(entre)linhas

 Espere aí, estou parindo um texto.
Tem um texto pra sair daqui há alguns dias. Aliás, tem sempre um texto aqui pra sair aí. Ando escrevendo torrencialmente, aqui dentro. Escrevo sempre, todos os dias, todas as horas. Nem todos os minutos. Porque não dá. Parar é preciso, às vezes. Mas ultimamente ando escrevendo até em sonhos. Da vida, de você, de nós. Ainda assim, não consigo preencher todas as linhas. É como se eu andasse eternamente por linhas em branco, e aí fosse preenchendo tudo aos poucos. Só que sinto que existem várias linhas em branco ali atrás. Linhas que jamais poderão ser preenchidas novamente. Bem ali. Dois mil e dois a dois mil e seis. Daquele tempo em que só existi. Ou só vivi? Sempre me perco nessa linha tênue. Tênue. Sempre gostei dessa palavra, simpática. Só sinto que não dá pra escrever por cima das linhas, não posso encobri-las. Elas fazem parte de mim. Preciso escrever logo acima delas, ali, bem rente. Sem linhas me sinto torta. São como meu suporte. Não sei se minha canhotice me ajuda a entortar mais do que o normal. Linhas me dão limites. Nunca curti muito ultrapassá-los. las. Já fiquei presa por causa disso. Dessa minha mania de seguir regras. Perfeccionismo. Medo de arriscar. Não gosto de gente limitada. E ultimamente tenho curtido me entortar. Saio das linhas, mas elas não saem de mim. Até porque mesmo que eu ande torta, preciso de um caminho. Que siga em frente. Me leve para onde quero. Seja lá onde for. E, a cada dia que passa, sinto que minha velhas linhas, que ultimamente têm sem entortado aqui e ali, estão me levando para onde sempre quis. Para onde acho certo. Para ir. Indo. Par(indo).
Pronto, aí está. Pari(do). Ou foi ele que me pariu?
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

18 comentários em “(entre)linhas”

  1. É bom sair das linhas. Entortar vez em quando, deixa a realidade mais amena. As letras as vezes querem sair do papel e se juntar aos nossos pés. Talvez pra dar linha pra vida. Pra mostrar o caminho ou apenas pra soprar o vento certo.

    Um beijo. Me descreveu tanto esse texto.

  2. Quanto talento em uma pessoa só, você me lembra aquelas grandes escritoras, Clarice, Martha. Bom demais guria.
    Sair da linhas é bom de vez em quando, mudar o rumo da historia, do texto, da vida.

  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    Gente, adorei o modo que vc escreveu. Partiu de algo tão simples e acabou percorrendo todo o caminho da vida \õ

    Parabéns pelo texto. Principalmente pela parte que, mesmo seguindo torto, precisa de um caminho… bem profundo isso 😀

  4. Andar nas entrelinhas é sempre muito bom e muito vivo. Às vezes, quando deixamos nos guiar por linhas tortas é que encontramos de fato um caminho.

  5. Que bonito! E eu que não consigo sair das linhas facilmente? Detesto quando me sinto limitada. Queria umas linhas tortas de vez em quando.

  6. Eu já não sei bem…Me sinto como um bloco de desenho A3…Uma enorme folha branca que aos poucos vai sendo rabiscada de qualquer jeito…
    E se não gosto do resultado, jogo a folha fora e invento um novo eu…
    Uns dizem que é loucura, outros bipolaridade, outros ao menos se dão ao trabalho de achar alguma coisa…
    Mas no final, o que importa mesmo é a arte final, não as linhas ou a falta delas 😀

    Lindo o blog, adorei

  7. uau, que texto lindo! e é isso mesmo, por mais que algumas vezes nossa vontade seja de apagar o que a gente já viveu, a graça estar em continuar seguindo.

    escrevendo.

    beijinhos!

  8. Carolina, minha filha que maravilhoso. hahaha Adorei a idéia, a forma e o conteúdo. Eu vejo sua forma de escrever tão natural, solta… é lindo demais.
    Adorei de verdade. 😀
    Também estou sempre escrevendo um texto.

  9. O importante é que elas te levem sempre por caminhos diferentes, proporcionando experiências distintas e marcantes a cada vez. O bonito é você poder nadar na diversidade de encantos possívesi de serem desvendados.

    O importante é achar sempre o que é completo.
    Parir o que é autêntico e te leve ao essencial.

    Beijos!

  10. Sair das linhas, desviar do que foi traçado, mjudar um pouco… tudo isso assusta mas é necessário. E se você pariu ou foi parida, realmente não importa. O fato é que o texto foi uma bela cria.
    Beijos!

  11. eu adoro essa tua febre literária!! hahaha

    então, eu também escrevo enlouquecidamente dentro de mim mesma, mas eu sempre perco cada texto segundos depois… triste vida essa de escritores que não escrevem…

    :*

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