Self image 2016

Self image: one’s concept of oneself

Gostaria que isso tivesse saído lá em janeiro, mas não foi. Nem importa tanto, porque também não fui. Completei 32 anos de vida há dois meses, voltei da realização do meu maior sonho há nove meses só para me ver nos vários pedacinhos em que me quebrei há mais de três anos e não saber o que fazer para me reconstruir. Continuo com dificuldade em estabelecer metas e agir, a diferença é que agora aceitei que não sou uma pessoa de meta. Tenho metas. Várias. Sou perdida mesmo, não me encaixo nesse modo de vida que a sociedade insiste em dizer ser o certo, o mercado de trabalho me causa ataques agudos de ansiedade e só sei cantar que society, you’re a crazy breed, I hope you’re not angry if I disagree, I hope you’re not lonely without me. Virei uma manteiga derretida e me pego chorando com propagandas, textos, filmes e afins. Aliás, eu sempre choro quando assisto Mary Poppins. Todas as vezes. Agora mais do que quando era criança. E mais ainda depois de assistir Saving Mr. Banks – em português, Walt nos bastidores de Mary Poppins. Estou passando por uma fase de pico hormonal, tá tudo descaralhado, mas segundo análises médicas, nada fora do normal. Ao mesmo tempo, sei exatamente que caminho seguir, é aquele para onde meu coração aponta e canta. Só me falta ir.

Ps: termino essa autoanálise com esse vídeo da Harley Davidson, que é um desses que me fazem chorar. Assisti duas vezes mais cedo, e chorei nas duas. Arrepiante. Sinta daí.

A ideia do ‘Self image’ é do Eric Schneider.

Por que vocês leem?

2 de junho de 2012
Ah, não sabem ao certo. Certo? Pois então eu ajudo.
Vocês leem porque precisam saber. Saber que aí dentro batem sentimentos parecidos com os que circulam aqui dentro. Precisam saber que a desorganização não é só de vocês. Talvez leiam simplesmente para se sentirem confortáveis, para acharem que são melhores, que não sentem nada disso. Eu, sentir isso? Imagine só! Tudo bem. Ler sobre a dor do outro é sempre confortante. Tudo bem. Não estou sozinho nessa, respiramos aliviados. Eu sei de mim que sempre li para não me sentir sozinha. Mesmo que eu lesse sozinha, sempre tinha alguém me contando que estava ali, que esteve ali um dia, sentindo.
E talvez esse seja o real motivo de eu querer continuar a escrever: saber que, mesmo comigo mesma, só, eu não estou sozinha.
12 de junho de 2016
Ainda é assim? Sim.

Sobre canetas que não escrevem

Ou algo do tipo.

Oi, universo. Como andas? Bem, acredito. Espero. Eu ando daquele jeito que você bem sabe, nem preciso dizer ou repetir incessantemente sobre minha dificuldade em me movimentar, não é mesmo? O mundo anda meio ao contrário, já troquei as mãos pelos pés há tempos e tenho a sensação de que não vou conseguir me desvirar. Mas não é sobre isso que quero falar. Veja bem.

Há um complô contra meu eu que escreve pra mim mesma, e esse complô é formado por canetas. Sim. Elas se rebelaram, pretas ou azuis, estão em greve, não querem funcionar. Já é a terceira vez que abro meu caderno novo (lindo, de capa dura e vermelha, como tenho sido), felizona pra jogar umas ideias quando, no meio de uma palavra, puf, a caneta que estou usando simplesmente para. Ela me olha, ri, debocha, diz: não, você não vai escrever hoje, nem amanhã, nunca mais. Dessa vez eu ri de volta, peguei meu notebook e vim deixar aqui meu protesto. Vim aqui pra dizer que toda vez que leio algo que me toca e ideias fervilham, tenho mania de sair lendo tudo o mais que posso encontrar sobre aquele assunto, até que consiga acalmar minha mente e ficar sentada em cima desse monte de um aparente nada.

Mas essas canetas, ah! elas não descansam. Outro dia mesmo, uma delas, velha de guerra e companheira, resolveu me deixar na mão bem no meio de um fluxo lindo de pensamentos, enquanto estava sentada em uma cafeteria tentando preencher esse buraco gigante aqui no peito. Assim, do nada, me deixou literalmente na mão, com tudo aquilo pra sair, enquanto esperava por meu expresso que demorava mais que minha força de vontade de lutar por mim mesma. E agora, mais uma vez, a mesma caneta, que eu pensei haver ressuscitado (afinal ela me permitiu escrever algumas frases desde a última greve), acabou de parar mais uma vez. Não me deixou começar nem a segunda frase. Agora ela está ali, meio torta, me olhando e julgando, porque parece ter quebrado no meio do meu ataque de fúria enquanto tentava fazer alguma tinta sair dela. Mas não desisti. Tentei outras duas. Testei em outros papeis só pra rabiscar menos o meu caderno, e as duas funcionaram. AHA! VENCI. Mas não. Uma delas mal me deixou começar uma palavra. E a outra morreu no meio de uma frase. Assim como eu aparentemente tenho morrido no meio de qualquer tentativa de movimento em minha vida.

Não sei bem qual é seu recado, universo. Migo, vamos lá, me ajude daí que eu vou ouvir de cá. Eu sei que preciso voltar a escrever pro mundo, mas ainda preciso daquilo que é só pra mim e mais ninguém (ou pra quem algum dia vier a ler meus diários). Preciso pra quando estiver na rua e aqueles estalos me atingirem na alma e não houver nenhuma outra maneira de escrever o que está aqui, o que sempre esteve e sempre estará. Preciso porque algumas palavras só fazem sentido quando as coloco em tinta em um papel, como é feito há séculos. Escrever aqui também é bom, muitas vezes flui bem mais rápido, posso ir e voltar em palavras que não eram bem aquelas sem deixar um monte de rabiscos pra trás… mas existe toda uma mágica nesses rabiscos e erros visíveis, você bem sabe. Me lembra que sempre haverá tropeços, que eles estão ali, mas principalmente que os superei e segui em frente. Olhar para minhas palavras escritas à mão me lembra de quem sou, de toda a cor que ainda preciso colocar em tudo o que faço. E sim, eu digo olhá-las, de observar, não lê-las.

Não tô consegu… assim morreu a terceira caneta que testei. Ela tentou levar consigo meu eu escritor, mesmo que temporariamente, dizendo pra queimar esse monte de um aparente nada. Mas foi então que me lembrei que não é você que não tem colaborado, e sim EU que não tenho permitido que tudo flua. Agora eu entendi. Esse monte de um aparente nada no qual estou sentada é tudo aquilo que preciso fazer. Falar. Inclusive meus escritos. Sempre soube que tudo estava aqui, só não lembrava onde havia escondido.

Por favor, universo, pegue em minha mão, ande ao meu lado, e me diga que finalmente entendi.

universo
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Passou

Já perdi as contas de quantas vezes fugi dessa tela. De escrever um texto novo. Comecei um texto de fim de ano nos últimos dias do ano passado, mas não passou de uma frase. Não sei do quê fujo exatamente, mas tenho certeza daquilo que tenho medo. Sei também porque não tenho escrito. Mas grito. Não pensem que não tenho escrito, é o que mais faço, eu só não tenho colocado meus textos por aí como gostaria; mas sempre escrevo, pra mim, sobre tudo, sobre todos, sobre mim e tudo o que há pra ser.

2015 foi um ano e tanto. Chegou me atropelando, enquanto enfrentava o frio do inverno irlandês, me jogando na cara que precisava agir ou teria de voltar antes do tempo pro Brasil. Chegou chegando, com o frio e os dias deslizando, com a morte de minha avó materna e eu longe de todos. Passei os meses de janeiro, fevereiro e o início de março deslizando pelas ruas de Dublin, lutando pra terminar meu curso, lutando pra não me afogar naquela tempestade que insistia em me seguir, enquanto meu destino estava em uma cidade de seis mil habitantes na costa oeste da Irlanda. Cheguei por lá ainda deslizando, até que sentei a bunda em uma cadeira de escritório por quase cinco meses e senti que estava caindo em um abismo que não parecia ter fim. Aquela cadeira, minha mesa, tudo fazia parte de uma viagem por um espaço que não me trazia nada além daquilo tudo que me matava. E ainda mata.

Mas aí eu me lembro do quanto eu vivi. Não foi só desespero. Sim, ele fazia parte da grande maioria dos meus dias da semana, mas o que era bom era tão vivo e extasiante, ainda que minúsculo, era gigante. Os meses se passaram, várias pints de Guinness (e de algumas outras poucas cervejas), pessoas, lugares, paisagens, memórias e vida, muita vida, bastante viva. Então chegou agosto, alto verão europeu, desembarquei em Londres completamente sem rumo. Literalmente perdi o ar quando avistei pela primeira vez o Parlamento e o Big Ben, achei que fosse desintegrar ali mesmo, no meio daquele mar de turistas. Fui a Cambridge passar um dia que parecia meio surreal; depois passeei em Liverpool por uns dias, bebi pints no The Cavern Club, aquele onde os Beatles tocaram um monte de vezes que foram quase 300. Depois voltei pra Londres e passei mais uns dias de turista perdida, e no meu último dia consegui ficar a poucos centímetros de Benedict Cumberbatch, esse ser humano de um talento inexplicável. Troquei poucas palavras com ele, tiraram uma foto nossa embaçada e voltei pra Dublin extasiada. E em pânico, já que dali a poucos dias estaria voltando pr’aquilo tudo que conhecia e não queria.

Desembarquei no Brasil em setembro e fiquei fora do ar até dezembro. Passei três semanas no Rio de Janeiro completamente perdida depois de ir ao show de um dos artistas que mais admiro nessa vida (beijos nessa alma iluminada, Damien Rice); passei vários dias afundada no sofá do meu primo, enquanto queria correr até não sentir mais minhas pernas. Até me encaminhar pra onde quero seguir. E então, nos últimos dias desse 2015 turbulento, voltei pro Rio 40º e tive uma das melhores viradas de ano dos últimos tempos em Copacabana.

Eu não queria começar o ano com um texto sobre o ano passado, mas eu precisava. Simplesmente porque terminei 2015 em um turbilhão e comecei 2016 com tudo o que precisava: amor.

El-Buen-Amor.-Con-Nube-De-María.
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Viva (2010)

21 de outubro de 2010

Vamos ser sinceros, todos nós adoramos ler sobre o sofrimento alheio. Nem tudo o que é belo é bonito, veja só. Agonia. Ansiedade. Tristeza. Falta de algo. De alguém. Para que escrever sobre o que se tem, não é mesmo? Está tudo lá, parado, te olhando e sorrindo pra você. E você fica tão feliz de ter aquilo tudo que só de admirar já se sente satisfeito. Usar pra quê? Vai gastar. Vai perder a graça e vou me cansar logo. É. Melhor deixar ali. Quietinho. Aquilo tudo. Tão lindo! Passo os dedos pra poder sentir. Ah! é de verdade. Eu te-nhô. Você não te-êm. Ah é, não vou usar. Inveja, né? Olho gordo murcha. E aí você, eu, nós, todo mundo, a gente guarda. Dentro de algum lugar. Aquele que te parece ser o mais apropriado. Feche bem fechadinho pra não ter perigo de escapar. Guarde bem guardadinho, pois um dia você vai precisar. De sentir. Ver. Pensar. E quando precisar, abra bem aquele armário caixa cômoda gaveta, bem lá no fundo de seu ser… e veja só: você achou a VIDA!

21 de dezembro de 2015

Por falar nisso, aproveitem pra ouvir essa lindeza cheia de vida: