Avaí?

Por que quase todas, quiçá todas, as modelos dizem que eram as rejeitadas da turma quando ficam famosas? A que era alta demais, dentuça, gordinha, baixinha. Os meninos não prestavam atenção nelas, coitadinhas. Então, já que depois de superar esse trauma todo de rejeição na infância elas ainda se tornaram mulheres lindas e poderosas, sinto vontade de compartilhar com o mundo que o mesmo acontecia comigo. Não, eu nem virei uma modelo de sucesso. Mas virei mulher. Por enquanto meio perdida no quesito sucesso, mas ainda assim, mulher.
Voltemos no tempo. Sempre fui na minha. Muitas vezes preferia ficar sozinha, me sentia mais leve. Até porque nas brincadeiras com meus primos o pior sempre sobrava para mim. Eu sempre era a personagem que tinha menos valor nos teatrinhos que fazíamos. Os bombons mais gostosos da caixa eram repartidos entre eles e eu sempre ficava com o que era pior. Ai de mim se enfiasse a mão na caixa para escolher o que eu quisesse. Ou eu comia o que eles escolhiam ou não comia nenhum. Até que, em mais um belo dia de sol daqueles vários fins de semana de brincadeiras na lama piscina grama, eu achei um bombom delicioso no meio daqueles rejeitados por meus primos. Avaí. Minha memória me trai, mas cismei que o nome é esse. Ah, eu tinha lá meus 5, 6 anos, give it a break. Também não me lembro se era da Garoto ou Nestlè, mas não importa. Ele era delicioso. Depois de minha descoberta sensacional, eu sempre ficava ansiosa para o momento em que iam abrir aquelas caixas de bombons. Enquanto todos brigavam por aqueles deliciosos e famosos, eu esticava minha mão calmamente e pegava o meu querido rejeitado. Às vezes eram três, todos meus. Ninguém brigava por eles. Eu não precisava brigar por eles. Podia pegá-los da caixa tranquila e feliz que ninguém ia sair correndo atrás de mim. Mas aí eu cresci. E esqueci daquele delicioso Avaí. Se é que era este mesmo o nome. Mas tanto faz. Ele era delicioso. Acho que pararam de fabricar há anos. Não me lembro quando foi a última vez que procurei por ele. Muito menos qual foi a última vez em que comi um dele. Joguei no Google, mas só apareceram coisas relacionadas ao time de futebol. Mas tenho certeza de que se eu visse aquela embalagem amarela com um coqueirinho (ou seria palmeira? Minha memória me trai novamente.), reconheceria o meu querido rejeitado de imediato. Ah! que delícia de nostalgia.
O que teria sido de mim sem você para adoçar minha amargura de criança rejeitada? e de você sem eu para devorar toda sua rejeição? Agora me diga algo mais, meu querido rejeitado Avaí, o que aconteceste a ti?
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

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