Não sei

Não me lembro mais qual intenção eu tinha quando me joguei no sofá há quase duas horas. Com certeza não era abrir meus textos antigos, de alguns anos atrás e relê-los. Rir de mim mesma, querer me abraçar, me bater, me destravar. Me joguei no sofá e de repente me vi assistindo a vídeos do show do Damien Rice no Rio, no dia 24 de outubro, o qual tive o prazer de assistir ao vivo, ver esse putão de perto depois desses 10 anos de incontáveis feels e choros com suas letras. Enquanto assistia aos vídeos, esperava que fosse ser encoberta por toda aquela enxurrada de emoções que me dominou durante as mais de duas horas de show, mas nada veio. Nem chorei. Nem morri.

Só sei que em algum momento, depois de me jogar no sofá, acabei sentando em cima do controle remoto. Levei um tempo pra reparar que sintonizei no canal de música, algo como blues tocava, até que Wannabe das Spice Girls começou a tocar… não sei pra onde fui, mas senti necessidade de tirar dali e colocar na música clássica. As primeiras músicas foram meio tensas, com um ar de igreja todo errado, voltei lá pro dia em que visitei Cambridge, na Inglaterra. Foi um dia lindo, aqueles campi maravilhosos espalhados pela cidade, berrando história e aristocracia e academia. Arrepiantes.

Só sei que ando matando quase todos os textos que tento escrever, mesmo antes de começar a digitá-los. Ou a colocá-los no papel. Abro meu diário, escrevo duas linhas e vou me perder em qualquer outra coisa que não seja escrever. Ou agir. Ou resolver o que fazer da vida. Me movimentar tem sido uma tarefa árdua. Toda vez que volto pra casa, tenho a sensação de que as coisas param. Que nada vai acontecer. Às vezes até acontece, mas logo param, não querem sair, vamos ficar aqui sem pensar sem sentir. Não vamos viver, nem existir.

Abri meus textos antigos procurando razões pra continuar. A escrever. Porque eu preciso, não posso parar. E sei porque me joguei no sofá; foi só pra sentir toda essa sensação de tentar não sentir e esperar que algo de extraordinário aconteça. Que eu me desintegre, saia voando e passe a existir por aí. Um pedacinho em cada lugar.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

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