Maiúscula

ouvi dizer por aí que escrever tudo em letras minúsculas é chique. inn. ou qualquer coisa do tipo. tanto faz, nem importa. eu já tentei e até gostei. o texto fica mais… liso.
mas então me pergunto: como falar minusculamente quando tudo aqui dentro é  

MAIÚSCULO?

Questionamento feito em 05/05/2011 e que continua sendo bastante pertinente.

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vinteeoito

Há alguns dias venho procurando algum sinal em meu corpo dos meus vinte e oito anos de vida. Olho no espelho, não vejo nada. Não é que eu queira envelhecer, ter rugas agora, apenas quero procurar por algum sinal externo que possa mostrar a mulher que meus vinte e oito anos me pedem que eu seja. Muitos não enxergam, meu corpo magro e rosto de menina enganam. Aliás, enganam até a mim mesma. Mas eu já sou essa mulher. Apenas preciso permitir que ela seja. Permitir que eu possa vivê-la.
Hoje, logo depois de lavar meu rosto agora à noite, olhei brevemente para o espelho e enxerguei algo. Voltei e olhei novamente. Havia uma linha forte embaixo dos meus olhos. Estava ali. Meus olhos estavam marcados, destacados. Cheguei mais perto do espelho e vi. Uma mulher cansada, um pouco triste. Eram olheiras. Raras vezes na vida tive olheiras. E meu cansaço não vem do dia quente de hoje, das caminhadas pela rua com minha mãe em busca de presentes, embaixo de um sol escaldante. Esse cansaço vem de um ano difícil, com poucas perdas, mas perdas grandes.
Talvez meus olhos apenas tenham sentido o peso de muitos choros e angústias dos últimos vinte dias. Talvez seja o cansaço de uma vida inteira. Talvez eu só precise dormir, e acordar amanhã para viver mais um dia. Talvez os choros e as angústias voltem, mas não tenho mais medo. Estou falando com o coração. É daí que vem a força. Do amor.
Vinte e oito vezes: eu posso e vou.

Zélia

Fiz login no Blogger algumas vezes, na esperança de que algo saísse aqui de dentro. Um daqueles textos meus de sempre. Que antes eram, mas agora não têm sido. Abri alguns blogs que gosto de ler em várias abas, mas aos poucos fui desistindo delas. Li algumas palavras soltas, me perdia e esquecia. Já é quase uma da manhã e até agorinha estava atacando a goiabada. Zélia. Sempre gostosa. Minha fome noturna parece não ter fim. Comi um biscoito e deixei um pedaço dele cair no chão. Catei, joguei no lixo. Então veio a Zélia. Ah! doce. Venha cá, minha filha. Uns três ou quatro pedaços depois, meu estômago se acalmou.
Hoje eu abri até o blog da Tati Bernardi. Li um texto curto, comecei outro e me perdi. Me lembro da época em que descobri Tati e passei horas lendo seus textos, em uma época que ela ainda não era pop. Abri meu painel, chequei as atualizações daqueles que sigo, abri outra aba. Ela ainda está ali. Não é mais Tati. Li apenas as primeiras palavras, que eram sobre o amor. O amor sempre nos faz querer escrever. Aliás, ele sempre nos faz querer coisas que podem até não existir. A gente quer viver aqui dentro, cada fragmento de sentimento.
Nesse sofá de dois lugares, agora todo arranhado e meio acabado pelas garrinhas do meu sobrinho-gato, pareço me achar. Não há muito conforto. Na época da greve eu deitei aqui por várias noites, viajando pela madrugada na estrada com Kerouac. Agora, nessas férias curtas, passo muitas horas por aqui. Com Joe, televisão, notebook e às vezes Zélia. Mas é a primeira vez nessas férias que me permito sentar aqui e não me preocupar com a hora que vou deitar. É férias. Num período estranho, mas é. Amanhã só preciso me preocupar com fazer almoço. E arrumar a cozinha. E a casa. E lavar o banheiro. Ah, é. Eles deviam ter me avisado que depois de adulta não ia conseguir mais curtir totalmente meus momentos de puro ócio. De saltitar durante as férias, brincar, fazer nada com as amigas. Agora tem responsabilidade. E responsabilidade é coisa de gente grande. Coisa de gente chata.
Vim escrever para ver se me aliviava. Algo me incomodava. Era minha calcinha entrando na bunda. Ah! então era só isso.
Agora me vou. Zélia me saciou.

Não

Há tempos venho me perguntando o que aconteceu comigo. Digo, com minha sensibilidade. Não, não é aquela sensibilidade de sentar e chorar por qualquer besteira, fazer mimimi porque ninguém notou que você mudou o cabelo. Não. Estou falando de sensibilidade em relação a… ah, em relação… tá, não sei em relação a quê. Quer dizer, é claro que sei, senão não estaria aqui escrevendo.
Oi. Há tempos venho me perguntando o que aconteceu que me fez ficar tão sensível em relação a várias coisas que acontecem no mundo. Principalmente hipocrisia. Não. Falsidade. Não, ninguém gosta de falsidade, minha gente, vamos admitir. Ah sim, acredito que o problema esteja na minha paciência, ou a falta dela, frente a certas situações, com as quais eu lidava melhor antes.
Não, Carolina, não é nada disso. Onde foi parar o texto que você começou a escrever ali em cima? segundos antes de você abrir o ‘Criar novo post’? Não sei.
Eu não sei mais escrever.

Desamizade colorida

Ou, simplesmente, da crônica que não aconteceu.

Oi.

Acordei, mais uma vez, como sempre em dias de semana, com minha irmã saindo de casa. Preguiça, pensei. Quase nove da manhã, fui dormir já era quase quatro. Vou voltar a dormir. E então uma coisa começou a me incomodar. Muito. Me lembrei das cenas do filme de ontem. Amizade Colorida. Fofo. Um texto. Ah, o incômodo era esse: um texto querendo sair. Comecei a escrever mentalmente. Preguiça. Comecei a destruí-lo mentalmente, assim como faço com vários textos. Mas calma, esse precisa sair. Vamos lá.
Então, a amizade colorida dos dois mostra que uma relação dá certo quando os dois estão ali, inteiros. Com seus erros estampados em seus rostos, pra todo mundo ver. Não, espera. Ah, é, acho que todo mundo merece uma amizade colorida, em todos os campos da vida. Depois do almoço eu vou… não, será que meu pequetito tá online? Não. O que tem de bom no twitter? Nada, Carolina. Ah, a personagem da Mila Kunis, toda ela, fucked up, mostrando que a vida não deixa ninguém sair ileso ou normal das pancadas que  a vida nos dá; e que isso é normal. Gente, vamos viver mais leves. Cale a boca, estou tentando desenvolver meu raciocínio, o texto que estava aí mais cedo. Eu sei que você se lembra, era lindo, sobre como todos devemos ter pessoas autênticas em nossas vidas. Amizade boa, sem repressões, sexo sem grilos. Cri cri cri.
Oi. Gente, eu juro que tentei. Há dias venho querendo escrever crônicas e hoje eu tinha uma linda na minha cabeça, inclusive escrevi um parágrafo longo ali no meio, mas ele não era nada do que eu queria. Foi só eu levantar da cama, comer, vir aqui, começar a escrever, que meu cérebro começou:
Maroto. Me ama intensamente.

Eu já devia ter imaginado que seria assim, pois a cena do filme que ficava martelando na minha cabeça desde que acordei era exatamente essa da imagem. Pf. Pelo menos eu tentei.