Daquilo que já não é

Não foi tristeza. Nem nostalgia. Foi…

estranho.

Olhar pra algo que não é, mas que já foi muito, e perceber que realmente não é mais me causou um sentimento que não sei bem como definir. Parte de mim queria estar triste, queria que doesse. Ver que ainda reconheci sua figura de longe, ainda meio de lado e com o rosto praticamente encoberto por aquele capuz fez com que meu coração batesse descompassado. Não estava nem feliz nem triste nem alegre, e quando nos olhamos eu parecia não conseguir sentir nada. Eu apenas era. Apenas estava. Nem quando nos abraçamos brevemente senti algo além do que sou. Talvez porque o que o que sou agora é muito mais do que aquilo que fomos.

Estranho. Ver alguém que um dia foi tudo aquilo que era certo e agora não significar mais nada chega a ser trágico. Mas sequer consigo chorar. Provavelmente porque na verdade não há tragédia. Há apenas o que não é mais. E o que não é mais, é nada. Não é que eu não sinta. Ainda há muito. Raiva, talvez descompasso, mas é um muito que me tira nada. O que sou agora é apenas o que deixei de ser por tempos que parecem ser algumas existências.

O vislumbre de um rosto conhecido
E daquilo que já não é mais
É exatamente no que já não somos
onde se encontra a paz.

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daqui
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

6 comentários em “Daquilo que já não é”

  1. Fantástico o texto, Carol! Gostei até bem mais que o meu. Temo que se o encontro fosse real, eu ficaria em paz exatamente como você ficou.

    Eu apenas era. Apenas estava. Nem quando nos abraçamos brevemente senti algo além do que sou. Talvez porque o que o que sou agora é muito mais do que aquilo que fomos.

    Adorei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Olha, meu coração fica descompassado só com aquilo que ainda sinto intensamente. Algumas vezes, inclusive, detesto. Querendo mandar no coração, coitado. haha
    Incrível seu texto!

  3. Texto, como sempre, incrível. ❤
    Acho que a multiplicidade de sentimentos nos impede de sentir. Ou pelo menos de sabermos com exatidão o que estamos sentindo. Porém o fato de você saber que, independentemente do que estivesse rolando com seu coração descompassado, você era maior que tudo aquilo é incrível. É crescer, mesmo. É seguir em frente.

    Beijinhos!

  4. Adorei o texto e mesmo que seja ficção (é?), fiquei te imaginando como protagonista dessa cena nas ruas históricas de Mariana (que eu nem conheço, então talvez fosse o centro histórico de São Luís mesmo).
    Saudades do teu blog!

    O wordpress só me deixa comentar logada, mas agora estou no dosesdetiquira.blogspot.com !

  5. Luh, que feliz seu comentário aqui 😀
    E não, não é ficção… continuo com dificuldades em escrever contos. Mas chego lá!

  6. Carolda, quando vi seu comentário no meu blog, sorri feliz. Sentia saudade de tu menina. Rá!
    E principalmente daqui, das tuas letras. Tu meio que tinha parado né? Sempre gostei das verdades escritas por aqui. Você é tão,… tão real e verdadeira. Gosto do sentimento que pões nas letras.
    Esse texto tem essa característica, profundo, aguçado, saído do peito em demasia, em sensação atiçada por um dissabor, um sentimento, uma lembrança. De coisas que são, mas não são mais, mantém-se ali, mas perderam fundamento…

    Entendo bem o alcance delas. Mas não queria… =/

    Seja bem vindaaa!! Já favoritei novamente \o/
    E volte sempre!

    Beijo!

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