Tutankamon na minha bunda?*

Ou, simplesmente, da minha aventura no Hopi Hari.
Oi.
Comecei a escrever esse texto ao som de Pink Floyd. Mas Pink Floyd e Hopi Hari não combinam. Foo Fighters é melhor. Tá. Daí que dou aula de inglês num curso de idiomas, e eis que me surgem com uma excursão pro Hopi Hari em um dia, e Wet ‘n Wild no outro. No caso, no final de semana dos dias 8 e 9 desse mês. Cada professor ficou responsável por um certo grupo de alunos. Okei. Saímos na sexta à noite, chegamos cedo no hotel em Campinas no sábado, tomamos café e fomos pro Hopi Hari. A confusão começou na entrada. Mais ou menos uma hora e meia de fila, embaixo de um sol de rachar. Um lado meu se arrependeu amargamente de ter ido de calça jeans, mas o único short que levei era periguete demais, então… E sim, chegamos bem antes do horário de abertura dos portões. Depois de muito empurra-empurra e suor escorrendo pelas minhas costas, entramos. Nos reunimos para separar as turmas certinho, bem em frente à La Tour Eiffel. Entrei na fila gigante para tomar um pouco de água antes de começar a jornada para ir nos brinquedos. Turmas separadas, bora pra aventura. Todos empolgados, entramos com nossos passaportes VIP’s (e Infectados, diga-se de passagem) pro fura-fila. Não tivemos muito tempo de pensar no que vinha pela frente. Vista assim, a torre é bem simpática. E de perto, a altura de quase 70m não me assustou. Não lá de baixo. Beleza. Entramos correndo, cada um se senta em seu devido lugar. Sinto um leve friozinho na barriga. Todo mundo com as traves de segurança, e pronto, a subida começa. Eu e mais uma professora vamos rindo e conversando, enquanto a aluna sentada ao meu lado solta: “Gente, o que eu tô fazendo aqui DE NOVO?” Olho pra cara de desespero dela… olho à minha volta. Mais ou menos no meio da subida, viro pra professora: “isso aqui é alto pra CARALHO, hein”. Ok. A subida continua. Alguma música do Foo Fighters estava tocando, mas não me lembro qual era. Sinto um certo pânico tomar conta de mim. Ouço um professor, sentado lááá do outro lado, gritando: “pelamordedeus, desce essa porra logo!”, e ainda nem tínhamos chegado no topo. Começo a rir desenfreadamente: “Mas a gente não vai chegar no topo NUNCA MAIS? OLHA A ALTURA DESSA BUDEGA!” Chegamos. Desespero. Ouço mais gritos do outro professor. A única coisa que conseguia dizer, ou melhor, berrar, era: “CAI LOGO!” Contei os três primeiros segundos, nos sete restantes eu só conseguia rir. Sim, a espera é de dez segundos, contamos antes de chegar nossa vez. Foram os dez segundos mais longos desses meus 27 anos de vida, bem digo. E enfim, caímos. Senti meu corpo sair do banco, me agarrei nas traves, berrei o quanto pude e tive a certeza de que aquela coisa nunca mais ia frear. São cerca de quatro segundos de queda livre. Mas aí, como quem não quer nada, os freios funcionaram! Não sei o estado exato em que cheguei lá embaixo. Só sei que não sabia se ria ou se chorava. Quando vi que estava no chão, fui tomada por uma sensação deliciosa, mas não achei forças nem pra levantar a trava de segurança. Ria enquanto observava o público ali presente nos aplaudindo e rindo das nossas caras de desespero. HA. Seus puto, esperem só a vez de vocês. Pedi ajuda pra abrir aquela trava e levantei meio cambaleante, rindo desenfreadamente. Assim como todos. O professor que berrava do outro lado lá de cima mal conseguia ficar em pé e tremia mais que bambu na ventania. Outras alunas choravam. Devia ser a emoção de saber que o freio funcionou e elas não morreram. Acho que minha euforia veio dessa certeza. Só sei que saí dali com a certeza de que aquele seria meu brinquedo preferido, mesmo sem ter experimentado os outros.

Next: a quinta maior montanha-russa do mundo, toda feita de madeira, mais conhecida como Montezum. Coisa linda de se ver. Sempre fui apaixonada por montanhas-russas. Meu Bolinha já havia me alertado que, apesar de não ter looping, ela era TENSA. Assim que chegamos na fila, li o aviso de que a espera pra embarcar era de quatro horas. SALVE o fura-fila o/ Entramos na fila, e observámos o percurso que era feito de ré, ou Direversi, por causa da Hora do Horror. Depois de muita discussão e algumas desistências, decidimos que só iríamos no percurso normal, e que deixaríamos quem quisesse ir de costas passar na nossa frente. Doce ilusão. Assim que chegamos lá em cima, descobrimos que o fura-fila era SÓ pro Direversi, sem opções. Pânico. Senti meu coração na boca. Mas não ia desistir, já estava lá em cima e tinha ficado mais de uma hora na fila. Segurei forte na mão da aluna que me pediu pra ir ao lado dela e fomos. Embarcamos e fizemos questão de sentar ali no meio. Rezei para tudo quanto era santo. A tiazinha falava as instruções. E eu rezava. Enquanto subíamos, vi que a aluna ao meu lado estava extremamente tensa, e falei com ela pra tentar relaxar o que fosse possível, porque dura daquele jeito ela ia acabar se machucando no balança-balança frenético que eu sabia que nos aguardava. E então, a primeira descida. Gente, só estando ali pra saber como é. Eu gritava, berrava, e me segurava. Tinha certeza que ia acabar voando dali a qualquer momento, era tipo como estar dentro de uma batedeira, só que ao contrário. JURO que tentei curtir o percurso, mas a minha tensão de estar descendo aquilo tudo de ré não deixou. Senti meu pescoço dar um tranco em uma das curvas e pensei: “Pronto, fudeu, nunca mais vou me mexer!” A aluna que estava ao meu lado mal se mexia, só ficava com a cabeça baixa. Pude jurar que aquilo ali nunca mais ia acabar. Esse vídeo aqui foi o que representou melhor aquilo tudo pra mim. E ri alto vendo o desespero desse povo aí, mais ainda quando lembrei do meu. Coisas de adrenalina pura. Só sei que saí daquela batedeira ambulante morta, sem querer ir em mais nenhum brinquedo.
Depois de comer, fomos no Rio Bravo pra dar aquela refrescada. Confesso que não fiquei tão feliz com aquele monte de água jorrando por todos os lados, mas eu precisava me refrescar. Já à noite, na Hora do Horror, fomos no Laboratório. Ri horrores lá dentro, com aquela zumbizada ambulante. Um zumbi-sem-mãe veio correndo com um desfribilador nas mãos (que soltava faíscas), adivinha atrás de quem? Devia ter umas 30 pessoas ali, mas ele ME escolheu. Coisa linda. Gritei alto quando outro zumbi-sem-mãe surgiu do nada e deu um berro no meu ouvido. Preguei na parede, enquanto jorravam água na minha perna e em um pedaço da bunda. Diliça! Saí viva… e molhada, de novo. De resto, nada mais emocionante aconteceu. Exceto quando fui ao banheiro e dei de cara com um zumbi mothafucka no meio daquele monte de gente. Por pouco não trombei naquela coisa gigante, que ficou me encarando com aquela cara linda. Provavelmente ficou me esperando gritar, mas só saí em direção ao grupo, que já estava indo embora.
Me diverti? Sim. A maquiagem dos zumbis era muito bem feita, o parque é bem montado, mas é gente demais, pra todos os lados. Se volto? Quem sabe… com Tutankamon na minha bunda.

* Sim, esse é/era o nome de uma comunidade inútil no orkut.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

4 comentários em “Tutankamon na minha bunda?*”

  1. Adorei, também me mato de rir nesses brinquedos, não que eu ache graça de fato, é mistura de desespero com alguma outra coisa qualquer que desconheço…ahahahaha

    Beijos.

  2. Ah que saudade que me deu do Hopi-Hari!
    Meu brinquedo preferido é a Torre Eiffel e a sensação é exatamente essa que você descreveu. É um medo enorme, uma aflição sem tamanho e depois que cai vem uma euforia, uma leseira, a gente ri sem parar e quer muito aquilo de novo.
    Nunca consegui ir na montanha russa de madeira, porque a fila sempre estav ENORME e eu tinha a maior preguiça de encarar, mas tenho notícias tensas dela sempre, de gente que sai cheio de hematomas por causa dos trancos e toda essa coisa. Fui só na montanha russa no escuro, que dá medo só por ser no escuro, mas o percurso é bem tranquilo.
    O Rio Bravo só é legal porque normalmente faz um calor desgraçado no parque, e ele ali respigando água pra tudo quanto é lado é um ótimo alívio.
    Beijo

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