo que escrevo aqui não reflete meu cotidiano em todos os seus momentos. É só uma parte da vida que insiste em ser assim. E quando a gente faz nada, alguns certos momentos tendem a ficar vazios. Semana que vem minhas férias acabam e a vida volta a se movimentar freneticamente. Bem como gosto. Obrigada a quem se importa.