Sobre Clara e Tomás

Preciso escrever. Simplesmente sentar e escrever uma história qualquer. Há um tempo escrevi sobre Clara e Tomás, um amor que havia nascido, mas não era reconhecido. Meu primeiro conto? Pode ser. Ele está ali, quietinho, escrito no Word, desde 29 de setembro. Em uma só página. Já tentei mexer e desmexer, mas ele continuou ali, quieto e imexível. Tudo porque não gostei do que escrevi. Parece mais um romancezinho adolescente de quinta categoria. Confesso que foi a primeira vez que realmente sentei e deixei meus pensamentos fluírem, sem me preocupar com os meus sentimentos. Sem eu. Estava sob a influência das palavras de Jane Austen em Pride And Prejudice. Tentei transferir o que estava aqui dentro para o teclado, o que se transformou em palavras digitadas no Word sob um título irritantemente imbecil. E juvenil. Acontece que não nasci para escrever romances desse tipo, sabe, eu nasci para escrever… é. Não sei. Sou ótima em transferir eu para cá, mas daí a escrever histórias sobre quem não existe, tanto mais lá no século XIX…
… ai, eu sou mesmo uma linda. Reli sobre Clara e Tomás e amei a história. Mas apenas a primeira parte. Apenas a parte de Clara. Tenho problemas com diálogos entre personagens fictícios. Eu vivo conversando comigo mesma, diálogos que só existem aqui dentro. E para continuar a escrever a história de Tomás e Clara, precisaria de diálogos mais concisos, não sei, os que saíram dos dois foram infantis demais para o que quero. Para o que gosto. Imaginem só vocês que em um diálogo que aconteceu entre quatro linhas, tive vontade de enfiar um “pegue fogo!” ou “morra!” no meio do ataque de fúria de Clara. Vejam vocês, que coisa. Mas eu preciso sentar e escrever, continuar e terminar. Talvez não sobre Clara e Tomás, muito menos Tomás e Clara, porque o final seria épico.
Depois de uma briga intensa, Clara agarrou-se à todo o ar que podia e explodiu em um só soluço: “Tomara que seu pau apodreça e caia, seu puto!”
E então o lirismo viria e me abraçaria fortemente, só que ao contrário.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

19 comentários em “Sobre Clara e Tomás”

  1. Não sei, mas, é bom escrever de tudo. E eu amo escrever diálogos, inventar situações nas linhas. É uma realidade paralela, pq em algum momento, vc vai se colocar em uma das personagens… ;}
    A gente consegue.

  2. Rs

    Eu adoro criar personagens e quanto mais diferentes de mim, melhor. Mas é claro que, na essência, eles sempre me representam.

    Por exemplo, essa frase da Clara, um personagem meu jamais diria, porque não me sinto à vontade com o vocabulário e isso entra em choque com o que eu disse acima, sobre serem diferentes de mim.

    Eis o paradoxo.

    Beijo, Carolda.

  3. Você me deixou curiosa, aposto que deve ser muito bom! Você tem muita personalidade e escreve maravilhosamente.
    Seu texto me lembrou um pouco a minha vida. Já escrevi muitos livros, mas nenhum terminei. E no momento estou escrevendo um e acredito muito na história.
    Acho complicado, porque as melhores ideias vem quando não estou com caneta na mão e as vezes preciso deixar ele um pouco de lado para poder sentir vontade de ler de novo, meus professores na faculdade – eu faço letras – chamam de fazer o texto “descansar”. O fato é que escrever um livro é muito bom, esse processo é muito gostoso!
    Boa sorte a você e se um dia, ele “nascer” realmente gostaria de conhecê-lo.
    A respeito do outro texto meu, escrevi sobre uma ex -amiga que muito me fez mal. Ela não respeitava o meu jeito de ser e não queria que eu fosse feliz. Me afastei, sofri e escrevi aquele texto. Só depois percebi que tenho alguma coisa em comum com ela, mas foi o que vc falou tudo depende do ponto de vista!
    BEIJOS
    volte sempre;D

  4. Ih, pensei que fosse só eu… com rascunhos de histórias no word. Preciso também terminar, e me conter a ansiedade do fim (depressa maldita).

    E essa sua história me parece legal à bessa. Beijo querida!

  5. Oi, Carolina, bom dia!!
    Se formos ler todo dia o que escrevemos, no word ou num papelzinho perdido entre aqueles papéis inúteis-úteis que guardamos, vamos acabar modificando a história original 365 vezes num ano que não for bissexto.
    Infantil, juvenil, iniciante… – que importa?! Aquele negócio ali marcou nossa reflexão de uma época, e ficar com ele assim, do jeito que está, é o melhor referencial literário do mundo.
    Deixemos Clara e Tomás serem felizes como foram criados. Eu não gosto que fiquem me mudando. Personagem também não deve gostar e nós mesmos, se tivéssemos um confronto entre aquela ocasião e esta, diríamos: não enche, não mexe na minha história, seu chato!
    Dê-nos um conto ou uma crônica sobre o libanês islamita Tarif e a judia Elisa. Clara e Tomás agradecem…
    Um beijo carinhoso
    Leo

  6. ahhh publica aqui sim Caroldaaaa! eu quero ler!
    e um dos meus primeiros projetos de contos sério também tem uma Clara como protagonista, acredita?

    beijoca

  7. HAHA, mas você sabe que eu leria esse conto com esse pedacinho aí que envolve um pau ficando podre e caindo, né?
    Carolda, sua linda, o teu estilo é uma delícia de tão sincero e não acho que você deva fugir disso. Se você for escrever um conto, ele não vai ser Janeaustensístico. Ele vai ser Caroldístico, com profundidade, com palavrão, sincero e interessante. Eu amo a tia Jane, mas não acho que o seu estilo seja o dela. Então talvez, apenas talvez, escrever sobre influência de Pride and Prejudice não tenha sido muito bom. Ou tenha sido, mas talvez você tenha que filtrar a influência dela e o utilizar o que há de melhor nela em você, do seu jeito.

    Amora linda, saudade de passar aqui!
    Bjs!

  8. Hauheuahuea, Clara parece ter uma personalidade interessante, pelo menos a frase dela transparece isso. Gosto de criar personagens aleatórios, mas depois não sei o que fazer com eles. Até tentei escrever uma ou duas histórias, mas parece que as coisas criam vontade própria e tomam rumos que eu não esperava/queria. XD

    Beijo!

  9. Rs

    Também adoro criar personagens, embora diversos, todos os personagens, creio, tem um pouco de nós, da nossa essência.

    Não me vejo citando a frase mas nada me impede que um personagem o faça.

    Beijo

  10. Achei que fosse só, deixando histórias incompletas no word, nos meus cadernos, rascunhos de posts pro blog. Pois é. Mas boa sorte com seu conto, agora eu fiquei curiosa pra saber a história 🙂
    Um beijo.

  11. Todo mundo pode escrever, amontoar palavras, qualquer um pode, inventar uma ou outra história, por mais ridícula e infantil que pareça pode vender milhões e pronto. Mas uma obra de verdade, dessas que então pra história são feitas do prolongamento de proprio autor, só o que faz sentindo pra ele pode encontrar sentido no outro. Beijos e boa sorte com seus escritos.

  12. HAHAHAHAHA Podia rir? Eu fiquei curiosa pra ler sobre Clara e Tomás. É sério, mas nao vou insistir.

    Digamos que eu ia curtir essa coisa do ''tomara que seu pau apodreça e caia''. Eu já devo ter pensado em dizer isso a alguém pelo menos umas vinte vezes na vida.
    Você é ótima.
    Beijão

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