O brownie

Outro dia eu tive um orgasmo gastronômico. Comi um brownie estupidamente delicioso – daqueles com chocolate até mandar parar e da melhor qualidade, que derretem na boca, e que me faz mandar minha intolerância à lactose pra puta que pariu. Pois é… delícia gastronômica que fazem numa padaria mara aqui perto de casa. Tá. Daí que hoje minha mãe comprou outro pedaço pra mim. É, só um pedaço, porque o quilo dessa bagaça é quase R$33,00. Um absurdo. Mas ele é tão absurdamente delicioso, sabe. Vale a pena. Daí que mais cedo comi metade do pedaço e fiquei satisfeita até amanhã. O chocolate é forte. Mas então eu me sentei aqui e fiquei lendo os textos da Tati Bernardi… tão cheios de tudo! Vi fotos de filhotes de cães e tive vontade de amassar todos, ter todos. E o pedaço restante do brownie estupidamente delicioso estava aqui me encarando placidamente. Ignorei. Não preciso te comer agora, querido. Amanhã depois do almoço vai ser mais prazeroso. É, realmente não estou com vontade de comer agora. Meia-noite, né? Melhor não. Vou deixar pra amanhã. E então veio aquele vazio repentino. They diiiiiiiiiiiiiiied. Peraí tio Tyler, me deixe pensar. Vazio. O brownie me encara. Escuta aqui, meu filho. Meu vazio não é fome. É saudade, sabe. S.A.U.D.A.D.E. Resolvo abrir uma foto. Olha a carinha dele, gente. Hoje de manhã eu sonhei com você. Só não me lembro se estava acordada ou dormindo. Mas era intenso. E o brownie me encara. Filho, já disse, não é de você que preciso. É aquele ali da foto, ó. Sim, você está aqui e ele lá. Mas se eu te comer, ele não vai aparecer. Não adianta. A foto. Sua camisa tem um desenho que não consigo definir. Me lembra o logo do Aerosmith. Uma fênix? Esquece. Tá bom. Que seja. É algo com asas. Abro a embalagem, pego o garfo e devoro o resto do brownie. Deliciosamente estúpido. Fiquei satisfeita? Não, entupida. Você continua não estando aqui. E nem eu aí. Tem chocolate em todos os pedacinhos do meu corpo. No meu sangue, em todas as minhas células.
Tudo isso pra eu nem ter outro orgasmo gastronômico.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

18 comentários em “O brownie”

  1. Olha só, a vida lhe foi irônica também, mineira e intolerante a lactose. Sou mineiro de nascença, criado em sp por avós mineiros e tenho essa tal de intolerância. 😦

    Mas ó, não vá começar a usar brownie como pra preencher o “vazio”, pois como disse um dos namorados de Phoebe Buffay: It's just food, Monica, not love.

    P.S. gostei da paráfrase que você fez no cabeçalho, ou seja lá como se chama essa figura de linguagem, não sou bom com intertextualidade.

  2. hahahahahaha… tambem tenho disso, essa coisa de descontar ansiedade e saudade em comida. Nenhuma padaria aqui perto vende brownie… aliás, acho que nunca comi nenhum hahaha… eu desconto em bombons, doces diversos, pão de queijo… o que estiver mais fácil!!

  3. PQP! Muiiiito bom Carol!

    E a gente é assim, pensa no infeliz abre o vazio que já estava grande e caímos de boca naquilo que nos era tão prazeroso outrora para ver se compensa…e eu nem digo o brownies, mas outras coisas tbm…
    E o pior, sem prazer…é uma droga!

    beijos
    luize
    toxicide.org

  4. sim, risos ao redor do texto =B

    aaaaaaaaaaaah brownie é mara. tem um muffin na starbucks de chocolate que é um brownie praticamente. eu morro de vontade de comer aquilo, sempre que compro devoro em tipo, 10 minutos.

    pena que deixa a gente depressiva depois né?
    ou feliz. chocolate deixa as essoas alegres *-*

    beijos carolda

  5. Perdi a conta de quantas vezes um hamburguer tentou preencher um vazio que exige outro tipo de presença. É incrível que eu não seja uma baleia.

    Fiquei com invejinha do brownie. E do orgasmo gastronômico, embora eu prefira – e certamente você também – o original HAHAHA.

    BEIJO

  6. realmente, é impossível resistir a um brownie… me lembro dos brownies que, de vez em quando, eu beliscava lá na cafeteria que eu trabalhava no canadá… era de chorar no cantinho de tão gostosos!! tinha uma cobertura de chocolate cremoso em cima e pedacinhos de castanha picadas! ai, ai, delícia! eu teria feito o mesmo que você: atacado o brownie sem dó, nem piedade!

    beijos e boa semana!

  7. Porra Carol, tem que se segurar uahuahahu

    Aqui em Uberlândia tem uma confeitaria/padaria linda de viver que chama Mastrella. A melhor coisa do mundo é brownie com sorvete! Estupidamente gostoso e engordativo também. Mas ó, sou mais feliz comendo do que feliz sem celulite. BEIJO ahha

  8. Me deu uma puta vontade de comer esse brownie. Mas é porque nunca comi. rs

    Se não o tem, porque não vai atrás? Corra atrás, minha querida. 🙂

    Um beijo.

  9. Puts… e foi me dando uma agonia ao longo do texto, que eu não sabia se tava com vontade de provar o brownie estupidamente delicioso ou se tava com saudade do meu digníssimo.

    beijo!

  10. Ah, isso é um clássico!!!! Antes de entrar no se blog eu comi dois sonhos de valsa. DOIS!!!!
    Seus textos continuam viscerais.
    beijos!

  11. hehehehe nunca tive um orgasmo gastronômico, mas espero ansiosamente por um brownie me atraia e que fique me encarando…
    Adorei o texto!

  12. Eu acabei de descobrir, e acho mesmo um absurdo… que você tenha intolerância à lactose. Como ficam os petit gateaus da vida? Milkshake? Brigadeiros? Não. Essa vida não dava pra mim não, viu. Brownie é um negócio bom pra caramba, né? Toda aguela gordura, todos aqueles ovos, toda aquela manteiga abundante que faz cada artériazinha nossa clamar por socorro. É bom demais, fala a verdade. A gente morre mais cedo mas morre muito da feliz. Concordo plenamente.

    Beijo!

  13. Huhuahuahuahauahuahuahua.

    Sou louca para ter um orgasmo gastronômica, cara! Preciso muito. Me envia um pedaço desse, certo? Tô aguardando desde já.

    E, ah, já vivi algumas vezes essa tua mesma situação. Encarar comida, encarar saudades, querer ter, preencher com qualquer coisa e resultar em nada. Faz parte, não?

    Beijo nocê.

  14. Ah, tamo na mesma, então. Ando disfarçando solidão e saudade com comida. haha
    Muito bom acompanhar sua angustia e sua delícia com o Brownie. 😀

    Mas passa. ô, há de passar…

  15. É, Carolda querida, a gente nem sempre precisa do brownie. Nem dessas coisas todas disfarçadas de brownie que insistem em encarar a gente nessa vida, algumas maravilhosamente com gosto de chocolate, sim – mas que, além de não nos levar ao tal do orgasmo de sabor, ainda amargam deveras o nosso paladar um tempo depois.

    Que a tentação é forte, é.

    Amei seu texto. Leve, contemporâneo e muito, muito bem escrito.

    Beijo!

    Beijos!

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