Nanana

Escrevi e agora já nem sei se quero mais. Não era isso… ou era? Não importa. É tudo culpa de Gil Vicente. Ente, gente.
Sabe, eu saí correndo do auto da Índia. Não quero ir atrás de especiarias para encobrir coisas ou cheiros podres. Prefiro que seja tudo bem claro, nada de camuflagens. Eu gosto do gosto forte da canela, mas não do que ela encobre. Saí correndo para chegar até você, o mais perto possível. Havia vinho no navio? Não beba tudo sozinho, espere por mim! Ah, você não gosta de vinho. Pois é. Mas lá em 1500 não se bebia vodca. Nem whiskey. Johnny Walker ainda não caminhava. Que tal uma cerveja com os cavaleiros da távola redonda? Não, voltei demais. Fui longe demais. Por que diabos o auto tem que ser da Índia? Lá é longe… e sujo. Mas eu gosto de canela. Vou escrever um auto lá do alto da janela. Não é pra rir, não tem a menor graça. Aliás, é bem chato. Assim como você aí e eu aqui.
E essas rimas todas? Nem sou disso… tá tudo fora do contexto.
Que bosta de texto.
Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

14 comentários em “Nanana”

  1. UAU! Foi só o que eu consegui dizer ao final, rs. Você arrancou todas as minhas palavras, me fazendo sentir apenas as tuas. Belo!

    Um beijo.

  2. E eu amei o texto a ponto se salva-lo para mim!
    Mas engraçado li como se estivesse correndo….despertou algo.
    Amiga, corre logo e junta essa distância ;D
    beijos gatchis saudades!
    Luize
    toxicide.org

  3. Quem disse que o texto ficou horrível? Ele ficou MARAVILHOSO, mesmo nas loucuras, nas ausências de nexo e do estrapolamento de ideias *-* Beijos

  4. Às vezes tenho vontade de mastigar canela pra encobrir aquele gosto amargo que fica na boca quando o peito dói.
    E um auto lá do alto da janela vai ficar bem lindo, desde que tenha vista pro mar.
    Eu sei, nada disso faz sentido. Mas o seu tudo também não faz, então tanto faz.
    Mas de uma coisa eu tenho certeza, bosta, bosta é que não é!

    Meubeijopravocê

  5. Mesmo no confuso a gente percebe essa poética. É também uma alternativa. Desabafo. Palavras desconexas. Fragmentos de revoltas.

    Nadica. Longe de estar fora do contexto.

    Achei divertido esse texto.

    Beijos Carólda.
    =)

  6. ai Carolda, li o texto anterior também, vim comentar nesse.
    Gosto tanto, tanto dos seus textos, da sinceridade que você coloca neles, me identifico tanto.
    Um beeijo!

  7. Conferi o rumo com um golfinho zombeteiro
    Uma baleia branca sorriu em brancura
    Um bando de voadores peixes cruzou comigo
    Um peixe-anjo subiu na vaga e sorriu com ternura

    Contei cada vaga que me afagou o olhar
    Lancei em sorte uma esperança esquecida
    Quanto sal tem a beleza da maresia?
    Para onde viajam os sonhos de uma gaivota adormecida?

    Boa semana

    Mágico beijo

  8. Gostei dessa intertextualidade de obras, pra dizer bonito! haha
    “Johnny Wakler ainda não caminhava…”
    Adorei.
    beijos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s