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Assim que saí do banho no início da noite e enxuguei meu cabelo com a toalha, senti um incômodo enorme ao não conseguir lembrar se havia lavado meu cabelo ontem. Eu lavei sim, não devia ter lavado hoje de novo. Ai, Carolina. Então lembrei que não, não lavei ontem, tá tudo bem. Ai que alívio, eu havia lavado meu cabelo no dia certo. A vida estava certa de novo. Só meu corpo que não está. Nem eu estou. Lembrei do meu texto de segunda, em que diminuí o trabalho que fazem num Pub comparado com o meu, mas puta que pariu, Carolina, de onde você tirou essa petulância? Ai que horror, deleta aquela parte.

Estava tomando um chá de limão com gengibre e mel agora a pouco, depois de terminar de ler One Day, do David Nicholls, enquanto sentia vontade de mandar o autor tomar bem no centro do cu dele. Então peguei um pedaço do gengibre e o mastiguei, sentindo minha boca arder, pra combinar com o gosto amargo daquele livro… sei lá, olhando pro fundo da minha caneca cheia de pedaços de gengibre, fiquei pensando que fazia mais sentido mastigá-los, que faria mais efeito. Já é a segunda vez que fico gripada em duas semanas. Well, we could see this coming again, right? disse minha flatmate australiana. É.

Mais cedo me peguei pensando em não tomar mais remédio. E não tomei. Apenas o chá. Um lado meu estava satisfeito ao ver que meu corpo mais uma vez estava sucumbindo ao stress, afinal eu tinha certa chance de ter um dia de semana de folga, pra ficar em minha cama, sem fazer nada. Mas sentei pra começar a trabalhar e, por mais que eu quisesse ligar pro meu chefe e dizer que eu não ia dar conta de continuar trabalhando, meu subconsciente me dizia que dava sim, para de drama. E assim segui o dia.

Eu só queria escrever sem parar, terminar de planejar minha viagem, talvez não dormir mais. Escrever em meu caderno, ideias, sentimentos políticos, o que faz sentido e o que não faz, o que quero e não quero, o que me move e o que me paralisa. Eu só queria juntar meus pedacinhos espalhados pelo quarto e me colocar aqui dentro, só pra explodir e voar inteira por aí.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

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