Confissão

Deixa eu falar: o céu despencou e o ar agora está mais leve. Fui lá fora e o ar tinha cheiro de chuva, terra molhada, com sabor de chocolate. Pois muito bem, tem uma cólica filha da puta, e veja só, esta é mais filha da puta que qualquer outra porque ela é fora de hora. A época de cólicas já foi. Mas deixa eu falar: meu breve passeio lá fora me levou de volta àquele dia em Ouro Preto. Não me pergunte o porquê, só sei que fui parar lá. E então tive vontade de te fazer uma confissão. Ou confissões. É sobre essa coisa de ter o que quero. E esperar pelo que vem. Estava acostumada a não ter. A esperar quem não vem. Blá, blá, blá. E aí, você. Você sabe. Os olhares enquanto jogávamos detetive, naquela primeira vez em que nos vimos. Olhares distraídos, sem segundas intenções. Olhares divertidos. Dias depois, você beijaria um homem de cavanhaque? A cantada barata que funcionou. E dias depois, Ouro Preto e todo seu charme. Naquela época em que éramos bastante incerteza. Combinamos a hora que nos encontraríamos. Você me ligaria. E aí, eu. Deu a hora que você havia combinado, e nada. Meu celular simplesmente não tocava. E aí, eu. Minha ansiedade começou a subir todos os andares aqui de dentro até chegar à minha garganta. Foi aí que tive meu ataque de pessimismo: pronto, ele não vem. Não adianta, Carolina, desiste. Ele não vai, e nem você. Você vai passar mais um fim de semana em casa sozinha. Esperando outro que não vem. Ele provavelmente nem te quer mesmo. Esquece. Relaxa. E foi aí, meu bem, foi aí, perdida em meio aos meus devaneios ansiosos que o nó na minha garganta saiu e tudo começou a doer… e quando percebi, meus olhos estavam molhados. Eu estava chorando. Me xinguei e esperneei, que diabos eu estava fazendo? E foi aí, no meio dessa ansiedade sem necessidade e mais aquelas lágrimas doloridas, que meu celular tocou. Era você. Ri desesperadamente. Você viria. Você veio. Tive um final de semana digno de ser guardado bem aqui dentro. Você veio. Se foi. Mas voltou. E continua vindo. E puta que pariu, como vem!
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

9 comentários em “Confissão”

  1. Nosso erro é sermos pontuais demais. Se atrasa um segundo sequer, já pensamos mil coisas. Eu sou assim, sempre penso o pior e me surpreendo quando ele aparece. rs E é saudável relembrar do que foi bom 🙂

    Beijos.

  2. Vemnimim! Rá! (:

    É engraçado, como algumas lembranças colam, né? E tem certos momentos que pedem para trazermos elas de volta, revivermos, detalharmos. Eu, particularmente, sou mestre em fazer isso.

    Enfim, eu quero mais é que esse seu você continue sempre indo pra você.

    Beijão, xuxuamn!

  3. Tem momentos que realmente marcam muito. Eu e Weslley temos tantos que eu guardo aqui dentro que já perdi a conta. Sou ruim de matemática, mas sou boa em amar. Juro como sou!

    Beijos, amiga!

  4. hahahahaha que liiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiindinho! mimimimi deu um pouquinho de inveja ó mas eu juro que eu nao vou mandar vibraçoes negativas. hahaha
    adorei a forma como escreveu, pareceu um conto e eu fiquei anciosa pra saber se no final ele viria haha

    beijao

  5. Ainda vou colocar você no mercado de monólogos – vamos ficar ricas! 🙂
    Adorei o texto. Demorou pra cair a ficha de quem era “Carolina Fiuza” no facebook, mas não liga, não enxergo um palmo na minha frente! kkkkkk
    beijos!!!!

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