Zélia

Fiz login no Blogger algumas vezes, na esperança de que algo saísse aqui de dentro. Um daqueles textos meus de sempre. Que antes eram, mas agora não têm sido. Abri alguns blogs que gosto de ler em várias abas, mas aos poucos fui desistindo delas. Li algumas palavras soltas, me perdia e esquecia. Já é quase uma da manhã e até agorinha estava atacando a goiabada. Zélia. Sempre gostosa. Minha fome noturna parece não ter fim. Comi um biscoito e deixei um pedaço dele cair no chão. Catei, joguei no lixo. Então veio a Zélia. Ah! doce. Venha cá, minha filha. Uns três ou quatro pedaços depois, meu estômago se acalmou.
Hoje eu abri até o blog da Tati Bernardi. Li um texto curto, comecei outro e me perdi. Me lembro da época em que descobri Tati e passei horas lendo seus textos, em uma época que ela ainda não era pop. Abri meu painel, chequei as atualizações daqueles que sigo, abri outra aba. Ela ainda está ali. Não é mais Tati. Li apenas as primeiras palavras, que eram sobre o amor. O amor sempre nos faz querer escrever. Aliás, ele sempre nos faz querer coisas que podem até não existir. A gente quer viver aqui dentro, cada fragmento de sentimento.
Nesse sofá de dois lugares, agora todo arranhado e meio acabado pelas garrinhas do meu sobrinho-gato, pareço me achar. Não há muito conforto. Na época da greve eu deitei aqui por várias noites, viajando pela madrugada na estrada com Kerouac. Agora, nessas férias curtas, passo muitas horas por aqui. Com Joe, televisão, notebook e às vezes Zélia. Mas é a primeira vez nessas férias que me permito sentar aqui e não me preocupar com a hora que vou deitar. É férias. Num período estranho, mas é. Amanhã só preciso me preocupar com fazer almoço. E arrumar a cozinha. E a casa. E lavar o banheiro. Ah, é. Eles deviam ter me avisado que depois de adulta não ia conseguir mais curtir totalmente meus momentos de puro ócio. De saltitar durante as férias, brincar, fazer nada com as amigas. Agora tem responsabilidade. E responsabilidade é coisa de gente grande. Coisa de gente chata.
Vim escrever para ver se me aliviava. Algo me incomodava. Era minha calcinha entrando na bunda. Ah! então era só isso.
Agora me vou. Zélia me saciou.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

8 comentários em “Zélia”

  1. Gostei do teu canto e do seu jeito de escrever.
    Faz um tempo que abro blogs e me perco em texto, que não consigo completar uma frase, como se algo aqui dentro incomodasse muito, mas essa “coisa” não sai, nem forçando muito, nem forçando pouco…

  2. Carolda,
    faz tempo que não passo por aqui, só agora me dou conta da falta que faz essa sua escrita sincera…
    Sabe que estou pra começar a faculdade, e por conta da greve fiquei uns bons meses só curtindo o ócio.
    Agora estou ansiosa pra começar (não aguento mais não fazer nada), e ao mesmo tempo, me deu medo dessa coisa sobre a qual você falou, responsabilidades…
    Bom, veremos onde dá toda essa história.
    Beijo enorme!

  3. querida, eu adoro o jeito que você escreve e tenho uma impressão deliciosa do quanto seu texto amadureceu! não que ele não fosse bom antes, mas hoje acho ele tão denso, cheio de sentimentos nas entrelinhas…

    beijoca!

  4. Adoro essa coisa de transformar coisas simples em algo lindo de ser lido e essa é sua principal qualidade, você faz isso muitíssimo bem! Parabéns e continue assim!

  5. Desabafos assim são sempre os meus favoritos!
    Também ando na ressaca, sem saber o que escrever e muito menos onde arranjar inspiração.

  6. Não consigo mais ter um segundo de não preocupação com aquilo que deveria ter feito, que terei de fazer, tudo acumula. Tem razão: coisa de gente chata. Ao menos a gente pode andar sem calcinha: somos adultas.

  7. Anormal é quando a inspiração não se ausenta. Gosto daquela motivação para a escrita que nos vem do nada, de aspectos gerais, das minúcias do nosso cotidiano.
    Muitas vezes, são desses insights curtos que surgem nossos melhores textos.
    Abraços.

  8. Carol, eu quero dessa goiabada! haha

    depois daquela nossa conversa fiquei com vontade de voltar a te ler, já te disse. Mas comentar também é bom.

    Aproveita ai as férias e quando voltar, meu sofá está a disposição para seus dias de ócio :>

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