Olar!

1º de janeiro de 2015

Oi, 2015.

Preciso dizer que até hoje estou lendo o Livro do Desassossego. Sim, seis meses com o mesmo livro, alguns lidos entre ele, mas não consigo terminar de me desassossegar com Pessoa. Talvez porque ainda não tenha conseguido me desapegar de mim mesma. Estou há pouco mais de três meses em terras irlandesas e quando olho pra trás, parece que sempre estive aqui. Mesmo que todos os dias descubra algo novo pelas ruas. Ou me apaixone pelas cores e desenhos do céu. O céu é sempre o mesmo, mas há sempre algo novo pra observar. E se apaixonar. Todo dia dá pra descobrir algo novo em Dublin, um cantinho que ainda não explorei simplesmente porque passei por ali, por lá, sem estar presente. A gente sai de casa, mas às vezes a casa não sai da gente.

2015, você acaba de nascer e veja bem, eu não vim aqui pra falar de saudade. Você nasceu há algumas horas e talvez ainda não saiba de nada, nem eu, mas venha aqui e me abrace. Vamos ser felizes, iluminados, cheios de vida, oportunidades e principalmente, abertos. Quero que a gente não só abra portas, mas também explore aquilo que estiver além delas. Segure firme em minha mão, mas não aperte e nem se apegue, porque teremos pouco mais de 360 dias juntos. Mas me abrace, abrace sempre, não me deixe cair que eu te seguro de cá. Viajemos, exploremos, dancemos, bebamos pints de Guinness, vinho, amemos! e desamemos se for o caso. Não curto o presente do subjuntivo, chega disso.

Dois mil e quinze, seu moço, venha comigo que eu quero sair pra vida.

Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.