Carta de redenção

Comecei a escrever um texto no meu diário novo, mas percebi que ele não cabia lá. Minhas palavras precisam ser públicas. Porque eu finalmente enxerguei e aceitei algo que há tempos vinha me assombrando.

Primeiramente, gostaria de pedir minhas mais sinceras desculpas. Antes de ser a qualquer outro alguém, quero pedir desculpas a você, Carolina. Eu falhei. Venho falhando. Realizar nosso maior sonho foi algo que nos tirou do chão e nos deixou tão embasbacadas que me peguei cometendo os mesmos erros de sempre. Sabe quando a gente sempre sonha em voar, imagina como vai ser e quando acontece muita coisa parece não ser? Eu voo, pouso, mas não tenho conseguido colocar meus pés no chão pra continuar e agir. Voar sempre não é saudável, ainda mais sem rumo.

Venho carregando e arrastando o desnecessário há algumas existências, e quanto mais eu limpo, mais desnecessariedades aparecem. Não importa o quanto eu esfregue, siga em frente, sempre tem algo que fica e insiste em não sair. Já sei que não estou tentando apagar a imagem daquilo que sou e tentando ser o que quero e posso ser, estou apenas tentando seguir em frente. E tenho seguido, mas não importa o quanto eu corte as amarras, ande, me solte, parece que ainda sigo um padrão imposto por outro alguém que controla todos os meus movimentos. I never had the nerve to make the final cut.

Então, ontem, depois de já ter falado sobre o assunto com uma pessoa ou outra, de ter ficado horas em sites e sentir meu coração voar e sair do meu peito com a possibilidade de fazer aquilo que quero, me veio um estalo: é isso. Senti um arrepio tomar conta de todo o meu corpo, seguido de uma leve sensação de euforia. A vida estava viva. É isso que quero fazer, também faz parte do meu sonho. Olhem aqui pra mim, eu sei de algo que realmente quero fazer, me abracem! Foi aí que tive outro estalo: eu posso. Realmente posso, sem precisar de muito esforço. Tenho todas as ferramentas em mãos. E aí a vida ficou tão viva que mal conseguia respirar.

Tanto que explorei tudo até a última página, até não sobrar espaço pra mais nenhuma alegria. Voei desgovernada até a hora de dormir, sem conseguir pegar no sono por algumas horas. E é por isso que peço desculpas, Carolina. Me desculpe por não te deixar ser, te cortar, não te deixar ir. Eu acordei. Agora segure em minha mão, não briguemos mais, sigamos em frente, sejamos aquilo que somos, livres, voemos. Não porque o mundo seja nosso, mas porque ele é de todos nós.

daqui

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.