Black Swan

Aronofsky.
As luzes do cinema se acenderam. Minha mãe caminhava ao nosso lado, nos encaramos e rimos. Eu, ela, minha irmã. Nós três. Ninguém sabia o que dizer. Nem o que sentir. Gostaram? É. Todo mundo fora do ar, tentando recuperar o ar. E eu sem conseguir chorar.
Tchaikovsky. Vale lembrar que só as músicas dele e toda aquela intensidade de sons em si me deixam em êxtase. E aí veio Natalie Portman, com sua impecável Nina. Tensão. Eu sentia a tensão em cada músculo da personagem. Tive vontade de jogar uma pedra na cabeça dela por não conseguir se soltar. Ser tão rígida. Enxerguei um pouco de mim naquela rigidez. E a odiei mais ainda. Sua respiração deixava minha respiração ofegante. Tensão. Os machucados. A mãe super protetora. A perfeição nos movimentos. As alucinações que me faziam agarrar os braços da cadeira. A evolução… a entrega. A transformação; puta merda, a transformação! Algumas meninas começaram a rir atrás de mim. Estão rindo de quê, bandiputa?, pensei. Esse povo que não sabe sentir me irrita. E enquanto isso, a entrega… pude jurar que, a qualquer momento, Nina sairia voando.

E no êxtase dos êxtases, lá vem aquele final… Nina olhando para a plateia, encarando sua mãe, chorando. Ambas chorando. Senti um nó enorme subindo lá do meu estômago, mas não deixei as lágrimas escorrerem… ela caiu. I felt it… perfect. As luzes do cinema se acenderam. Oi? Morri? PERAÍ, Aronofsky. Eu ainda estava sentindo que meu peito ia explodir, mas os créditos já estavam na tela. Olho para minha irmã, sentada estática ao meu lado, toda arrepiada, encarando a tela. Ah! não era só eu. Ainda não tinha conseguido decidir se chorava se ria ou se. Não sei quanto tempo fiquei ali. Ao levantar percebi que ainda haviam muitas pessoas estáticas, encarando a tela incrédulas. Ah! então não era só eu. Não era só minha irmã. Saí do cinema assim, extasiada, arrepiada, sem saber se ria ou se chorava. Se saía correndo e me entregava nos braços do meu lado negro. Quis ser Nina, quis ser Lily, quis ser todo mundo, quis abraçar todo o mundo. Quis chorar. Deus, como queria chorar!

Do início ao fim, em todos os minutos, Cisne Negro cutuca, dói, incomoda. Emociona. E exatamente por isso merece o Oscar de melhor filme. Aronofsky, melhor diretor… e Natalie Portman.

Aronofsky, Tchaikovsky. Tensão do início ao fim. Tudo termina no êxtase. Sempre o êxtase.

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

12 comentários em “Black Swan”

  1. Ah, que bom que você e a Anna (aqui de cima ^) gostaram.
    Eu tô louca pra ver esse filme, louca, louca *–*

    (cara, já perdi a conta de quantas vezes vim comentar a palavra da verificação é sempre 'ouriti'.
    oxe.)

  2. Nunca fiquei tão ansiosa pra ver um filme como estou agora. Vi muuuuitas críticas – boas como ruins – e estou com os nervos a flor da pele. (aqui no cinema do Acre, esse filme não ficou em cartaz ¬¬)
    Fiquei sem fôlego lendo o texto, e mais ansiosa ainda.

  3. Todo mundo falando, todo mundo comentando, todo mundo elogiando e eu sem a menor vontade de assistir. Parece chato desde o título até os créditos finais.

  4. Podes crer, também fiquei assim. Esse filme é muito bom e consegue nos deixar impressionados do começo ao fim. A gente sente a angústia da personagem e sua satisfação no final do filme. Muito foda!

    Beijo! ^^

    Ps. acho que eu é que ando realmente sumida. Perdi o jeito pra escrever, sabe? E pior, pra ler também. Adicionei teu novo link lá. *_*

  5. Pois é, Carol. Li o post de Anna e terminei baixando Black Swan no mesmo dia, para assistir. Só que aí o namorado quis assistir junto e então ficou pra hoje à noite a nossa sessão 'cinema em casa', rs.
    Quando eu assistir, te conto o que achei. 🙂

    Beijão, sua linda!

  6. Dizer que o filme é tenso e perturbador pode ser bem clichê, mas não me vem outra palavra no momento que possa defini-lo.

    Só em ver aquele quarto todo rosa e uma mãe alucinada, Cisne Negro já nos causa algum mal-estar. E quando se mistura às loucuras da cabeça de Nina, ficamos assim: estáticos em nossas cadeiras.

    Não vou te dizer que é a melhor produção que já vi e nem acho que o fato de um filme ser indicado ao Oscar, signifique que ele seja tão bom assim. Mas no meio de tantos filmes feitos apenas pelo lado comercial, Cisne Negro dá a sensação de que conseguiu instigar o público e levar um pouco de incômodo, e quem sabe pensamento, para as telas.

    Beijos

  7. Sério, eu preciso realmente assistir este filme. Leio muito sobre o que dizem. Parece instigar de uma maneira bem intensa. Por todos os conceitos presente na atmosfera do filme ao todo. Quero ver. rs

    Beijos!

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