Desconecta

Oi, vocês aí do outro lado. É, vamos conversar. Não estou conseguindo internalizar, então vou exteriorizar. Dores não nasceram para ser armazenadas. Ok. Eu não sei fazer isso. Quer dizer, aqui no fundo eu posso até saber, mas não sei. Falta de hábito de sentar e me conectar. Damien Rice sabe muito bem como exteriorizar suas dores e rancores. Ele está cantando aqui. Sabe, eu estava conectada, mas daí me desconectei. Assim como sempre tem sido quando sento para escrever.
Vamos lá, vida, menos raquetadas e mais amor. Joguei o colchão aqui no chão da sala, apaguei as luzes, deitei e aqui estou. Tentando colocar para fora uma coisa que nem sei bem qual é. Vamos lá, as siriris estão voando na tela do meu notebook. Já matei uma, sem querer, esmagada enquanto eu digitava. Outras duas entraram aqui pelo meu decote. Aliás, siriri é masculino ou feminino? Acho que tem mais cara de menina. Mas nada disso importa. Não importa porque não estou conseguindo.
A verdade é que ando com dificuldade em destilar minhas dores em palavras como sempre fiz porque ando tentando a leveza. A leveza de conseguir sentar e escrever sobre meu dia. Oi. Hoje eu acordei e fui no parque. Ele estava cheios de folhas verdes, cheirando a chuva, lembrando minha infância. As siriris se transformaram em formigas com asas. NÃO.
Eu só queria mais leveza. Mesmo que vocês não me deem leveza, que eu possa encarar as coisas levemente. Preciso trabalhar minha fé. Você me disse para ver coisas leves. Então fui lá e cliquei em Damien Rice. Eu não sei fazer isso. Tá tudo errado. Vou embora de mim. Volto quando estiver mais leve para respirar, quando essa dor no peito passar.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

10 comentários em “Desconecta”

  1. eu sinceramente gostaria muito de saber como ir embora de mim , como ganhar leveza , como trabalhar a fé … como trabalhar o amor e principalmente como adestrar o coração … mas, infelizmente!

  2. Eu estou numa fase parecida, Carol… Ando pedindo tanto por leveza.. Pra começar esse ano, o título do meu post foi “Que seja doce”. Para o ano que vem, juro, será “Que seja leve”, porque não adianta a doçura se eu não tiver leveza interna para aproveitar. Estou cansada de carregar fardos, muitos deles desnecessários.
    Beijos!

  3. Também estou nessa de não conseguir colocar as coisas para fora, de não conseguir transformar os sentimentos em pensamentos plausíveis ou palavras. E eu vou me sufocando com tudo. Também queria mais leveza. Queria conseguir fazer tudo diferente e ver a vida com outros olhos, mas né… =/

  4. Acho que está acontecendo algo no mundo blogueiro. Muita gente está sem animo, sem inspiração, sem tantas outras coisas para escrever.. Eu sou uma delas.

  5. É, realmente essa fase tá péssima. Quantas pessoas em crise criativa – preciso reafirmar que eu sou uma delas?
    Não sei, parece que esse é o mal do século. Ou do mês.
    É horrível, eu sei. Você quer ter pelo menos a certeza de que enquanto tudo dá errado, você escreve sobre isso. Mas você vai se conectar de novo. Todos vamos.
    Beijo!

  6. Essa dificuldade sua é compreensiva. A vida é inenarrável, deixamos apenas um vestígio – ou um resquício – dela, em palavras. Nunca esboçamos completamente. E, muitas vezes, não há disposição para fazê-lo. Não se cobre tanto. Nós não lhe cobramos.
    Abraços.

  7. E que você consiga essa leveza que tanto busca, essa mesma que acho que o mundo inteiro deveria buscar, pois ela nos dá mais força pra encarar tudo, sem a tensão.

  8. Me identifiquei muito! As janelas dos ônibus me entendem tão bem, e quando eu sento aqui pra falar, parece que não me sobrou nada. Parece que tudo o que eu disse pra mim evaporou ou caiu como as asas dos siriris. E esses putos deixam asas por tudo!
    Boa sorte com a exteriorização das cargas emocionais, e boa sorte pra mim também 🙂
    Voltei com o blog, tem texto novo lá, aguardo tua visita! Besos

  9. Teu blog tá tão lindo. Tipo: UAU. Gamei demais, não vou mais conseguir sair daqui. HELP.

    Te desejo, dona, toda a leveza. Tô aqui mesmo é pensando nos/nas siriris. Vou pesquisar, me deixou na maior dúvida. 😛

    Um beijo, tá?

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