Sobre o (meu) Rock in Rio

EU FUI!
Não, nem quero tirar onda. É que meu coração bateu mais forte vendo os relatos de quem estava lá. Só quero escrever sobre como foi minha experiência com essa coisa toda. Só que a minha foi em 2001.
21 de janeiro de 2001, com 16 anos, lá estava eu no último dia do festival e no meio de cerca de 250 mil pessoas, aguardando ansiosamente pelo show do meu querido (e agora, falecido) Silverchair. Nesse dia também teve Red Hot Chili Peppers… e outros. Ah, não me lembro muito bem. Ah sim, teve o tal do Deftones. Show chaaaaato. Me lembro que deitei na grama pra descansar, enquanto o vocalista fazia macaquices pra chamar a atenção público, que não estava lá muito receptivo. Depois rolou um pedido de desculpas por parte dele. Acho que também rolou Capital Inicial. A mesmice de sempre. E aí galeraaaaaaa, do caralhooooooooo.

AH! Já disse que fui com minha mãe? Não, né. Pois é. Eu tinha meus 16 anos, minha irmã só tinha 14, então foi aquela coisa. E normalmente não me importo de sair acompanhada de minha mãe, mas em alguns lugares não dá muito certo. Vejam bem. Em shows de bandas que me tiram do corpo, gosto de estar sozinha, porque posso pirar lá sem que fiquem me olhando com cara de: “minha filha, mas precisa disso tudo?” Ok. Até porque minha mãe nunca foi de reprimir esses momentos de loucura em um show, ela também curte bastante. Só que assim: estávamos no RIR, no meio de mais de 200 mil pessoas. É gente PRA CARALHO. Só estando lá no meio pra ter noção da coisa. Você olha pra um lado, gente. Pro outro, gente. Na frente e atrás, gente. E assim, ir pra um festival desse tamanho, sendo a única na galera que estava com você querendo assistir ao show do Silverchair, não dá muito certo. Lembro que perdi a conta de quantas vezes pedi ao meu primo e irmã para irmos caminhando lá pra frente, porque eu queria conseguir enxergar o palco e quem estava lá em cima. Era fã dos caras desde 1996, queria aproveitar aquela oportunidade de qualquer maneira e nem queria assistir ao show todo pelo telão. Mas era só eu, né? Não adiantou de muita coisa. E eu estava com medo de me perder de todo mundo, ou seja… lembro que ainda estava bem lá atrás quando as luzes do Palco Mundo se apagaram. GENTE, vamo sair daqui logo que o show vai começar! Saí em disparada, de mãos dadas com minha irmã, que puxava minha mãe e enfim. Comecei a ouvir os primeiros acordes do baixo de Chris Joannou na Israel’s Son e PIREI. O palco estava lá na puta que pariu e eu estava perdendo o show. Passei a música inteira pulando e andando, desesperada. Ainda bem que nessas horas não aparece nenhuma câmera oculta pra filmar a gente, porque olha. Não me lembro de quanto tempo fiquei andando/pulando no meio daquela multidão. Parei algumas vezes pra curtir uma música ou outra. Me lembro da Emotion Sickness. Paint Pastel Princess. As piadinhas sem graça do Daniel Johns e ele pedindo pra gente apaludir o Ronaldo Fenômeno, pois eles eram amigos. Ok. Anthem For the Year 2000. E a roupa prateada brilhante do Daniel. Até que cheguei em um ponto que conseguia enxergar um pouco melhor a banda no palco. Foi quando tocaram a Freak… música que encerrou a participação deles no festival. Eu pulando freneticamente, cantando até perder a voz… é, foi a única hora que me entreguei totalmente ao show, sem medo de ser feliz. Sim, na última música. Ou, simplesmente, sem estar preocupada se ia conseguir enxergar o palco. Fora que o show só teve uma hora de duração. Fiquei putíssima. (Felizmente, a banda deu as caras no Brasil em 2003 novamente, e pude curtir um show digníssimo em BH).
Daí veio o show do Chili Peppers. O mais esperado pela galera. Ok, vou curtir. Pensei. Só pensei. Minha irmã surtou e fugiu lá pra frente pra assistir tudo longe da minha mãe e sumiu. É, sumiu. E quem aguentou o desespero da véia? Moi. Sinceramente, eu queria morrer. Sumir também. Até que conseguimos enxergar minha irmã, e saí em disparada em direção à única árvore que havia dentro da Cidade do Rock. Seca, coitada. Era o ponto de encontro do meu primo. E de todo mundo que estava lá dentro. E sim, por incrível que pareça, dava certo de todo mundo se encontrar ali, sem empurrões nem nada. Econtrei meu primo lá, inclusive. Sentei ali, e, de cara emburrada, só ouvia o público e a banda no palco. Os fogos de artifício. Fim.

Os pontos negativos foram vários, mas não me arrependo de nada. Me arrepio só de lembrar que estava aqui, no meio dessa confusão toda. O festival em si é delirante. Jamais vou me esquecer daquela música que todo munda cantava, e que eu nunca tinha ouvido na vida, quando entrei na Cidade do Rock: e um jeitinho de falar que me piroooooou, que me pirou o cabeção. E nem da versão cômica que criaram pra Californication, da qual só me lembro da: eu sinto mas eu não me queixoooooooooo. Mas é claro que eu queria (e muito!) ter participado de outros dias do festival. O dia do Guns N’ Roses. E o do Foo Fighters. Nem foi tanto por questão de preço de ingresso (me invejem: paguei R$25 de meia-entrada pra um dia… o que 10 anos não fazem), mas sim de mãe e mimimi’s afins. Quando vi os anúncios pra edição que está acontecendo nesse ano, nem me empolguei muito. Até porque pra me fazer passar por essa exaustão que a maratona de shows causa, só mesmo um Foo Fighters, claro. Ou AC/DC. Mas esses aí, prefiro conferir em um show individual.

Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

9 comentários em “Sobre o (meu) Rock in Rio”

  1. Eu sou da turma do POP, que queria ter ido sexta-feira pra berrar e me emocionar com Katy Perry e Rihanna, hahaha. Quem sabe no próximo! *_*

  2. Amo seus relatos de show, Carol. Olha, se tem uma coisa que não tenho pique é pra Rock In Rio e festivais enormes. Só fui em um festival na minha vida, o Just a Fest, onde tocaram 3 bandas, duas que eu amava muito (Radiohead e Los Hermanos), mas o show que eu não curtia, que durou só uma hora (do Kraftwerk) foi um SUPLÍCIO, eu queria morrer, fugir, deitar, dormir, chorar… Quase que desanimo pro Radiohead que veio depois. Se o show deles não tivesse sido TÃO SENSACIONAL, eu provavelmente ainda teria saído com raiva.
    Nesse show eu fui com meu pai, e claro que eu também fiquei beeeeeeem mais atrás do que eu ficaria caso estivesse sozinha ou com meus amigos. Isso foi chato, mas não reclamo, se não fosse ele ali aguentando aquilo tudo eu não teria visto os shows. Agora, NADA se compara à experiência do meu primeiro show sozinha, onde fiquei na grade, fiz extravagâncias, saí sem voz, cabelo escorrendo de suor, podríssima mas morta de feliz. Se meu pai me visse… HAHAHA
    Posso falar? Rock in Rio de 2001 teve Foo Fighters, que amo muito, mas eu queria mesmo é ter visto a Britney! #prontofalei
    Beijo

  3. Tu ficou comportadinha pra não preocupar a tua mãe e a tua irmã se jogou no mar de gente como se não houvesse amanhã…rs Que coisa!

    Tenho problemas com multidão, não sei se me sentiria bem num lugar assim mas acho gostoso percecer o entusiasmo de quem gosta.

    Um beijo.

  4. Eu queria muito ter nascido ryca ou então ter como bancar ao menos um diazinho no RIR, porém, nasci pobre e recifense.. além de não ter $$, esses shows bacanas nunca vem pra cá.

    Acho que se um dia o Foo Fighters vier pra cá eu surto, entro em crise de sei lá o quê, porque olha, é tanta vontade de ir em um show deles que nem sei… melhor parar por aqui kkkkk

    beijo!

  5. Silverchair nessa época também morava no meu coração. Acho bonito tanta gente reunida cantando a mesma música mas no momento tenho tido uma aversão a multidões. Deve ser a idade começando a chegar.. =P

    Um beijo!

  6. Olha… relato emocionante, acho que num evento desse porte nem vale muito a pena ficar lá na frente pisoteada só de estar lá e ouvir e sentir a vibe toda deve ser tuuuuuuuuudo de bom.
    Beijão!

  7. Gostei muito do seu relato de sobrevivente do Rock in Rio (é assim que estou chamando meus amigos que foram hahaha). Sei lá, to tão tranquila assistindo de graça pela TV, confortavelmente no meu sofá…não tenho pique pra tanto auê.

  8. uau, você foi que incrível. e que massa que sua mãe foi com você, dez anos atrás, não é todo mundo que tem essa força de espírito né?

    red hot marcou minha adolescência de um jeito! até hoje quando escuto uma série de gargalhadas, bolinhas de papel e falatórios sem fim na sala de aula do colégio viajam em mim coom força.
    saudade!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s