Frenética(mente)

São quase 3 horas da manhã. Estou ouvindo a Mouth do Bush e pensando em você. Freneticamente.
Meus pensamentos giraram em círculos alucinantes durante toda a noite. Aliás, durante todo o dia. Giraram tanto que tive um ataque de espirros mais cedo, e espirrei até ficar tontinha. Como se tivesse ficado rodando em círculo por muito tempo. Como daquela vez em que eu era pequenina, tinha lá meus 4 aninhos, e estava na sala de casa… meu pai estava sentado no sofá, e eu com uma saia de bailarina rosa me achando a bailarina, abri meus braços e comecei a girar. Freneticamente. Meu pai me reprimiu e disse em meio à sua tão habitual falta de paciência: “Não faz isso que depois você vai acabar passando mal”, ou algo do tipo. Da cena eu me lembro claramente, já minha memória auditiva me trai. Mas eu, como uma bela teimosa que sempre fui, continuei girando e girando… até que eu parei. E a sala continuou rodando à minha volta. Tentei andar até meu pai, mas não me lembro se caí no colo dele por mérito próprio, ou se ele se levantou e me pegou antes que eu me esborachasse no chão. Seja lá como tenha acontecido, a sensação de torpor que tomou conta de mim foi delirante.
Tanto que dormi e acordei no meio de um monte de toca-discos velhos, que tocavam melodias desconsertadas, como um rádio que tocava fita K7 com uma pilha quase sem energia. Então deitei e dormi de novo.
Acordei usando um vestido rosa. Comprido e rodado. Horrível. Odeio rosa. Estava em uma casa antiga, estilo século XVIII. Algarismos romanos são tão chiques! Eu andava deslumbrada pela casa, deslizando meus pés nas tábuas corridas do chão – que tinham frestas consideravelmente grandes, e nem liguei pro vestido brega. Deslizava minha mão pelas paredes, pra ver se aquela casa era de verdade e se eu realmente estava ali. As paredes geladas e o ranger da porta se abrindo confirmaram que tudo era real. Passeava pelos cômodos sentindo as paredes geladas em minhas mãos. Era como se elas tivessem vida e também sentissem; era como se eu pudesse sentir o que elas estavam sentindo. Depois de atravessar algumas portas, parei em frente à uma específica e fiquei pensando se devia abri-la. Meu coração disparou, eu sabia que ali havia alguém me aguardando. Abri e não era você. Era um pseudo-você com um bigodinho ridículo. Fiquei feliz. Coloquei minha mão na boca e sorri timidamente, como uma moça do século XVIII ao ver um rapaz interessante. Corri até a varanda, havia uma piscina lá embaixo… e o pseudo-você já estava lá. Resolvi descer ali pela varanda mesmo pra dar um ar de aventura. Escorreguei, o pseudo-você me segurou e o abracei firme. Assim como ele. Percebendo o inevitável, abri meus braços e fomos os dois parar dentro da piscina. Mais ou menos como naquela cena da versão moderna de Romeu & Julieta, com a Claire Danes e o Leonardo DiCaprio… a diferença é que ali ninguém se assustou. Talvez o pseudo-você, quando resolvi abrir meus braços e me entregar completamente àquele mergulho inevitável.
Acordei nua, toda molhada, com alguém nu, que não era o pseudo-você e muito menos você, dormindo ao meu lado.
Já deve ter uma hora que quero fazer xixi, mas não consegui levantar a bunda da cadeira até agora. E cá estou eu. Já passou das 3:30h da manhã e estou frenética. Meus pensamentos continuam girando e sinto o torpor do sono e de todas essas voltas tomando conta de mim. Voltas, voltas, voltas… estou tonta.
Boa noite, frenética mente.
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

10 comentários em “Frenética(mente)”

  1. Post muito frenético, haha, adoro trocadilhos.
    Gostei muito do link com lembrança + sonho + realidade (ou não).
    beijones

  2. Só pra constar:
    O que eu sentia ontem era realmente forte… ainda é.
    Talvez sempre seja, mas vai saber…

    E sim, há muita dose de realidade em tudo, por mais incresça que parível. A primeira parte é toda real, a do meio são fragmentos de sonhos; sendo que o primeiro era um sonho recorrente que eu tinha quando era pequetita… e o outro sonho é recente 😉

  3. Texto magnífico, você escreve muito bem, Carol :} Vi que você faz Letras, que é o meu sonho, é o que eu pretendo seguir na minha vida quando terminar o ensino médio!
    Enfim, falando sobre o post, que por sinal é muito forte, frenético… É uma mistura do fictício, com sonho e com uma dose de realidade, amei *.*
    Espero também vir a sentir sensações assim algum dia, para ter umas inspirações bem legais também!
    beijo

  4. “Acordei nua, toda molhada, com alguém nu, que não era o pseudo-você e muito menos você, dormindo ao meu lado.” juro que fechei os olhos e fiquei refletindo quando li essa parte. Já vivi isso. Nossa, e te jurou, doeu ler.
    Texto emocionante.
    Muito mesmo.
    beijooos

    Luize
    http://www.toxicide.org

  5. Adorei o desenrolar do teu texto! Uma lembrança, um sonho, vários pensamentos.. gostei da mistura. Ow, ele tá te saindo um ótimo muso inspirador, hein?
    beijos

  6. Texto forte, cheio de lembranças e sonhos. Espero que ao acordar vc não encontre mais outro, ou o pseudo, mas sim ele 😉

    Beijão :]

  7. Adorei o texto! E chega paralisei na expressão ” pseudo-você”! Gostei dela. Grande ideia!

    (www.pollyok2.zip.net)

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