Unsent letter

Olá, você.

É, você mesmo, aquele que me fazia sentir aquilo tudo, mar de sentimentos, verde, whiskey, Pink Floyd, Damien Rice. Vira e mexe me lembro de você e mais aquilo tudo que era e não foi. Mas não importa, o que importa é tudo aquilo que senti. Aquilo sim foi real. E sabe, esses dias lembrei de você. Lembrei com carinho, aquele carinho que esquenta o peito, que não dói, só traz saudade gostosa. Pensei que fosse ter muitas coisas a dizer quando resolvi que escreveria mais um texto pra você. Mas aí lembrei que escrevê-lo aqui talvez não faça tanto sentido, até porque essa é só mais uma das várias cartas que já pensei em te enviar. Agora você já não é mais aquilo tudo que senti, sua vida se movimentou para outros ares, a minha se movimentou e desaguou em outros mares. Sabe, acho que alguns amores nunca deixam de ser amor, eles só passam a ter outro significado e lugar aqui dentro. O seu lugar sempre estará aqui, não para um reencontro, ou última tentativa de viver aquilo que não foi, apenas porque pra mim amores não são substituíveis, eles apenas são.

Não vou dizer que nunca imagino um reencontro, ou como seria te ver de novo depois de tantos anos. Imagino sim. E o cenário é alguma dessas praias fluminenses lindas, com um belo fim de tarde após um dia ensolarado pintado acima de nós. Sim, ensolarado, eu sei que você gosta de dias chuvosos, mas eu nem tanto, então me deixe que o cenário é meu. Imagino um céu pintado de um laranja-quase-vermelho, enquanto conversamos distraidamente sobre a vida sentados na areia. Você me conta tudo o que se passou nesses últimos anos e tudo o que quero é te abraçar. Te abraçar até que você sinta toda minha gratidão por ter me acordado e me mostrado que eu era capaz de sentir coisas tão lindas por alguém. You saved me the day you came alive. Mesmo com toda sua descrença no amor e em sentimentos daquela época, foi você que me fez sentir de novo. E meu único arrependimento é nunca ter te dito isso. Me desculpe pela falta de coragem, inclusive naquele dia em que você me perguntou quem era o alvo de meus sentimentos e menti dizendo que era outro, porque eu não queria te dizer nada daquilo através de uma tela de computador. Ainda assim aqui estou, escrevendo tudo através de uma tela de computador.

Mas não importa. O que importa é que você de alguma maneira soube. Não de tudo, mas de boa parte. E acredite, foi tudo muito real, claro e límpido, mesmo que tudo em você naquela época fosse apenas chuva e nebulosidade. Tome aqui um beijo meu.

rain

P.S.: There’s a very bright side of the moon, really. 

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

Um comentário em “Unsent letter”

  1. Que bom que a saudade deu lugar a um sentimento mais tranquilo, menos dolorido. Também acho que o amor é algo que a gente leva pra sempre, mesmo que desbotado, ele está lá. Não há como simplesmente deletar um sentimento, embora isso não queira dizer que você não pode superar aquilo. E esse teu texto é a prova mais certa disso. (:

    Saudades de te ler! Tó um abraço bem apertado pra você!

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