Sem título

17 de outubro de 2012

Oi.

Depois de tanto tempo sem sentar e escrever sobre eu, nós, todo mundo e mais aquilo tudo, quis vir aqui para dizer que estou. Sempre estive. E sempre estarei. É, andei vivendo por aí, por aqui, por lá, mas sempre vivendo. Revivendo. Me ocupei com meu lado que não escreve, principalmente por necessidade, mas eu sempre acabava frustrada, pois um lado meu parecia perdido, inencontrado.

A vida anda meio louca, assim difícil, certas coisas parecem estar paradas, não evoluem. Tudo na mesma, filha. Ah, pai, meu desejo é que as coisas andem para frente, elas vão andar, tenho certeza. E quero isso muito mais para você que do que para mim. Vida parada dá moscas, eu sei, às vezes é difícil mesmo continuar em frente, as moscas tendem a nos atrapalhar a enxergar, mas não perca a fé, pai. E digo isso para mim também. Muito mais para mim. Não perca a fé, a vovó sempre dizia, com sua fé inabalável de que a vida segue em frente. E que coisas boas vêm para quem faz por onde. Nós precisamos acreditar.

Gostaria de dizer também que hoje, depois de uns dois meses, sentei na frente do computador, fiz os últimos ajustes no meu projeto de monografia e o enviei para minha orientadora dar seu parecer final. Depois que o fiz, respirei e pensei qual era minha próxima tarefa acadêmica. E aí veio o e-mail de meu professor cancelando as aulas de quinta e sexta. Quer dizer então que não tenho mais nada? Posso acabar a semana? Ainda não. Mas me dei o direito de não fazer mais nada hoje. Apenas relaxar. A sensação de não precisar sentar e estudar foi tão estranha que levantei e fui para a cantina com o intuito de comprar não sabia bem o quê. Depois saí meio sem rumo de lá, andando pelo campus e mordendo um pedaço da paçoquinha que havia acabado de comprar. Saí procurando respirar o ar antigo desse prédio, simplesmente andando, até que cheguei onde não havia ninguém. Olhei em volta e vi uma janela de uma sala onde alguns professores pareciam estar em reunião. Vou voltar, preciso voltar, mesmo que seja para não fazer nada.

Gostaria de dizer também mais uma vez, que em menos de dois minutos escrevi mentalmente o esboço de pelo menos três textos, me incomodei com o fato de que já estou com vontade de fazer xixi de novo, mas que diabos, desde a hora do almoço já fui algumas vezes àquele banheiro. Uma das faxineiras me cumprimentou de novo, parecendo meio surpresa. De novo aqui, filha? Eu sei que é ansiedade, aquela Coca-cola pouco tem a ver com isso. Nem com meu estômago estar meio que gritando ultimamente.

É bom dizer também que a sensação de estar escrevendo algo que não seja uma tradução de um livro de 180 páginas ou nada relacionado ao meu projeto ou qualquer outra coisa acadêmica é aliviante, mas desesperante. Ainda tem muito por vir. Daniel Johns canta em meu ouvido, que saudade de Silverchair. Que saudade de vocês. Que saudade de mim, liricamente.

1º de agosto de 2014

Oi, pai. Oi, gente.
A vida andou. Continua andando. Defendi minha monografia em fevereiro. Às vezes a vida ainda dá voltas e parece voltar pro mesmo lugar, mas ainda assim avança. O que importa é que estou. Estive. E sempre estarei. Escrevendo. E que sim, aquela parte de mim que parecia estar inencontrada está aqui. Linda. Namoro com ela todos os dias.

daqui
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

5 comentários em “Sem título”

  1. As palavras, quando se encontram conosco libertam nuances tão intensas. soa até suave, mas não é, porque nos envolve. Tanto sentimento ali trancafiado, ansioso. Tudo passa e ficam sonoras sensações, saudades, vontades, encontros e desencontros. No fim das contas, sempre estamos. Mas a fuligem deste mundo cega as janelas.

    Lindo texto Carolda.

    Beijo!

  2. A diferença da escrita entre 2012 e hoje está gritante. Não a escrita propriamente dita, mas falo do peso das palavras. Em 2012 você transmite o quanto estava meio apreensiva com a vida. E hoje, parece mais confiante e madura.

  3. Carolda!!
    Ainda bem que você comentou no meu blog pra que eu pudesse localizar o seu.
    Adoro o jeito que você escreve e o que você escreve. E concordo com a Kamilla, hoje você parece mais confiante, isso é bonito de ver.
    beijo!

  4. Não, péra. Como assim? Foi só seguir em frente que tudo entrou nos eixos? Onde foi parar o peso que tinha nos teus ombros? Como você conseguiu encontrar aquela parte de ti?

    Me identifiquei. Mais com o primeiro que com o segundo. O que é legal, faz parecer que tem um caminho que vai levar até o segundo.

  5. Acho sensacional quando encontramos textos antigos e, de repente, nos sentimos como se tivéssemos dado as respostas a eles!
    Seu blog está lindo!
    Beijos, Carolda!

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