(trans)borda

Só gostaria de entender uma coisa. Uma coisinha só. Vamos lá, tenho cerca de 10 minutos. Eu venho tentando, e muito, vencer velhos defeitos. Sair dessas águas antigas, que já nem deveriam estar mais aqui. Elas já transbordaram, já foram, já fui, não quero mais ser. Não gosto de ter tanta clarice dentro de mim. Cansei de escrever (lis)pectorando. É automático. Simplesmente é. E irrita. Assusta. Eu não queria. Me assustei ao me deparar com todas aquelas palavras que mais pareciam ser minhas. Tive vontade de lançar aquele livro velho contra a parede e gritar: CALE A BOCA, você aí fora que sou tanto eu aqui dentro. Você morta, e suas palavras vivas por aí, dentro de tantos livros e de tantas pessoas. Dentro de mim, e nem queria que fosse assim.
De todas as coisas, só quero saber umazinhas: como é que ainda tem tanto aqui dentro, se já transbordei e afoguei até quem estava aqui fora? Como é que tanto eu transborda? Não pode caber tanto eu aí. aqui. fora.
Bordas. Nem quando as transbordei, me perdi de mim. Tem eu demais. DEMAIS. Sobra. Vou embora.
e nem rimar eu queria.
Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

11 comentários em “(trans)borda”

  1. Tem e sempre terá porque a renovação é constante. Da nossa essência, quanto mais damos / doamos / transbordamos, mais temos.

    Adorei isso, a dinâmica desse texto.

    Um beijo.

  2. Nossa, que lindo. Cheio de sentimento, né amore?
    Pois é. Te entendo em partes.
    Mas, quanto identificação sua nesse pequeno texto.
    Chamaria de Borderline… Não o transtorno, nem a personalidade. Mas, o limite mesmo. Onde sou eu, onde já não sou eu.
    Adorei. E amo… Mto!

  3. É duro quando a gente percebe que a nossa referência virou Clarice, e não mais, sei lá… Veríssimo ou alguma coisa bem feliz e cotidiana. Dói mais assim.

  4. As palavras da Clarice são vivas e sim: estão dentro de muita gente.

    Dia desses eu estava trasbordada e quase me perdi. Me deixei. De alguma forma, hoje, amanheci.

  5. Pois é menina, eu sei como é, Clarice entra na alma da gente com uma força (ou a alma da gente é que encontra identidade nas palavras de Clarice?)

    Beijo!

  6. A nascente de um sentimento é sempre abundante. Por mais que dela saia volumes intensos de água. Sempre está a brotar.

    Almas intensas, verdadeiras, são assim, continuam brotando, a despeito do que já extraíram…

    Beijo doce!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s