Ontem

Há dias em que nem eu me aguento. E ontem foi um deles. Então eu me desliguei, só pra não sair mandando gregos e troianos para a puta que os pariu simplesmente pelo fato de eles existirem. Ou olharem pra minha cara sem a minha permissão. Fui olhar o cardápio, te dei oi e você sequer se deu o trabalho de olhar para trás e retribuir. Não precisa esbanjar simpatia, mas ignorar sem motivos é estupidez. Me senti numa vibe Maysa, meu mundo estava caindo. Não tinha forças nem pra olhar pros lados. Ou esboçar qualquer movimento que exigisse algum tipo de força. Só me sentei meio jogada ali no chão, enquanto observava as pessoas e pensava. Meu mundo estava caindo e eu nem sabia o porquê. A sensação daquela mão gelada segurando a minha me trouxe de volta àquelas risadas frenéticas em meio à piadas idiotas e infantis. Ô Carolzinha, você tá tão triste, o que tá acontecendo? Ah, oi… nada. Tô só pensando em algumas coisas, logo passa. Respondi com um nó enorme na minha garganta, querendo me levantar e abraçar aquela colega querida, que demonstrava uma preocupação sincera comigo. Mas não tive forças pra levantar. Só conseguia tentar entender porque eu me sentia o último ser da face da Terra. Me desliguei. De vez em quando voltava a prestar atenção nas pessoas que iam e vinham, riam de piadas que não ouvi e que não me interessavam. Alguns momentos depois, aquela boca cheia de dentes veio sorrindo em minha direção e me deu um beijo no rosto. É feliz cumprimentar gente que a gente gosta. Mas de quê importa? Meu mundo estava caindo e eu não sabia o porquê.
Ontem, naquele momento pós-bandejão, em que eu não tenho vontade nem de pensar, confessei para uma amiga que estava com saudade de ouvir Pink Floyd. Meu iPod pifou, sabe. Era dia de música ao vivo no campus e o carinha estava lá com seu violão e uma gaita, acompanhado de um amigo na percurssão… estavam mandando bem, até chegarem no Pink Floyd. Assassinaram a Mother. E depois, ou antes – não me recordo muito bem, a Comfortably Numb… teve outra também, mas parei de ouvir assim que aquilo começou a me incomodar. É, sou destas, exigente. Fui dar uma volta… me desliguei completamente. Passo por duas pessoas e ouço algo que parece um eco. Tento ouvir melhor o que é. Estão me chamando, será? CAROL! ouvi uma voz que já parecia estar repetindo meu nome há algum tempo. Olhei. Oi, desculpa. Eu realmente não te ouvi me chamando. É, eu percebi. Te chamei umas três vezes. Você tá bem? Vou ficar. Respondi e continuei andando rápido. Por que diabos perguntam tanto? Não preciso sorrir o tempo inteiro, de vez em quando tenho o direito de me sentir mal. Me deixem. Então eu paro pra pensar naquele cara que toda vez que me vê, diz que estou sempre sorrindo. Encontrei com ele na cantina. Ele tem razão. Às vezes sorrio por nada. Alguém passa e me dá oi e sorrio. É simples. E automático. Eu gosto de sorrir. Até pra quem não devo. Ontem eu não tinha mais TPM. Nem motivos para ficar triste. Mas a vibe Maysa insistia em me dominar. Hoje acordei frenética. Fiquei feliz por nada. E depois puta por nada.

Ontem, eu fiquei triste.
Foi então que resolvi gritar
bem fundo aqui dentro:
vá pra puta que vos pariste!
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

11 comentários em “Ontem”

  1. Não sei por que diabos não temos o direito de também ficarmos tristes! O mundo não é só alegria, de quê adiantaria a alegria se não houvesse tristeza para contradizê-la?

    Teus textos já me fazem falta, mas prometo-te nunca deixar de te ler.

    Um beijo.

  2. hsuahsuahusuhau.
    Carolda, você me divertiu com o fim desse post. 😀
    mas, sabe que também tenho desses dias?
    hoje foi um desses.
    depois de ontem, tudo começou a dar errado, incluindo um assalto, e eu fiquei meio borocoxô.

    a parte boa é que passa.
    bjo :**

    e eu não vou pra puta nenhumaa hsuahshahusahhua

  3. Eu tb tenho dias como esse q vc teve. Eu acordo bem alegre, mas por qualquer coisinha eu dou a louca e não vejo mais graça no dia.
    Realmente tem dias que dá vontade de fazer isso:
    “Ontem, eu fiquei triste.
    Foi então que resolvi gritar
    bem fundo aqui dentro:
    vá pra puta que vos pariste!”

  4. Há sempre o dia em que estamos mais reflexivos, ou de cara virada. É um direito de cada um mesmo. É uma maneira de fazer um “reload” dentro de nós, de extravasar, soltar essa coisa que nos deixa assim puto por nada, mas que as vezes bem.

    Beijo Carólda.
    =)

  5. Eu tô um pouco assim essa semana. Tô tentando sorrir, tentando fugir dessa vibe mais triste, mas está difícil. Parece que às vezes o mundo conspira contra a gente, né?
    Bjitos!

  6. hahahahha

    Adorei!
    Vibe maysa, sem duvida foi a melhor…
    Cara, eu tbm tenho desses dias, e eles tendem a ficar pior quando estou de TPM…
    E quando a gente pensa demais, acabar por fazer mal né? Ficar matutando coisas que não deviamos…
    Até que finalmente, tiramos a força de láá de dentro e “Vá pra puta que pariu!”

    o melhor de tudo isso, é que essa fase passa… ainda bem que passa..

    BjOs.
    adorei o seu jeito despojado de escrever ^^

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