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Ainda que tenham puxado meu tapete enquanto eu desfilava pela vida e que eu tenha despencado de cara no chão, tomei uma decisão: não desistir do amor. Jamais. Um sentimento não tem culpa de ser. Quem tem culpa somos nós, seres humanos, que temos mania de distorcer o que é bom apenas para satisfazer nosso desejo sádico da dor. Mas depois da dor, queremos amor. Queremos paz. E sim, continuarei a acreditar no amor. Não por ele. Não por ninguém. Apenas por mim mesma.
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Vontade

Que vontade me bateu de escrever! Escrever assim oh, sobre tudo e sobre nada.
Dizer que aquele-que-não-vem (mas é claro que vem!) ainda me faz sentir coisas. Coisas que eu nem deveria sentir mais… se é que existe regra pra sentir. Alguém, em algum ponto da minha vida, me disse que existem regras, sim! Sei lá. O problema todo é que sou fiel ao que sinto. Isso pode sim ser um problema. Antes eu passava por cima do que eu realmente sentia, mas daí veio aquele-que-não-vem e todo aquele mar de sentimentos. Aquela coisa bela e sufocante e feliz e triste e tudo aquilo lá. Que realmente não veio. Mas há de vir. Eu hei de ir, se assim for necessário. Sabe, depois daquela camisa roxa-quase-lilás e todo seu recheio, você sabe. Mas essa vida é mesmo muito louca. Eu insisto no fato de que sentir é complicado, mas as pessoas não acreditam em mim. Sentir tudo, assim, até a última gota, é simples. Para mim é. O problema é a pessoa envolvida. Sempre complica. Ou não. Nem sempre. Sempre é uma palavra complicada. Assim como nunca. Nesse mundo maluco nada é 100% certo. Apenas o que sinto. Uma das poucas certezas que tenho na vida é sentir. E isso me deixa mais leve.
Vontade de comer chocolate até explodir. Beber até cair. Do bom e do melhor vinho. Rir até chorar, chorar até desidratar, desidratar de tanto beber. Morrer. To be reborn, not born again, assim como canta meu querido Daniel Johns. Dos meus arrependimentos, eles não precisam ser apagados. Sei lidar bem com eles. Não fico olhando nem sofrendo em cima do que fiz ou deixei de fazer. Até porque já foi. E quem vive de passado é museu, como disse o meu querido sei-lá-quem. Recebi uma notícia, quis resolver tudo de uma vez, me perdi, sufoquei, estressei, e agora não vou. Não agora. Daqui há algum tempo vai ser mais calmo. E melhor. Tenho certeza.
Empolguei desnecessariamente, mais uma vez. Faz parte. É tudo uma questão de matar a minha vontade. Vontade de você, morrer, viver, sentir, cair, levantar e viver. E sentir. Até eu me sufocar. E viver novamente. Só viver. Simplesmente.

Daquelas coisas que faltam

Há uns 3 dias que um dos fones do headphone resolveu pifar. E sabe, ouvir música aqui assim nem é tão legal… a acústica fica uma bosta. Riffs de guitarra se perdem… por mais que eu aumente o volume até o máximo, o tio Plant só grita de um lado do meu ouvido. E não adianta trocar pro outro lado depois, o lance é ouvir os gritinhos e gemidos dos dois lados ao mesmo tempo. E mais todos os riffs das guitarras e baixo. Eu não sei quanto à vocês, mas pra mim isso faz uma diferença absurda; às vezes até parece que a música foi regravada. E muito mal, diga-se de passagem.

Oi. Eu não vim aqui pra ficar reclamando do headphone. Não mesmo. Mas afinal de contas, o que falta e realmente importa? Rever você. Te sentir de perto. Meus planos de viagem e de reencontrar você nessas férias foram por água abaixo. Que chato. Muito chato. Grande parte desse big fail foi culpa minha, eu sei. Não precisa gritar.
Reproduzo aqui suas palavras daquele e-mail, sem sua permissão: “não foi, e é mais complicado que entrar ou sair, até porque eu, sendo assim, tendo sempre a sair, mesmo sem saber o que teria sido melhor.”
É, te conheço muito bem. Mas sabe, como eu já te disse, eu também tendo a sair. Eu posso até entrar, mas saio correndo o mais rápido possível, como se não houvesse amanhã. E então vem você. Tenho vontade de entrar e ficar. Até você se cansar de mim e me mandar ir dormir. Capeta. O problema todo é esse: não poder te ver. Te sentir de perto. Só pra ver como vou me sentir. Só pra sentir como tudo é real… e morrer. E então acordar com você e toda sua frieza, sua maneira de pouco sentir, me dizendo pra ir embora, que não é tão simples assim. Pois então deixemos a simplicidade de lado. Ela nunca me atraiu mesmo. Como eu também já disse, se você entrar e não gostar, pode sair logo. Ninguém vai morrer por isso, muito menos eu.
Falta você se importar menos com certas consequências. Mas principalmente, falta eu pensar menos e me jogar mais.

(In)quietação

Acabo de voltar do banheiro. A luz de lá queimou e meu pai colocou um abajur pra quebrar o galho… no meio da escuridão desse mato que nos cerca, aquela luz saindo de dentro da concha apenas deixou o banheiro numa penumbra triste e amarelada. Senti medo num primeiro momento, mas não de algo sobrenatural, e sim de que algum morcego entrasse pela janela que estava aberta; e que é muito alta pra eu fechar. Meu pai já está dormindo e não vou incomodá-lo com isso. Aliás, hoje ele estava mais preocupado do que o normal em me agradar. Estávamos assistindo Caminho das Índias ali na sala e comentei que estava sem sono. Ele disse que depois da novela poderíamos assistir a um filme… concordei. Pouco tempo depois disso ele adormeceu ali mesmo, sentado na cadeira, sem que eu percebesse. A novela acabou e o vi dormindo e disse pra irmos deitar. Não, vamos assistir o filme! Você não tá sem sono? Deixa, pai… me dá seu notebook e fico na internet até que eu tenha sono. Chego no quarto e até minha cama meu pai tinha deixado pronta. E aqui estou digitando estas palavras.
Estou na paz do sítio, ouço apenas grilos e meus dedos digitando este texto. Pra combinar com essa paz, coloco Nick Drake pra tocar bem baixinho. Está tudo numa paz enorme, mas aqui dentro nada está calmo. Minha respiração está acelerada, assim como meu coração. Há algo de errado aqui. E este algo sou eu.
Eu quero e não quero. Posso e não posso. Só sei que devo. E que dói. Sabe, dói ser assim. Eu. Ser eu dói. Às vezes fica difícil respirar, tudo em volta de mim se torna pesado… aquelas toalhas dependuradas, o edredom que me cobre, até o ar que respiro é pesado. Queria saber ser mais leve… a vida é tão leve, por que diabos eu sempre tenho de torná-la tão pesada? Eu tenho medo de voar. Me deram asas… brancas, belas e enormes, do tamanho de meus sonhos; mas é só eu começar a voar um pouco mais alto que logo jogo minha âncora pra me trazer de volta ao chão. O meu medo de me esborrachar e me quebrar inteira é enorme. Meus sonhos são do tamanho do mundo, logo minhas quedas também serão. Ou não. Às vezes eu gosto de pensar que existe alguém aí que vai me lembrar de quem eu realmente sou; e que posso ser o que quero sem medo das quedas e obstáculos em meu caminho. Alguém que vai me pegar, me jogar na parede e me chamar assim, com todas as letras, de… Carolina.

This is tearing me apart
If the sun won’t shine
Forever will never be fine
Underneath the hollow ground
Lies a night time sky
For only a desperate eye

Corta!

De repente me bateu uma vontade louca de sair correndo pela rua, dando estrelas. De preferência os dois ao mesmo tempo, pra dar um ar mais ninja à situação. Porque louca vocês já perceberam que sou. Ou não. Mas sei lá, compartilhar essa loucura com as pessoas lá fora me soa tão legal!
Era pra eu estar lá na UFOP a essa hora, colocando meus estudos em dia naquela confortável sala de estudos. Aliás, enorme aquele lugar. Típico de coisas antigas, como a maioria das casas em Mariana*. O pé direito altíssimo faz com que o teto pareça inalcançável… como é que os funcionários sobem até lá quando precisam trocar uma lâmpada? E as tábuas corridas, tão lindas… a entrada do ICHS, campus onde estudo, parece mais a entrada para outro século. O XVIII, talvez, como a maioria das coisas da cidade.
Pois é, era pra eu estar lá, estudando, cumprindo minhas obrigações, mas ao invés disso ainda estou em Belzonte. Essa praga que eu tanto amo. E odeio. Saicu. Mas hoje, final de feriado e os ônibus lotados. Acostumei a pegar o ônibus das 5:30h da manhã pra voltar pra Mariana quando venho pra cá; e fora da rodoviária e sem comprar passagem antecipada. O busão passa num ponto aqui pertinho de casa, sempre entro nele feliz e chego meia-hora atrasada na faculdade. Até aí tudo bem. Mas hoje, final de feriado e os ônibus lotados. Distrai e não comprei minha passagem antecipada. Sifudi. Nem pra Ouro Preto eu consegui ir, que tem ônibus de hora em hora. Tudo lotado. E de lá eu poderia pegar um lotação e chegar em Mariana em menos de meia hora. Se eu fiz algum esforço pra voltar ainda hoje? O mínimo. Depois de passar uma hora sentindo frio naquele ponto, resolvi voltar pra casa… chego aqui e encontro com meu pai, com a cara toda amassada: “Uai filha, não recebeu minha mensagem ontem? Cheguei tarde e te mandei… era pra você ter me acordado que eu te levava.” Cuma? Não recebi mensagem nenhuma. Ah pai, agora não vou mais… vou amanhã. “Tudo bem, eu te levo… de qualquer maneira vou precisar ir pr’aqueles lados.” E então amanhã eu volto pra minha vida feliz de lá.
Thought I oughta bare my naked feelings,
Thought I oughta tear the curtain down.
I held the blade in trembling hands
Prepared to make it but just then the phone rang
É frustrante perceber como eu ainda estou agarrada aqui. Me dá uma tesoura ai pra eu cortar esse fio! Mas que caralho, essa porra é de aço? É minha querida, o que você esperava? São 25 anos de história por aqui… por mais que isso seja o que você quer, se desligar daqui vai ser muito difícil. Que saco. Já estou de saco cheio tudo disso há muito tempo. Todo mundo aqui está cansado de saber disso, quanto mais eu. A verdade é que crescer de verdade está sendo bem chato. E dolorido…

…I never had the nerve to make the final cut.