Axl Rose e companhia

Isso aqui vai ser longo. É. Muito longo. E antes que você reclame, o blog é meu e eu falo e escrevo o quanto eu quiser. Um beijo. Agora pegue um café ou qualquer bebida que te agrade e sente a bunda aí pra ler. E seja feliz. Ou não.

Daí que eu fui no show do atual Guns N’ Roses aqui, nesta última 4ª feira. Pois é. Desde que soube que eles viriam pra BH, decidi que não perderia a oportunidade de ver o Axl Rose ao vivo. Ele foi um ícone durante toda a minha adolescência (e da minha irmã também) e coisa e tal. Eu não estava ansiosa, nada do tipo. Afinal de contas, virei fã da banda uns 3 anos depois que ela já tinha morrido de vez, então não criei expectativas. Sabia de todas as limitações do Axl, que a voz dele já não é a mesma, e que ele não é mais aquilo tudo há muitos anos. Vide Rock in Rio 3. Show, aliás, que fiquei muito triste em ter perdido. Enfim, eu sempre soube que nunca veria o Guns do qual sou fã em um palco. Que eu teria de me conformar a assistir shows antigos e ouvir o Live Era 89-93; e apenas imaginar o que seria ver e ouvir a Estranged tocada ao vivo pelo meu querido Slash, e morrer feliz depois de ter orgasmos múltiplos com todos aqueles riffs que arrepiam até os cabelos que não tenho.
Ah sim, o show. Pra chegar ao Mineirinho, enfrentamos nada menos que duas angustiantes horas de um belo trânsito. Fiquei irritadíssima, mas enfim. Chegamos. Quando ouvi a gritaria do público que já estava dentro do estádio, senti borboletas rondarem meu estômago. Principalmente porque disseram que o Sebastian Bach já estava no palco. E a porra do caralho daquela merda de fila da arquibancada simplesmente não fluía. Pelo menos eu tinha minha irmã pra poder dividir a ansiedade e alguns palavrões. Enfim, entramos e fui pra fila do banheiro, enquanto minha irmã foi conferir se era realmente o Sebastian Bach que estava no palco, porque lá de fora não dava pra distinguir coisa alguma além dos gritos do público. Não, não era ele. A banda era a brasileira, que tinha acabado de sair do palco. Nem lembro o nome. Não importa. Minha irmã chegou no banheiro eufórica, dizendo que a estrutura do palco era uma loucura e que eu tinha de ver aquilo logo. Alguns minutos depois, entrei em um Mineirinho quase lotado, na parte de trás do palco… pirei com o tamanho daquilo! Seis metros de altura, um telão gigante, mais dois menores ao lado e mais aquilo tudo. Irmã e eu logo nos ajeitamos lá em cima da arquibancada, procuramos por um lugar onde a acústica não seria terrível. Ruim seria de qualquer maneira. Esperamos pelo Sebastian Bach pra poder conferir… e sabe, o cara mandou muito bem, canta pra caralho e deu um show de simpatia. Arriscou algumas frases em português, mas o que eu mais adorei foi aquele sotaque dizendo: “Belo Horizonteh, vamox cantaRRR, vamox pulaRRR”. O público delirou com umas três músicas do Skid Row, mas eu não sabia cantar nenhuma. Enfim. Tentei não me empolgar muito, pois ainda tinha de guardar energia e minha voz pro show do Guns. Não sei por quanto tempo o Sebastian ficou no palco, mas sei que me cansei e me sentei algumas músicas antes de ele se despedir. Daí pra frente o tempo até que passou rápido. Eu e minha irmã lutamos por um bom tempo até acharmos dois copos de água (a R$3 cada) pra comprar… nos sentamos de novo e quando menos esperamos, todas as luzes do Mineirinho se apagaram. Nos desesperamos, gritamos, subi no degrau (que era o primeiro da arquibancada, por isso bem alto) meio desequilibrada. E gritei. Até que eu enxerguei um vulto no palco. Dois. Três. Peraí, aquele ali é o Axl, certeza! Aquele jeitinho de andar é incofundível… as luzes se acendem e lá estão eles. OLHA O AXL ALIIIIIIIIIIIIIIIIII. Eu gritava e pulava alucinadamente. Assim como minha irmã. E o resto das 15 mil pessoas dentro do Mineirinho. Começaram com a Chinese Democracy, mas como não sabia cantar nada, fiquei só pulando freneticamente. A música acabou, e quando pensei que fosse respirar, eles me emendam a It’s So Easy! Eu mal tinha acabado de quase colocar minha garganta pra fora gritando IT’S SO EASY, SO FUCKING EASY quando Axl Rose diz: Do you know where you aaaaaaaaare? Foi aí que pensei: fudeu, é agora que eu despenco aqui de cima pulando e cantando. A música começa, o Mineirinho inteiro pula, eu e minha irmã ficamos tentando nos equilibrar uma na outra enquanto cantávamos e pulávamos freneticamente. Afinal, irmãs são pra essas coisas, né? Se fosse pra se esborrachar em quem estava embaixo de nós duas, que fosse juntas. Aliás, tinha um projeto de adolescente na altura da minha cintura que começou a rodar sua blusa acima da cabeça freneticamente, o que me rendeu algumas espanadas na cara… até que dei um safanão na mão da criança e ele se tocou. E depois parei pra pensar que, com aquela empolgação toda, quem ia despencar lá embaixo na pista era ele, não eu. Welcome to the jungle acabou e eu estava extasiada; vou respirar um pouco, pensei. Mas aí eles me mandam a Mr. Brownstone e mais uma vez quase coloco minha garganta pra fora cantando freneticamente que I used to do a little
but a little wouldn’t do so the little got more and mo-ore/ I just keep tryin’ to get a little better said a little better than befo-ore. E claro, automaticamente dancei com a mãozinha pra cima junto com o Axl: We’ve been dancin’ with Mr. Brownstone/ He’s been knockin’/ He won’t leave me alooooone. Ô beleza que é ser fã, gente. Você sabe até os movimentos que o cara vai fazer… é o tipo de coisa que aquece a alma. Num é? Depois vieram outras duas músicas do Chinese Democracy, as quais eu não sabia cantar também, mas fiquei feliz porque eu poderia descansar minha voz. Daí vieram alguns momentos felizes, tipo quando o Dizzy Reed (eu sempre gostei dele, sei lá porquê) sentou no piano e fez um solo bem bacana. Adorei ver que a carinha dele continua a mesma depois de 20 anos. Sei lá se tem rugas, esse tipo de detalhe não dava pra ver nem no telão… mas aquele sorrisinho é o mesmo. E sim, o ápice do show foi quando o Axl sentou a bunda no piano pra tocar a November Rain. PUTAQUEOPARIU! Ouvir aquelas primeiras notas saindo do piano foi orgásmico. Me emocionei, pensei que fosse chorar por várias vezes, mas ao invés disso só fiquei sentindo aquele nó na garganta. Sweet Child O’ Mine também levou todo mundo ao delírio. Mas pra mim foi ainda melhor quando virei pra minha irmã e falei: bem que eles podiam tocar a You Could Be Mine, né? E segundos após o baterista Ed Motta-versão-magra manda as primeiras batidas da música. Pirei. Mais uma vez. O bis com a Knockin’ On Heaven’s Door foi um momento amor entre Axl e o público. Ele conversou, contou que não tinha dormido de Terça pra Quarta porque o voo dele tinha chegado aqui às 4h da manhã. E que o bar do hotel estava aberto, ele tinha uma piscina no quarto, e mulheres e bebida. Huh. Sei. Manda mais uma aí pra gente, tio. Só que eles ainda continuaram na Knockin’ On Heaven’s Door… no meio de tudo, a música deve ter durado uns 15 minutos. Mas foi divertido. Quando eles terminaram com a Paradise City eu já quase não tinha forças pra pular. Cantei o que minha garganta me permitiu. E assim fui feliz.
Não, eu não gostei do desepenho vocal do Axl em You Could Be Mine. Nem na Nightrain. A acústica-CU do Mineirinho fez com que os instrumentos engolissem a voz dele, que como todos estão cansados de saber, já não tem a mesma energia de antes. E o resto da banda? Bom, eles são bons. O tal do Bumblefoot arrasou tocando a famosa música d’A Pantera Cor de Rosa, adorei aquela versão rock and roll. O tal do DJ Ashba também toca muito, é o mais simpático da banda, porém aquele visual à lá NX Zero me fez cismar com a cara do moço. E resto, é resto. Não é o Guns N’ Roses original, como todos estão cansados de saber [2]. E não, não saí satisfeita do show. E eu sabia que isso iria acontecer. Mas saí feliz. E podremente cansada. O show é realmente muito bem montado, todos aqueles efeitos pirotécnicos, explosões, jogo de luzes… e aquilo tudo. Aqui dá pra ter uma noção do que era o palco. E sobre o que saiu nos jornais locais, ignorei a maior parte dos comentários. Muita gente metendo o pau no Axl, se baseando só no passado. Como se ele tivesse de ser como há 20 anos pro resto da vida. Aham. Evoluam. Até ele evoluiu, vejam só vocês. Ainda existe um algo de rock and roll dentro dele, mas obviamente, tudo dentro de suas limitações. E, na minha humilde opinião, ele ainda tem muito fôlego. Correu bastante pra lá e pra cá. Seguem duas fotos (que achei aqui) do show:

 

E sim, foi foda quando, logo antes de a banda sair do palco, alguém jogou uma bandeira de Minas Gerais pro Axl… ele olhou pra ela, riu e a estendeu enquanto o público gritava freneticamente. Não achei fotos do momento, ainda.

E finalmente, um beijo especial pra você que leu até aqui. Te dedico (:

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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

13 comentários em “Axl Rose e companhia”

  1. Me dedicaaaaaa!

    Carol,

    Me arrepiei te lendo. E me arrepiei mais ainda de imaginar ele gritando: do you know where you aaaaaaaaaaaaare? Caralho! Welcome to the jungle, ao vivo, deve ser de pirar. De pirar. E todas as outras músicas que você narrou me deixaram morrendo de vontade de resgatar o amor que tinha pelo Guns há alguns anos atrás. Bem atrás. E, cara, se Slash aparecesse com aquelas coisas fodidas dele, eu iria ao céu infinitas vezes. É uma pena a formação mudar o tempo todo. É bom que Axl continue, todavia. Assim como Gessinger no Engenheiros. Quando a gente gosta, as coisas sobrevivem.

    TEU TEXTO ME FEZ SENTIR ARREPIOS! [Segunda vez que isso acontece comigo em todos esses anos de blogosfera].

    Obrigada.

    Um beeeeeeeeeeeeeeeeijo, bêibe.

  2. Nossa Prima, que inveja sua. Eu queria tanto ir aqui em Sampa, mas é complicado pq não tenho com quem deixar a Lele e aquela ladainha toda. Cara, não há um mulher no planeta que nasceu nos anos 80 e não tenha nutrido uma enorme paixão pelo Axl. Só de vc contar dele no piano cantando november rain eu já me derreti toda. Aquele clipe maravilhoso dele casando de terno… aff. E eu achei ele bem inteirão pelas fotos, viu? Ele não tocou Patience???
    Ai ai… que bom vc compartilhar. Meu irmão nunca contaria com esses detalhes. Thanks!!!

  3. Pois é, não tocaram Patience… nem Don't Cry. Achei que ficou faltando pelo menos uma dessas duas. Enfim… e eu esqueci de comentar sobre um momento foda: assim que o Axl sentou no piano, a banda começou a mandar as batidas de Another Brick in The Wall… ele começou a cantar e depois ficou rindo pro público, porque o estádio inteiro já estava cantando e nem dava mais pra ouvir a voz dele. Que lindo!

  4. Outro detalhe: por um lado fiquei até feliz de a banda não ter mais o Slash, porque sabe, eu provavelmente teria morrido. Sério. Se eu o visse no palco, pularia lá de cima da arquibancada. Aha.

  5. Me arrepiei te lendo. [2]

    Sério, tive várias crises de arrepio aqui. E eu não escuto Guns. Mas me imaginei na sua pele, indo ver uma banda que eu amo de coração tocar. Não pode ser menos emocionante né?

    Deixa Paramore vir pr'aqui que eu serei vingada, haha. Não morreray mais de inveja! 😉

    Bjs, gata!

  6. Me arrepiei te lendo [3]! Né?!
    Básico! A-do-reeei, minha kerida!
    Eu não conheço muito Guns, nunca fui fan… mais provavelmente eu teria surtado de ouvir November Rain e a tal da Better que te falei! Foi procurar saber se eles tocaram ela! E depois da um jeito de ouvir porque é awesome! Just awesome! Beijo enormeee

  7. Sempre me arrepio de lendo e isso já ia ficar clichê, rs. Me senti pulando junto contigo. Confesso que não conheço o Guns, nem nem os ouvi, mas pela tua narrativa, eles parecem bons. OK, bons são poucos, devem ser ótimos, genuínos.

    Um beijo.

  8. A maioria dos músicos que eu gosto ou já morreram ou já se aposentaram.
    A sua narração ficou perfeita. Lendo eu me senti no Mineirinho, assistindo ao show. Ahhh, sobre o seu texto ser grande não me preocupou. Textos bons, sejam grandes, sejam pequenos eu leio. E o seu ficou excelente!
    Beijos

  9. Carólda, esse teu texto é eletrizante. Você passou uma adrenalina só vivida em um show de rock mesmo. Senti na pele aqui toda essa euforia por essa banda mítica.
    Uau.

    É pena eu estar tão longe dos grandes centros do Brasil por isso. Não aparece oportunidade de assistirmos um show desses, monumental.

    Perfeito linda.

    Beijo.
    =D

  10. Sabe, desde que eu vi o título do post tive vontade enorme de ler. Mas pelo tamanho, só agora tive tempo de vir aqui. E sabe, fiquei emocionada ao ler tudo, como se estivesse lá com você. Que bom que gostou tanto. Bom demais a gente ir no show de quem somos muito fãs, né?

    Então. No show do Aerosmith que teve em SP em 2007, a banda que abriu foi o Velvet Revolver. Cujo guitarrista é ninguém mais, ninguém menos que o Slash. E é, eu vi o Slash de pertinho ali no palco. E ia te dizer que o Aerosmith vem de novo fazer show, já estão vendendo ingressos, e eu se fosse você pesquisava se vão fazer show aí e qual é a banda que vai abrir. Quem sabe não é sua oportunidade de vê-lo?

    Beijo, adorei o post!

  11. Bom, Carol, de Guns eu não sou fã, mas sei muito bem o que é ver uma banda muito marcante na sua vida num palco, a poucos metros de você. A emoção, a comoção, o êxtase, é algo muito, muito mágico, que faz valer o estado que a gente fica depois, as pernas tronchas, a garganta estourada, o ouvido zumbindo, o cheiro de maconha no cabelo, e o bate cabeça. Vale tudo! A gente sai leve, com a alma lavada.
    Ótimo, ótimo post!
    beijos

  12. Certamente não sou fã como você deles, mas só por ouvir as notas do piano tocando November Rain, tudo valeria a pena.
    Bjitos!

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