Apenas mais um texto de fim de ano

Sente-se. Feche os olhos. Respire fundo. 2011 quase se foi.
Reflexões de fim de ano são necessárias, por mais clichê que sejam; não adianta tentar ser cult-alternativo e fingir que essa época é igual a todas, porque não é. Você pode odiá-la? Mas é claro que pode, ninguém disse que você precisa amar Natal e Ano Novo. Eu sei de mim que gosto. Natal na minha infância sempre foi uma época mágica, sempre tive direito a Papai Noel e já jurei ter visto o trenó dele indo embora, do alto dos meus cinco anos, eufórica e pendurada na janela daquele apartamento. OLHA LÁ, MÃÃÃÃEEEE! Já passei Reveillon’s inesquecíveis no Rio de Janeiro, pulando ondinhas, ou em casa, apenas com quem gosto, e achando a melhor coisa do mundo. Também já tive meus desencantos nessa época, que marcam mais que os momentos felizes, sabe-se lá por que diabos.
Todo fim de ano tem lá seu (des)encanto. Nos sentimos felizes por termos vivido por mais um ano. Aliviados por mais um ano estar acabando. E tristes por não termos sido o que queríamos. 2011 não foi nada fácil para mim. Sofri um dos golpes mais sujos de minha vida, senti nojo, asco e desprezo por aquelas pessoas tristes, vazias e ocas por dentro. E o golpe foi tão forte que não tive forças para lutar por meus direitos. Lutei até onde consegui, mas de certa forma, elas venceram. Conseguiram o que queriam. Perdi a fé em mulheres, por sua mania de quererem ser sempre melhores, terem inveja e não aceitarem que alguém possa estar melhor do que elas. Apesar da vitória que tiveram sobre mim, tenho como conforto o fato de que sempre fui eu. Errada, errante, mas eu. Errada para elas, correta para mim. Saí sem prejudicar ninguém, a não ser a mim mesma. Me prejudiquei por ser correta demais, justa demais. Cresci 20 anos em três meses, e as cicatrizes de toda essa correria de amadurecimento jamais sairão daqui. Ontem fui visitar minha avó materna e ela não me reconheceu. Minha avó paterna, que tem 94 anos, está internada há quase 10 dias aguardando uma cirurgia, que depois de muito vai e vem, pneumonia e afins, acontecerá amanhã.
Talvez por isso tudo, e mais tudo o que passei nesses 27 anos de vida, eu tenha me cansado de reclamar. Não, não fiquem esperançosos ou tristes, pois ainda continuo ranzinza. Mais do que antes, em certos pontos. Prometi para mim mesma observar e conhecer antes de criticar. A não ficar enchendo o meu saco com o desnecessário. De que adianta reclamar do que não posso mudar? da chuva que não parava? do frio que não gosto? do cinza que tira meu humor? Deus não vai parar o mundo e enviar para outra galáxia pessoas que deviam pegar fogo só para me agradar. Vocês já pararam pra pensar que reclamar enche mais o seu saco que o dos outros? Até porque quando você para de reclamar, raramente se lembra porque começou. Enquanto seu alvo te ignora e já está rindo, você está gastando sua energia com coisas que sempre serão, mesmo que você não queira.
Portanto, em 2012 serei ainda mais velha e espartana em certos pontos. Serei ainda mais eu, doa a quem doer. E, mais ainda, continuarei a sentar a bunda nessa cadeira e terminar escrevendo textos que foram parar em um ponto bem diferente de minha intenção inicial. Afinal de contas, a vida é muito mais séria do que tudo isso que conhecemos.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

17 comentários em “Apenas mais um texto de fim de ano”

  1. Então é isso.

    Que a gente tenha muitos motivos pra reclamar, pois que só reclamemos do que pudermos mudar!

    td errado as conjugações verbais. sorry.

  2. Que tudo seja doce pra você em 2012,
    E continue assim, sendo só você mesmo, sem se importar com que irão pensar.
    No final das contas, quem tem que se importar com isso mesmo é você.

    Beijo,

    2012, venha iluminando tudo.

  3. Todo ano entro em guerra com o Natal, desde cedo, por questões econômicas, entendi que papai Noel só existia se minha mãe tivesse dinheiro pra pagar o transporte e ela não tinha. Depois de velha, ganhei um irmão, e agora que as condições podem fazê-lo acreditar em espírito natalino, minha mãe tem feito de tudo pra que ele acredite e desfrute disso. No inicio fui contra, acho errado ficar enganando criança, custei perceber que talvez também queria ter sido um pouco enganada com isso tudo. Aliás, as vezes queria me enganar muito em relação à varias coisas, me alienar junto com o mundo, mas já chegamos a um ponto de impossibilidade de andar pra trás.
    Sempre brinco que preciso passar uma semana sem reclamar, mas a gente envelheceu na infância sabe que a reclamação é nosso principal meio de dizer que está feliz, mas não quer admitir a felicidade, é essa a minha meta pro próximo ano, conseguir abrir a porta, a janela, as gretas (!!!) pra felicidade e dizer a ela que estou muito feliz em vê-la.
    O um dos golpes mais duros que sofri nos últimos tempos foi perceber que a cada dia nos tornamos coisas que carregam coisas, só sou alguém se estiver na moda, maquiada e com um cabelo perfeito e quem tenta ir contra isso está destinado à realidade e nós, que vivemos a realidade, sabemos que acordar se olhar no espelho e sair sem encobrir si mesmo é uma tarefa das mais difíceis.
    Espero sinceramente, que possamos construir um dos únicos sentimentos que a humanidade ainda não foi capaz de destruir: a amizade, seja aqui (no seu mundo) ou lá no meu mundo.

  4. Como sempre seus textos são muito bons e nossos momentos muito parecidos. Se eu ler algo que você escreva antes de tentar escrever, eu perco totalmente o meu foco por você já ter escrito algo parecido. O ano termina e todos agem da mesma forma. Clichê ou não, apesar das diferenças somos todos muito iguais…

    Beijos Carolzita!

  5. haha Me identifico muito com você. Pretendo terminar as hitórias também. Enfim… Seja você mesmo, sua espontâniedade te faz ser quem você é, e o que você quiser. Te desejo então, um feliz 2012, cheio de possibilidades e realizações.

    Ah, e domingo tem post de ano novo lá no blog. Tá? Um grande abraço, Ana.

  6. Olha Carolda, uma vez li que a gente só percebe o quanto é forte quando não há outra alternativa a não ser… ser forte! Tudo o que vc passou e sofreu com certeza serviu p/ te fazer uma pessoa mais madura, mais centrada e com mais discernimento. Nada acontece em vão. 2012 vai ser bem melhor!
    Beijos!

  7. E a vida é tão curtinha pra gente não fazer o que desejamos, pra gente ignorar sentimentos bons ou explodir com coisas ruins, pra sermos qualquer outra pessoa que não seja nós mesmas… Então o melhor mesmo e viver loucamente, sem se importar tanto com aparências, arrependimentos virão, mas dane-se, melhor se arrepender por ter feito que por ter deixado pra lá. E mesmo sem querer, essas festas de fim de ano me contagiam, gosto delas, não são tão mágicas quanto um dia foram (na minha infância), mas ainda reservam sentimentos bons que eu gosto de cultivar, e espero que seja assim por muito muito tempo.

  8. Ei! Sabe que sobre essa questão do reclamar, eu também tomei essa decisão, ano passado mesmo. Eu reclamar do frio e da chuva não vai fazer a chuva parar e ficar calor. Só vai me fazer ficar ainda mais irritada. Então o melhor é aprender a conviver!
    Beijos, e feliz ano novo!

  9. Oi!!! Sou da Máfia e vim conhecer eu cantinho…rs. Já estou seguindo. Seja super bem vinda a nossa meio…rsrs

    Beijos, beijos e um ótimo 2012 pra vc!

  10. Que este ano novo você seja mais você, se mais ranzinza ou não, tanto faz, mas que seja você. Mudada ou a mesma, é importante que mantenha a autenticidade, esta tua veia original, por onde correm teus sentimentos mais plenos, despidos de máscara.

    Que o ano seja benevolente e lhe traga muitas alegrias, muitos ensinamentos e que a tua alma se aperfeiçoe com maestria, te fazendo ser mais inteira, em tudo, com todos.

    Beijos!

  11. flor, em determinado ponto do seu texto, pensei que era eu. também tomei “o golpe mais sujo da minha vida”, também perdi a fé nas pessoas, especialmente em mulheres importantes pra mim. muito. perdi a fé nas pessoas que mais amava e confiava, fui traída de maneiras absurdas e envelheci 20 anos em 3 meses. exatamente assim,.

    olho pra trás ainda com uma pontinha de dor no peito – que acho que nunca vai sarar. mas hoje, passado o tempo, vejo que foi muito melhor assim. me libertei de tudo que me prendia e jogava pra baixo, cresci e aprendi muito. foi dolorido? pra caralho. mas hoje sou uma pessoa melhor. e compartilho da sua certeza: nunca deixei de ser eu.

    é isso que importa.

    prometi pra mim mesma que deixaria 2011 pra trás. e ele ficou. as coisas foram naturalmente se encaixando com o seu fim: dezembro foi incrível e preparou um janeiro leve, divertido como há anos eu não vivia. espero que você consiga fazer isso também: deixar o que merece no passado e olhar pra frente certa de que vai melhorar 🙂

  12. I like it.
    “Perdi a fé em mulheres, por sua mania de quererem ser sempre melhores, terem inveja e não aceitarem que alguém possa estar melhor do que elas” '-'.
    Gostei do texto/desabafo, hm, e que esse ano de 2012 esteja sendo para você o que desejava. bjs.

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