Delírios de uma mente tepeêmica

Morram.
Eu amo vocês todos. Por que você não toma no cu e morre? Ai, tô tão leve e feliz, vamos ali brindar a vida! É hoje que eu morro, tenho certeza que amanhã vou comer mamão. Faz bem pro estômago e o meu anda causticado ultimamente. Tô com saudade do meu pai. ME LIGA, força nesse pensamento pra ele chegar até aí. Chego a procurar por meu celular, acho, mas morro no meio do caminho, antes de ligar. Mãe, cê já resolveu tudo? TUDO MESMO? Resolve aí, porque hoje eu morro e amanhã a gente come mamão junta. Com mel. Essas piriguetes que ficam aí, cumprimentando meu namorado e me ignorando quando passo, suas tetas vão murchar, secar e cair, BANDIPUTA. Nessa ordem. Mãe, ô, mãe, vou morrer porque vou continuar viva. Cê sabe a diferença entre viver e existir? Nenhuma. É tudo igual e acontece ao mesmo tempo, parem de tentar explicar. Fernando Pessoa. Meu querido, comprei o Livro do Desassossego há meses e peguei pra ler. Ontem? Antes de ontem? Não importa. Comecei a ler e parei no trecho 7, pois tive vontade de jogar o livro contra a parede. Você é foda, mas não quero nada existencial. Nietzsche? Seu porco chauvinista, senta aqui pra gente morrer junto. Também não quero te ler agora. Emily Brontë, sua linda, vem cá. Wuthering Heights está sentado na minha prateleira há tempos, PRECISO ler. Vamos lá, vai ser você mesma, com todo esse ar de romance melado do século XIX. Aliás, te contei que li O Grande Gatsby do Fitzgerald e nem gostei? Quer dizer, gostei, mas não. Irmã, veja só, achei estranho. Vamos ali no Topo do Mundo, sentar e filosofar. Eu devia ter me dedicado mais aos estudos nesse semestre, mas que merda de vida severina de universitário, vou largar tudo e virar hippie e preciso lavar meu banheiro. Cê não tá achando que ele tá com um cheiro estranho? Está sim, é culpa dessa chuva que não para, tô ficando mofada junto com minhas roupas sujas que não podem ser lavadas por causa da chuva. Cê ainda me ama? Sabe, vou voltar a dançar balé, ir morar em Nova York, morrer e voltar pra Toscana. Eu amo todos vocês. Preciso levar ao menos umas duas roupas de cama, uma calça jeans e umas duas toalhas pra lavanderia, só pra me garantir até as férias, ah! as férias. Vou separar uns livros de teoria pra estudar e decidir melhor sobre meu Projeto de Monografia, vou me formar no final do ano que vem e tenho certeza que vou morrer. Essa toalha tá fedendo! TÁ SIM! Vou lavar. Mas tá chovendo, senhor! Tô mofando. Ai, esse calor. SOL, seu lindo. Cê ainda me ama? Meu banheiro tá fedendo. Eu amo vocês. PEGUE FOGO E QUEIME NO INFERNO, CAPETA! Eu não preciso de ninguém.
Bem que alguém podia vir aqui me abraçar, essa vida não tá fácil.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

13 comentários em “Delírios de uma mente tepeêmica”

  1. CA-RA-LHO! Isso parece a descrição quase exata (salvo as suas particularidades, que são só suas haha), da minha semana! HAHAHA Eu fui lendo e segurando a respiração e concordando e pensando ''ta todo mundo louco no mundo ou é o mundo que enlouquece todo mundo?''

    É o mundo. E a gente. É a vida.
    Eu adorei ler isso, haha.

    beijo

  2. Tá tensa hein? rs

    Se serve de consolo, trago um abraço maior que a tensão, para aniquilá-la. rs

    No mais, é um texto puro, que não foi destilado. Tem um sabor autêntico. É isso. Não é desabafo. É verdadeiro e espontâneo. Escoa de vez isso que acentua, que causa relevo no peito.

    É bom.

    Mais um abraço. De urso tá?

    Beijo!

  3. Iw. Odeio mamão. Mas to entendendo teu drama. Quarto do pânico pra que te quero.
    Adorei teu jeito de escrever, um abraço e um beijo :]

  4. menina vou te contar uma coisa: tá comprovado. tpm tem um pé na bipolaridade. te falo disso porque sofro com a mesma oscilação: preciso muito de alguém do meu lado, mas se grudar eu mato! rs..

    adorei o texto fluido “alá” Fagundes Telles. adoro o estilo!

    beijoca

  5. Parece a mente de uma típica geminiana com TPM. Mas me junto a vc no desejo de “tetas murchando” para piriguetes. Hate them all!!
    bjs!

  6. Final de ano deixa todo mundo transtornado, ainda mais se você mora em uma cidade em que o clima não decide se esfria ou esquenta de vez – fora as 'pancadas' de chuva que pegam todos desprevenidos, então é um tal de sair correndo pra debaixo da marquise mais próxima e se proteger como pode.

    Enfim, boa sorte com tudo aê!
    Beijo!

  7. Tô na fase da cólica profunda, que não é muito diferente da TPM-LOCA no quesito chateação, mas pelo menos eu não estou tentando arrancar a cabeça de ninguém. Só sofrendo calada e na minha, rs.
    Olha, TPM não é fácil, por que o comportamento da gente, além de não ser aceito pelos outros, também não é aceito pela gente. Eu sou a primeira a me 'filtrar' – não que surta muito efeito, mas pelo menos eu tento.
    Weslley já ficou me chamando de ranzinza e smurf zangado essa semana, HAHAHA.

    Bjs, amora!

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