Back on The Road

Eis o nome da turnê mundial do Aerosmith. Surpreendendo a todos os fãs, a banda resolveu dar as caras no Brasil novamente. Ano passado eu estava e, como disse, queria mais um show. E de pista premium. Foi assim que fui. Feliz, saí daqui na noite do dia 29/10, de excursão, como fiz no ano passado. Opção cansativa, mas era a que cabia no meu bolso. E acaba sendo divertido, pois todos ali estão na empolgação e expectativa e dá pra dividir a ansiedade. Na verdade eu nem estava ligando muito para o fato de que mais uma vez ia para um show do tio bocudo e sua trupe. Sei lá, comprei o ingresso em maio (ou foi junho?), e de lá pra cá aconteceu tanta coisa… a ansiedade só bateu de verdade pouco antes de eu embarcar no busão e partir pra Sampa. Tanto que veio a notícia do tombo do Steven no banheiro do hotel no Paraguai, o adiamento do show de lá, e eu só ri daquela cara roxa e sem um dente. Nem liguei. Tadinho. Mas vamos ao que interessa.

Dia 30 de outubro
Entrei na Arena Anhembi por volta de 15:30h, meio protestando, depois de ficar mais de uma hora na fila. As meninas que estavam comigo queriam pegar um lugar bom, mas eu disse pra elas que como estávamos na pista premium não precisávamos nos preocupar com isso, que ia ser tranquilo. Enfim. Fui com elas porque não queria ficar sozinha. E olha, valeu a pena. Fiquei GRUDADA naquela passarela, que não devia ter mais de 1,60m de altura. Senti meu coração na boca quando os roadies subiram lá pra poder verificar os equipamentos e coisa e tal, e percebi o quão perto estaria do tio Tyler, tio Perry e o resto da banda logo mais. Senti um certo desespero ao pensar que teria de esperar até as 20h para poder assistir ao show. Desespero que se misturava com a euforia de estar TÃO perto do palco. Esqueci até que tive meu celular roubado no banheiro do shopping, enquanto me arrumava pra ir pro Anhembi. Tinha um roadie simpático rodando por lá, com uma camiseta escrito CAROLINA, achei digno. Pena que não registrei aquele moço simpático. A chuva não tardou a cair, e depois ele só apareceu com um agasalho por cima da blusa que levava o meu nome. Ah sim, teve a chuva, como mais um agravante daquela longa espera. Felizmente eu tinha uma capa de chuva, assim como a maior parte das pessoas, o que salvou tudo. Quando foi chegando perto de anoitecer, o vento frio deixou as coisas meio tensas. Olhei pra um menino todo molhado, que tremia sem parar e estava com os lábios roxos, e senti dó. Só não ofereci minha capa pra ele porque não queria ficar naquela situação. Vejam que coisa. Chuva despencando aqui e ali, garoa, sequei. Até que choveu de novo. E, finalmente, anoiteceu. Já eram quase 20h e eu havia me sentado por, no máximo, uns 15 minutos durante aquelas mais de quatro horas de espera. Foi aí que pensei: é agora. Chega 2012, mas não chega a hora de a banda subir no palco. 20h. Nada. Apenas músicas aleatórias tocando. Alguns rocks, após horas de música nada a ver. A cada música que terminava, vinha a expectativa. Ainda mais depois que aquela cortina gigante desceu pra tampar o palco. Eu gritava, esguelava, todos protestavam, e nada. Até que, depois de longos quase vinte minutos, começa A Cavalgada das Valquírias, de Wagner. Uma das minhas músicas clássicas favoritas de todos os tempos, diga-se de passagem. Foi aí que pensei: É AGORA! E era… A cortina gigante caiu. Alguns vídeos aleatórios da banda começaram a ser exibidos nos telões. Desespero. CADÊ a banda? Não vai subir nesse palco nunca mais. SEUS PUTO. Sério, eu já não tinha mais forças pra gritar. Sentia vontade de rir chorar ssjdksfldg. AÍ, aos poucos, os integrantes da banda foram se juntando no telão:

MORRI. ELES ESTÃO ALIIIIIIIIIIIII, CAPETA! Mas não. Era só uma imagem gravada. Vejo Joey Kramer sentado em sua bateria, quietinho. A Cavalgada continuava tocando. BANDIPUTO. Eu vou morrer, tinha certeza disso. Meu coração batia tão rápido que mal podia senti-lo aqui dentro do peito. Até que: tcharaaaaaaaaammmmm! Lá estavam Steven Tyler e Joe Perry, subindo por uma escada lateral do palco, que dava pra passarela. Ali estavam eles, gloriosos, a poucos metros de mim. PUTAQUEPARIU, foi aí que tive certeza que meu coração não estava mais batendo dentro do meu peito. Ele tinha pulado e estava batendo ali, na cara daqueles dois. Draw The Line tocava. Eu sempre me embolo nessa letra, então o que saía da minha boca eram gritos e algo como sajdkshjdkhsdjkkkfh. Beautiful. Depois que a banda entrou no palco, entrei numa vibe que me dominou o resto do show. Era um misto de euforia, alegria e estupefação (!?) por estar TÃO perto de caras que marcam minha vida desde 1997. Passei o show inteiro com um nó na garganta, tinha ataques de riso e, por várias vezes, enquando via algum deles vindo pra passarela, sentia meus olhos mareados e a vista ficar embaçada. Só conseguia pensar que nunca mais nessa vida vou em show de banda que amo sem ser na pista premium. Vale cada centavo. Mesmo que em certos momentos eu ficasse meio apertada e sem como me mexer. Mesmo quando levantei os braços pra cantar empolgadamente e não consegui mais descê-los por umas duas ou três músicas seguidas. Mesmo quando fiquei na ponta dos pés e, quando resolvi descer, percebi que não conseguia colocar o pé inteiro no chão. Perdoei até aquele filho-da-puta-que-perdeu-a-mãe-na-zona que me deu uma cotovelada irritadinho porque não conseguia levantar o braço e eu filmava a Dream On. Cagou com meu vídeo e minha vontade de filmar. Aliás, fiz mais videozinhos do que tirei fotos. Mal pude acreditar quando ouvi os primeiros acordes de I Don’t Want to Miss a Thing – dá pra ouvir meus “noooooooooossa, não acredito”, e minha voz meio desafinada cantando no vídeo que fiz desse momento. E o resto da Arena Anhembi cantando a música com o tio Tyler. E a chuva caía. Também teve o solo do Joey Kramer… DIGNO. Jamais vou esquecer aquela carinha de felicidade dele quando todos começaram a gritar: “Joey, Joey…” coisa linda aquela emoção estampada no rosto dele. E bem digo que essa foi outra hora que meu coração pulou e ficou batendo ali, nas batidas de sua bateria. Eis aqui uma foto linda que tirei desse momento:

Sim, é minha. Coisas que a pista premium te proporciona. Se eu tivesse uma câmera melhor, teria tirado fotos perfeitas e feito vídeos mais perfeitos ainda. ENFIM. Tenho uma simpatia ENORME pelo tio Kramer, sério. Sempre tive. Assim como pelo Tom Hamilton. Consegui fazer uns dois vídeos bem legais dele, pois ele ficou parado bem em frente de onde eu estava. Dá pra ouvir meus gritos pra ele. Heh. Simpático. Tentei tirar fotos e fazer vídeos de um ângulo bom do Joe Perry, mas ele insistiu em ficar de costas pra mim. E não abriu um sorriso sequer durante o show. Típico dele. O contraste da cara de mau-que-nem-o-pica-pau com a simpatia do tio Tyler. E a chuva seguia caindo. Os clássicos foram vários: Amazing, Cryin’, Last Child, Mama Kin, Jane’s Got a Gun, Same Old Song And Dance, Sweet Emotion… e por aí. Algumas repetidas do ano passado. Lembrei várias vezes do namorado. E o tempo inteiro quis que minha irmã estivesse ali comigo, afinal de contas Aerosmith fez e faz parte de nossas vidas juntas. Depois de quase duas horas de show, eles se despediram. A clássica. Estava exausta, exaurida e extasiada. Voltei pra casa com a certeza de que ainda vou em outros shows. Mas que fogo no rabo, hein! ouvi esses dias após anunciar que se eles vierem de novo, irei com certeza ao show. Não posso morrer sem dar um abraço em cada um deles, agradecendo por tudo o que me fazem sentir.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

9 comentários em “Back on The Road”

  1. Admiro de verdade quem se sacirifca, passa até perrengue pra estar perto de um ídolo. Deve ser uma sensação mágica de satisfação e superação.

    Não tenho esse espírito, definitivamente.

    Um beijo, Dona Moça.

    =*

  2. Que lindo *_*
    Sem palavras, seu textos sobre a sua trajetória é tão emocionante. Eu me identifiquei tanto! Até um tempo atrás, eu era super rato de shows e passei por vários perrengues, mas só pelo fato de ter ido ao show e ter chego perto., valeu tanto a pena. Sei como se sentiu. Aquela sensação gostosa, querer congelar o tempo. Aí que delícia, ainda por cima com uma banda tão boa quanto Aerosmith. Tens bom gosto e não tenho dúvidas de que valeu cada centavo. és uma sortuda, estou amando te seguir e fico mega contente que tenhas gostado do meu mundinho. Volte sempre viu? Grandes beijos 😀

  3. Já disse aqui que fico doida quando leio suas postagens sobre shows, não disse? Quando você falou sobre o show do Guns, eu consegui enxergar tudo e lembro até hoje. Às vezes lembro de você, quando escuto os caras.

    Hoje não foi diferente. Uma prima minha saiu daqui e também foi pra esse show, mas os relatos dela não chegam NEM PERTO dos seus. Eu quase arrepio daqui, mesmo nunca tendo sido fã deles.

    QUE COISA LINDA, Carol!

    Um beijo.

  4. Fui no show do Pearl Jam na última quarta, sei muito bem o que você sentiu. E de uma coisa eu tenho certeza: quero pista VIP na próxima! Queria ter podido ir no show do Aerosmith também, adoro os caras! Mas fica pra quando eles voltarem – e que venham pra Curitiba dessa vez! 🙂
    Beijo!

  5. Aerosmith não é minha banda de rock predileta. Mas eu também adoraria ter ido no show, por isso fico aqui, morrendo de inveja das tuas aventuras. Crazy e seu videoclipe MARCARAM a minha infância. Beijão!

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