Presa

Então vamos lá. Nem lembro quando foi a última vez que sentei para escrever um de meus textos. Mas daqueles meus, cheios de mim; daqueles em que eu simplesmente sentava e escrevia, digitava, naqueles em que as palavras simplesmente escorregavam de meus dedos. Ultimamente tenho deixado passar. Me deixado passar, apenas porque me perdi nessa mania de negativismo, mania de achar que existe tanta coisa no mundo pra se fazer e eu aqui, presa, sem poder agir muito. E tudo o que há pra se fazer lá fora, me esperando. E eu podia fazer tanto, tanto, mas escolho ficar sentada, esperando. Esperando por alguma ideia incrível que possa resultar num livro. Por uma vontade que possa invadir meu peito de tal maneira que a única coisa que me restará a fazer será sair. Sair e correr, correr até não sentir mais as pernas e ir parar onde o vento me levar. Eu sei que se me sentar aqui e esperar, respirar, sentir, mais um texto meu sairá escorrendo de meus dedos, assim como está acontecendo agora, mas sei também que algo aqui dentro vem me freiando de mim mesma. Daqueles velhos erros de sempre. Não consigo não frear, é algo que está além de qualquer coisa a meu alcance. É invisível. Estou indo, feliz, leve, quando de repente, o freio. De onde veio, talvez só aqueles que não são daqui saibam. Talvez até eu saiba, mas continuo apenas me perseguindo.
A vida é mesmo marota. Dia desses, mentira, há alguns meses, me mandei pra puta que pariu, assim, só pra ir passear. Voltei, mas um lado continua lá. É. Estou voltando da puta que pariu. Avisem por aí. Porque eu finalmente entendi: pra sair mais aqui de dentro, só se for inteira.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

11 comentários em “Presa”

  1. Antes, escria pra burro, uma merda.
    Achava chato, alguns eram ruins, outros bem piores.
    Não escrevo faz tempo e descobri porque. Estou feliz e não preciso de autocensuras, de falhas ilusões do meu eu com o mundo. Estou ficando mais carente de alguém em específico e mais presente em mim mesma. Sendo eu, não tentando ser outra, vendo mais em mim, parar de procurar nos outros um motivo e encontrando em mim mesma as justificativas pra fazer alguma coisa. É o pessimismo me abandonando, tavez a idade, a certeza de ter que seguir em frente ou seguindo um mapa de um nada, me perdendo cada vez mais.
    Tem coisas que é melhor deixar passar, só não estou pensnado no tempo.

  2. E esses são os melhores textos, né? Os que a gente simplesmente deixa fluir…
    Também ando com esse problema de não conseguir “fluir” pelas coisas, não consigo fazer nada… Ficam esses diabinhos dentro da nossa cabeça brincando de roleta russa com nossas idéias, um mandando fazer, outro mandando não fazer. E esse freio, essa rédea, muitas vezes é mais forte. Ficar pensando em fazer todas as coisas e no final não fazer absolutamente nada.
    :*

  3. “mania de achar que existe tanta coisa no mundo pra se fazer e eu aqui, presa, sem poder agir muito. E tudo o que há pra se fazer lá fora, me esperando.”

    VEMK pra eu te abraçar e dizer “me identifiquei”.

    E como disse Amandita: a gente te quer inteira por aqui, mesmo eu, que te conheci “por esses dias”. E eu sei que você vai sair de onde quer que seja inteira. Sem frear.

  4. Há momentos em que a própria alma se prende. É uma defesa natural. Tem vezes que não dá pra não frear, e que só nos resta sentar e absorver as sensações que nos acometem.
    Não adianta não estarmos inteiros ao sair. Somente quando completos retornaremos com a capacidade de voar… De fluir!

    Beijo!!

  5. O ruim é quando o corpo vai e o coração fica. Talvez seja melhor ir inteira e voltar cheia de histórias e inspirações para voltar a ter vontade de escrever e não ter a sensação de estar perdendo o “mundo” hahaah

    Gostei do seu blog!

    Beijoos ;**

  6. Se liberte, então, Carolda. Você é uma das raridades que sobraram dos tempos antigos, digamos assim, hahaha.
    Volte, filha, volte da puta que pariu e a puta que pariu para a puta que pariu o/

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