Pipoca

É, como se eu gostasse que seja assim. Mas sou desde que nasci, então não discuta.
Eu olho, vejo que não tem pra mim. Legal… e me aborreço. Como se fosse o último lugar pra uma viagem ao paraíso. Como assim vocês não pensam em mim? Nem sequer se lembraram que eu também iria querer… não adianta, qualquer resposta que sair daí vai me irritar. E nem adianta vir com essa cara de cu. Me conhece desde que nasci, que às vezes eu reajo idiotamente à situações, mas mesmo assim se espanta. É de propósito, né? Só pra me irritar. Pois então eu digo que tenho o direito de fechar a cara e achar ruim.
E eu lá tenho culpa de sentir tanto assim? Nem vem, essas coisas não são daquelas pra serem colocadas pra fora. Não da maneira que me vêm ao peito no momento. Se eu dissesse o que se passa aqui, aí sim essa cara de cu, de espanto, de como-assim-você-está-pensando-isso aumentaria 10 vezes. Porque isso aqui não é pra entender, é pra sentir. Coisa minha, sabe. Quando eu achar que devo falar, falarei. E perguntar também não dói. Eu não mordo, você bem sabe. Uma vez me disseram que meu olhar era triste, de quem esconde coisas, e que isso assustava. É. Isso porque o cara que disse isso me viu uma única vez, em uma dessas baladas da vida. E ele estava certo. Até certo ponto. Se me perguntam e não tenho porque não responder, eu digo. Tropeço nas palavras, fico nervosa, mas respondo. Tudo depende do quanto a pessoa deve saber. Tudo depende de quem é. De ser. Eu sou dessas que dizem tudo com o olhar. Basta querer enxergar. E sentir. E não se preocupar demais em entender.

Tudo isso saiu daqui neste momento pelos simples fato que fizeram um saco de pipoca de microondas, e comeram tudo antes de lembrarem de mim. Que coisa. Quanta infantilidade. Como se eu quisesse sentir tanto assim. Como se tudo estivesse sob meu controle. Agora dá licença que vou ali enfiar minha cabeça no saco. De pipoca.

Anúncios

Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

10 comentários em “Pipoca”

  1. Ah, Carol, mas são esses pequenos gestos que nos deixam assim meio tristes, revoltadas, o que talvez seja causado pelo momento em que acontece ou porque se parece com uma situação maior.
    E, poxa, essa sensação de que ngm lembra da gente é ruim demais..
    beijos!

  2. Ahhh, eu tava achando o texto bem teeenso, mas acabei dando um sorrisinho quando chegou o ponto da pipoca! E uma coisa me chamou atenção demais no seu post: “Eu sou dessas que dizem tudo com o olhar”-> eu queria ser assim! Acho que não sou não hehe

    (www.caixinhadeopinioes.zip.net)

  3. Eu tenho muito esses súbitos existencialistas que são motivados por coisas muito, muito pequenas. Acho que é assim com todo mundo, a reação tá aí dentro, só precisa de um estopim.
    beijos

  4. Eu ri pra caralho. E me vi demais, nesse meio. Saudades que eu tava de ler também, moça. Perdi todos os meus links, mas agora já te achei.

    Beijoca.

  5. Dependendo do dia, com certeza a gente fica chateada com qualquer coisa. Tudo parece que as pessoas fazem para nos irritar. Mas depois a gente se acalma. Amei seu blog, beijos

  6. “Eu sou dessas que dizem tudo com o olhar. Basta querer enxergar. E sentir. E não se preocupar demais em entender.”

    não somos tão diferentes…
    😉
    entender não precisa, basta notar, basta sentir…

    lindo

    beijos

  7. Ahhh, mas eu me sinto mal quando a minha mãe esquece de me chamar para almoçar, mesmo eu não sentindo fome! Eu te entendo!
    Vc tem um talento! Vc fez um ótimo texto, pq esqueceram de te chamar para comer pipoca. Vc consegue tirar leite de pedra!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s