vinteeoito

Há alguns dias venho procurando algum sinal em meu corpo dos meus vinte e oito anos de vida. Olho no espelho, não vejo nada. Não é que eu queira envelhecer, ter rugas agora, apenas quero procurar por algum sinal externo que possa mostrar a mulher que meus vinte e oito anos me pedem que eu seja. Muitos não enxergam, meu corpo magro e rosto de menina enganam. Aliás, enganam até a mim mesma. Mas eu já sou essa mulher. Apenas preciso permitir que ela seja. Permitir que eu possa vivê-la.
Hoje, logo depois de lavar meu rosto agora à noite, olhei brevemente para o espelho e enxerguei algo. Voltei e olhei novamente. Havia uma linha forte embaixo dos meus olhos. Estava ali. Meus olhos estavam marcados, destacados. Cheguei mais perto do espelho e vi. Uma mulher cansada, um pouco triste. Eram olheiras. Raras vezes na vida tive olheiras. E meu cansaço não vem do dia quente de hoje, das caminhadas pela rua com minha mãe em busca de presentes, embaixo de um sol escaldante. Esse cansaço vem de um ano difícil, com poucas perdas, mas perdas grandes.
Talvez meus olhos apenas tenham sentido o peso de muitos choros e angústias dos últimos vinte dias. Talvez seja o cansaço de uma vida inteira. Talvez eu só precise dormir, e acordar amanhã para viver mais um dia. Talvez os choros e as angústias voltem, mas não tenho mais medo. Estou falando com o coração. É daí que vem a força. Do amor.
Vinte e oito vezes: eu posso e vou.
Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

9 comentários em “vinteeoito”

  1. É o ciclo, não é mesmo?
    Por mais que evitar pareça a melhor opção, um dia a idade, o estranhamento no espelho e os sinais de cansaço acabam ficando mais evidentes.
    O jeito é respirar fundo, ter uma boa noite de sono e se preparar para mais um ano, com rugas novas, mais perdas, mais ganhos e, principalmente, mais oportunidades!

  2. olha, eu acho que esse ano foi difícil pra tanta gente que eu não sei se me sinto mais confortável ou chateada por isso. sei exatamente o que é passar por poucas perdas mas perdas grandes. você me resumiu muito bem o ano nessa simples frase.

    o que eu posso fazer é desejar que isso fique logo pra trás pra mim e pra você!

    beijoca

  3. cada palavra aqui me descreveu. lindeza em saber que em certas mentes a gente pode se identificar. grande abraço pra vc e que 2013 seja inspirador e de boa sorte, grande abraço 🙂

  4. Carolzinha, esse é o nosso ciclo, um ciclo abriliano. Sei pouco sobre o seu ano, mas sei que mtas coisas são comuns. Espere e verá, logo daremos a volta por cima. Que dias melhores venham. Por mtos momentos caímos de joelhos frente as nossas raras perdas, mas sempre erguemos nossas cabeças e saímos andando capazes de lutar novamente. Bjo!

  5. Primeiro: não pode ser, você não tem 28 anos não! Mas falando sério, esse tipo de cansaço é o pior que pode existir. Não há poltrona confortável ou noite de sono que nos recupere facilmente. Mas eu sinceramente espero que 2013 seja um ano positivo para você e que essas marcas de agora fiquem apenas na memória.

  6. Somos nós quem inventamos a idade que possuímos. Você não terá vinte e oito o tempo inteiro. Poderá ter sessenta ou doze, dependerá do momento. O amadurecimento não depende de idade, e sim das vivências e atitudes que tomamos.
    Parabéns pelos teus vinte e oito anos. Abraços.

  7. Cada ruga, cada olheira, cada cabelo branco tem história e carrega algo que vivemos, mas eles tbm são prova de q somos forte e de que podemos seguir em frente. Levanta essa cabeça, minha linda que a vida não espera!beijos!

  8. Rolou um momento identificação agora! Também tenho 28 anos e outro dia mesmo sentei na frente do espelho para pensar… 28 anos, meu deus! Já vivi tanto e, mesmo assim, não encontro as marcas disso. Não me pareço em nada com o mulherão que imaginaria me parecer aos 30, pelo contrário, frequentemente sou confundida como mais nova. Honestamente, isso não parece mais tão legal assim. Tenho medo de “pular” uma idade, de pular direto para o “velha”, de nunca ter o prazer de ser vista como uma mulher adulta de 30.
    As olheiras já me acompanham desde a época da faculdade, mas sinto que elas nunca tiveram o mesmo peso de agora. Acho que foi um ano difícil para muito gente. Sinto que, aos 28 anos, isso parece pior, já que tenho a ilusão de que cada escolha é definitiva, já não me sinto mais com a mesma possibilidade de começar tudo do zero.
    Bom, que 2013 traga muito, muito!, mais amor.. Bjs

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s