Sobre o fim

Ou sobre como a vida não esteve fácil.
E sim, esse é um texto longo e triste, e se você estiver bem, continue assim, porque a vida continuou aqui desde então, está acontecendo. E está linda.

O fato é que 2013 não foi um ano fácil, mas nem por isso foi triste. Triste foi 2012. E difícil é diferente de triste. Enfim. Até maio eu vivi em meio a crises agudas de ansiedade e alguns ataques de pânico, sem saber se eu ia conseguir terminar meu curso na universidade. E o principal: se eu conseguiria sair daquilo tudo ali inteira. Cada aula da última disciplina obrigatória que eu tinha era uma verdadeira tortura, principalmente quando o professor entrava na área filosófica de tudo, sobre o valor do amor… e tudo o que eu queria fazer era levantar da cadeira, mandar que o professor enfiasse aquele amor no cu e que Platão podia pegar fogo e morrer. Mas aí eu lembrava que nossa, Platão já morreu, coitado, e voltava para aquela angústia que insistia em não sair do meu peito. Que vinha de um lugar dentro de mim que eu parecia desconhecer.

Meu último semestre na universidade foi apenas um amontoado de: calma Carol respire fundo siga em frente já vai acabar. Eu andava por aquelas ruas e calçadas de três séculos de existência tentando ser o mais invisível possível, enquanto engolia choros e disfarçava olhos inchados por trás dos óculos de sol. Às vezes, sentada perdida em algum canto, ao conversar com minha mãe, falava disparadamente sobre trivialidades, enquanto meu peito gritava que eu não ia aguentar.

Ao cruzar com alguéns na rua era sempre um misto de VOU SAIR CORRENDO E FINGIR QUE NÃO TE VI TCHAU com POR FAVOR ME ABRACE E ME SEGURE PORQUE ESTOU CAINDO. Isso sem contar aquele fantasma de carne e osso que, ao cruzar meu caminho, me roubava qualquer paz que conseguia encontrar, inclusive meu ar. Certa vez, ao perceber que me encarava no bandejão, a comida literalmente parou de descer e desconfio que jamais tenha chegado ao meu estômago. Enquanto me questionavam por não estar comendo mais, dava um sorriso amarelo e dizia que estava enjoada. E estava. Enojada.

Aí vinham meus momentos sozinhos em casa, momentos em que me dividia entre me concentrar em provas e trabalhos e segurar, agarrar as mãos de minha sanidade que estava insistindo em querer correr de mim. Havia momentos de paz, de alegria até, e então vinham aqueles em que eu sentava no chão, ouvia a November Rain, até que me pegava não conseguindo mais cantar porque estava aos prantos. Everybody needs somebody, you’re not the only one. Logo eu, que sempre fui de ter meus momentos DO NOT DISTURB, especialmente os mais difíceis, quanto mais dor eu sentia, mais queria ver a cara de alguém conhecido, só pra poder sentar e conversar sobre o tempo, sobre o vento que batia nas árvores. Cês viram que coisa linda?

Daí veio o fim. Terminei o curso. Ainda faltava a monografia, mas já podia voltar pra casa. Veio o fim de meu Deus vou vê-lo não quero eu quero por favor pare. Uma parte minha queria tomar outro curso, diferente daquele de casa, mas olhei aqui pro fundo de mim mesma e reconheci que precisava mesmo era de colo. E vejam só, voltei inteira. Inteirinha. Poucos dias após minha volta me enviaram uma luz lá de cima, luz que de início me cegou, me roubou o ar, mas que em poucas horas me trouxe a paz que tanto procurei por alguns meses. Eu finalmente dormi uma noite inteira de leveza e não acordei achando que o mundo tinha desabado. Com o tempo a paixão cessou, um amor dormiu. E eu continuei inteira.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

3 comentários em “Sobre o fim”

  1. Fico feliz que você tenha saído inteira e mais feliz ainda que você tenha voltado a escrever. Acho que o meu ano difícil será esse – e no viés do trabalho. Algumas vezes parece que vou morrer de tão trabalhar e sinto falta de ter vontade de escrever. Estou abrindo mão de tanta coisa que eu gosto – temporariamente, eu espero – por causa do casamento e da viagem que, algumas vezes, eu me revolto e fico com vontade de fazer uma festinha besta na minha casa mesmo, ao invés da recepção formal que eu sempre quis ter. Mas tudo não vale a pena, até valer. (:

    Welcome back, buddy. ❤

  2. Olha, se precisar de motivação pra destravar a escrita, leia isso: Isso está muito bom. Dificilmente vejo desabafos desse tipo tão bem escritos. Que bom que você voltou!
    Sei bem como é não conseguir escrever e lendo seu post achei incrível que sentisse exatamente as mesmas coisas, mas no primeiro ano da faculdade. 2013 foi mesmo muito difícil. Fico feliz que ele tenha ido pra nunca mais voltar.
    Que bom que com ele foram as paixões que só serviam pra doer, né?
    Bem-vinda de novo! Vê se fica por aqui.

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