(Desen)freei

Sempre tive um lado que admira esse pessoal que parece estar com a vida resolvida. Esse pessoal que vive a vida como a regra do sucesso dita: nasce, aprende a engatinhar, a falar, a andar, vai pra escola, se forma, vai pra faculdade, faz estágio, se forma, tem emprego, consegue estabilidade e vira dono da própria vida, segue em frente, vivendo. Sei que muitos vivem apenas no automático, seguindo o que disseram pra eles que é certo sem pensar muito no caminho que trilham. E não é que eles não vivam. Alguns vivem, vivem demais, vivem tanto que parecem emprestar vida àqueles que os cercam. Ah, esse pessoal que sabe viver a vida, que sabem o que querem! ou mesmo que não saibam tanto, seguem vivendo aquilo que acreditam ser o melhor.

E é aí que sinto um desconforto enorme. Não sei quantas vezes já me peguei pensando que não me encaixo nesse modelo, mas ainda assim às vezes tento segui-lo. Tenho verdadeiro pavor de qualquer coisa que me faça sentir presa. Talvez aí esteja minha dificuldade em terminar algo que comecei. Pular entre uma ideia e outra me dá uma sensação extasiante de liberdade, de que posso tudo. E posso mesmo. Mas não ao mesmo tempo. Já disse várias vezes e repito, voar sem rumo não me leva a lugar algum. Voar desgovernadamente sempre termina em uma asa quebrada. Ou duas. E então vem o processo de “cura”, aquele em que você tem que esperar, ter paciência, enquanto se desespera e perde o ar por ainda não conseguir voar de novo.

Meu problema agora é exatamente esse: apenas uma de minhas asas está totalmente recuperada, então fui voar e acabei despencando. Quando me levantei pra voar de novo, segui um voo torto, desajeitado, meio convulsivo. Daqueles que nos levam até a metade do caminho e não nos deixam seguir em frente, porque sugam nossa pouca energia. E aí me vejo com certo receio em fazer coisas simples, como pular em uma piscina refrescante num dia extremamente quente. Só porque vou sentir aquele desconforto inicial, aquele choque da água fresca com meu corpo quente…

Foi aí que me joguei. Que venho me jogando. Há quase quatro dias, me pego encarando a piscina e hesitando em pular, em me refrescar; mas é nessa hesitação em que acho minha liberdade: sinto, encaro, não ignoro, mando tomar no cu, e mergulho. Me refresco. Me movimento. E vivo. Vivo só pra me emendar de vez e ser. Inteira.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

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