(Re)criando asas

E a minha Nina criou asas… minha , coisa branca, ser mais precioso da face da Terra. Foi morar no Céu dos cães, fazer feliz aos outros que estão por lá. Foram 10 anos de convivência, muitas alegrias, sustos e risadas. Nunca esquecerei a manhã deste 9 de abril, quando recebi aquela ligação, aquele tom de voz: “Carolina? É da clínica veterinária. A Brida infelizmente não resistiu, ela morreu.” Vazio. Pego meu celular e em prantos digo: “Mãe, a Nina morreu, mãe…” Como pode? E agora, qual fuça eu vou apertar? quem vai me perseguir pela casa? me esperar na porta do banheiro? ficar me olhando com aquela carinha de morta de fome e choramingando enquanto eu comia ali no quarto? Ah, dona Brida… nunca vou me esquecer da sua carinha quando me despedi de você naquela madrugada, dizendo: “Ô Nina, você vai dormir aqui hoje…” e você me olhando lá de dentro daquela gaiolinha, abanando seu rabinho e choramingando. Pensei que você fosse resistir, afinal era tanta vida aí dentro… tanta alegria e entusiasmo, mesmo com seu coraçãozinho já não funcionando direito, você não deixava de pular e brincar. Era difícil dizer que você podia estar sentindo alguma coisa tão grave. Mesmo enquanto eu te segurava no meu colo lá na clínica e via sua luta pra conseguir respirar direito, eu tinha esperanças de que ainda ia te ter por aqui conosco por mais alguns anos. Doeu tanto te ver deitada naquela mesa, sem vida, sem responder ao meu carinho… que bela peça você nos pregou.
Mas eu prometo que daqui em diante, vou lembrar de sua força e entusiasmo, e principalmente, desse amor incondicional, sem medidas e preconceitos, sem qualquer tipo de cobrança. Transformarei minhas lágrimas de dor em alegrias e força para reconstituir minhas asas e alcançar meus objetivos.
São quase 5h da manhã. The Final Cut está tocando na minha rádio mental há algumas horas.
Meus ombros estão contraídos há muito tempo e agora me incomodam absurdamente. Deixei minha irmã no aeroporto para sua primeira viagem internacional. Fico tão feliz em vê-la voando e crescendo por aí…
Eu também (re)criei minhas asas, aos poucos vou começando a voar novamente. Às vezes sinto que me deram asas quebradas, que estou voando com remendos, prestes a me esborrachar no chão a qualquer instante. Asas se regeneram, certo? E esse processo de regeneração é longo e dolorido. Estou voando muito baixo, quase no chão… apenas sobrevoando. Sobrevoando minha realidade, voando ainda um pouco abaixo de meus sonhos. Preciso achar a dose certa para descer à minha realidade e conseguir o suficiente para voar junto aos meus sonhos; achar o meu rumo para que o tombo não seja muito grande. Pois não adianta voar alto sem ter pelo menos um dos pés no chão.

will you still hold me tonight?
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Autor: Carolda

Carolina. Canhota, 32, já vivi outras vidas em castelos.

5 comentários em “(Re)criando asas”

  1. Ai, quase chorei aqui lendo seu post…Nunca passei por uma situação dessa, mas meu cachorro fez uma operação mês passado e mesmo os veterinarios falando que ia dar tudo certo, eu fiquei tão nervosa, mas tão nervosa, que não desgrudava dele nem por um segundo antes da operação… 😥Força aí!

  2. ALELUIA amigue.Já estava ficando com crise de abstinência do seu blog. Foi triste quando fui lá e dei com os burros n’água.Que coisinha mais fofa essa cadelinha. Tenho certeza que onde que onde ela está agora, não está mais sofrendo. Odeio total perder quem amo. Então, sinto muito de verdade amiga.XOXOPS: Nunca mais falei contigo no MSN!!!

  3. Imagino o quão difícil e dolorosa deve ser essa partida… Afinal, vejo o quanto as pessoas se apegam aos seus bichinhos, o quanto eles se tornam parte da família, né?Eu não tenho um bichinho de estimação, mas imagino que seria dolorido da mesma forma.Força pra você!Bjitos!

  4. Ahhh, Carol, sinto muito mesmo pela sua cadelinha 😦 nunca ainda sofri uma perda assim, mas acho que é isso aí, guardar a criatura que foi importante pra você com seus momentos felizes!“Voar alto com o pé no chão.” Taê. Gostei mesmo.:*(@o_mar)

  5. Ah que coisa linda esse seu texto sobe sua cã 😉
    Fiquei bem emocionado, mas é assim mesmo, já conversamos sobre isso e você mostrou ser forte e tá passando/passou por isso com naturalidade e fazendo dessa dor, felicidade como você mesma disse ai no seu post.

    Adoroo-te Carol.

    Beiiiijão
    =*

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